O Dia Internacional da Mulher, nesse 8 de março de 2026 é oportunidade de refletir sobre a presença feminina no ambiente de trabalho, em especial nas áreas de jornalismo e comunicação corporativa. A data foi oficializada pela ONU em 1975 para reconhecer as conquistas femininas e continuar a luta contra a violência e o machismo. Esse tema tem origem anterior e marcou proposta durante uma Conferência Internacional de Mulheres Socialistas em Copenhague, em 1910, iniciativa de Clara Zetkin, uma professora e jornalista alemã, defensora dos direitos das mulheres e uma das fundadoras do Socorro Vermelho Internacional – para funcionar como uma “Cruz Vermelha política internacional”, fornecendo ajuda material e moral aos prisioneiros político.

Em 8 de março de 1917 (23 de fevereiro no calendário russo), trabalhadoras têxteis de Petrogrado iniciaram uma greve contra a fome e a guerra, um evento crucial para a Revolução Russa. Não foi o único evento de relevância envolvendo mulheres trabalhadoras. Existem datas trágicas. Por exemplo, no dia 25 de março de 1911, aconteceu um incêndio na fábrica de roupas Triangle Shirtwaist, em Nova York, nos Estados Unidos. Foi uma das maiores tragédias industriais nos EUA, matando 146 trabalhadores (123 mulheres e 23 homens). As portas trancadas para evitar pausas e furtos impediram a fuga, forçando muitos a saltarem para a morte. O evento impulsionou leis de segurança trabalhista e também é lembrada quando se fala nos direitos de operárias mulheres em todo o mundo.
A data, hoje, celebra as lutas históricas por direitos e igualdade, com origens em movimentos de mulheres trabalhadoras no início do século XX, como greves por melhores condições e o voto feminino. É bom lembrar que as mulheres só começaram a votar no Brasil em 1932, antes estavam fora dos pleitos. Mesmo no século XXI o tema continua atual e também lembra o feminicídio, crescente no Brasil, crime onde homens matam mulheres, muitas vezes motivados por ciúmes.
Comunicação e jornalismo
Segundo a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), Mulheres no jornalismo enfrentam disparidades persistentes, compondo apenas 26% do setor globalmente e com presença limitada em cargos de liderança. Apesar de serem maioria na base, sofrem com salários menores (6% a menos no Brasil) e sub-representação editorial. A trajetória inclui pioneiras do século XIX, avançando hoje com destaque em investigações e cobertura de políticas, enfrentando desafios como assédio e a luta por equidade.

Diversas pesquisas e estudos recentes abordam a condição das mulheres no setor de comunicação. Um trabalho bem citado é a pesquisa “Jornalismo Contemporâneo: novas práticas para emancipação social na cultura tecnológica” (anteriormente denominado “Novas práticas jornalísticas”), certificado pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e vinculado ao Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Faculdade Cásper Líbero (FCL), em São Paulo. O grupo contou com a liderança de Marli dos Santos, docente do PPGCOM da Cásper Líbero, e como vice-líder Francisco de Assis, coordenador do Mestrado Profissional em Jornalismo, do FIAMFAAM Centro Universitário, reunindo diversos outros trabalhos e que resultou no livro “Mulheres no jornalismo: práticas profissionais e lutas para emancipação social” (2018).
Nessa obra, observou-se uma feminização da redação, particularmente no Brasil. Mas, na conclusão da pesquisa, ainda há pressões, dificuldades, sobretudo a falta de percepção das profissionais sobre condições menos favoráveis às mulheres. “A feminização do jornalismo pode indicar de um lado um avanço na ocupação de postos de trabalho pela mulher, mas de outro, nos leva a considerar que a precarização da profissão, com a redução das equipes de jornalistas nas redações e a flexibilização das relações de trabalho, é aspecto relevante na pesquisa sobre a presença majoritária de mulheres no jornalismo, especialmente no jornalismo investigativo”, conclui o trabalho.
Mulheres no jornalismo hoje, confirma a pesquisa, enfrentam disparidades persistentes, compondo apenas 26% do setor em todo o mundo e com presença limitada em cargos de liderança. Apesar de serem maioria na base, sofrem com salários menores (6% a menos no Brasil) e sub-representação editorial.
Outro livro, mais recente que trata desse assunto, com abordagem mais otimista,é “Mulheres no Jornalismo”, com uma série de artigos e coordenado por Andréia Roma e Kelly Beltrão (editora Leader, 2024). O livro traz a trajetória de 24 profissonais, abordando desafios, superações e conquistas de gênero na mídia brasileira. A obra destaca histórias de vida para inspirar novas gerações, focando na liderança feminina e no fortalecimento da presença feminina no jornalismo.
Na área da comunicação empresarial, também segundo pesquisa do Conrerp-6ª Região, as mulheres ocupam cerca de 69% dos cargos de liderança em comunicação empresarial no Brasil, destacando-se em agências e áreas corporativas. Apesar da alta presença, representam 45% dos cargos de diretoria/vice-presidência, enfrentando disparidades salariais.
Segundo a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), a Federação Internacional de Jornalistas (FIJ) e seu Conselho de Gênero celebram o compromisso e a coragem das jornalistas que continuam a reportar, apesar das ameaças e intimidações, para fornecer informações às quais o público tem direito.
“Muitas delas sofreram comentários misóginos e ataques à sua aparência, além de abusos online. Em seu trabalho de reportar a verdade , algumas também vivenciaram o medo de ter que verificar se há bombas embaixo do carro, telefonemas ameaçadores tarde da noite, serem seguidas na rua, visitas ameaçadoras da polícia em suas casas, seus filhos sendo intimidados a caminho da escola e voltando para casa, e penas de prisão baseadas em acusações criminais fabricadas. Algumas chegam a ser assassinadas”, diz o comunicado oficial da Fenaj para este 8 de março.
“Hoje”, continua a carta da Fejan, “jornalistas mulheres nos contam por que continuam a reportar. Vamos celebrar as histórias de Ayşemden Akın (Chipre), Amanda Miranda (Brasil), Ahad Yaseen (Iêmen), Marta Monforte (Espanha), Francisca Christy Rosana (Indonésia), Javeria Siddique (Paquistão), Chadha Al-Hajj Mubarak (Tunísia) e muitas outras. E vamos compartilhá-las amplamente!”.
Presidente Lula fala da data
O presidente Lula fez um pronunciamento na noite de sábado (7), em cadeia nacional de rádio e televisão, em homenagem ao Dia Internacional da Mulher. No discurso, o presidente destacou a urgência no combate ao feminicídio, crime que bateu recorde e chegou à média de quatro mulher assassinadas por dia em 2025. “Não podemos nos conformar com homens matando mulheres”, disse Lula.

“A cada seis horas, um homem mata uma mulher no Brasil. Cada feminicídio é o resultado de uma soma de violências diárias, silenciosas, naturalizadas. A maioria esmagadora dessas agressões acontece dentro de casa, no ambiente que deveria ser de proteção”, disse.
“Mesmo com o agravamento da pena para o feminicídio, com até 40 anos de prisão para os assassinos, homens continuam agredindo e matando mulheres. Não podemos nos conformar”, acrescentou.
Lula questionou sobre o tipo de futuro pode ter um país onde mulheres sofrem tamanha violência e relembrou as ações anunciadas recentemente pelo governo que compõem o Pacto Nacional – Brasil contra o Feminicídio. A iniciativa envolve Executivo, Legislativo e Judiciário.






