Desde o início da pandemia, a capacidade de entender o presente e prever o futuro tem tirado o sono de muitos profissionais. Isso porque a falta de perspectivas palpáveis sobre quando a crise estará controlada e quais os reais impactos que ela vai deixar exigem um novo olhar sobre várias frentes de negócio, inclusive o marketing e a comunicação.

Compreender o atual momento que estamos vivendo – e que vamos superar – é primordial para entender que tipo de profissionais devemos ser a partir de agora, já que tudo continuará mudando muito rápido e temos de nos adaptar a isso. Ou seja, não só precisamos de novas ferramentas como também de revisões e adequações constantes das estratégias e skills individuais.

Quando falamos do marketing B2B (business to business), um dos impactos diretos da pandemia foi a necessidade de buscar novas formas de comunicação com o mercado, já que uma das ferramentas mais utilizadas para geração de demandas e negócios deixou de existir: os eventos e encontros presenciais. Para substituir esse modelo, tivemos que migrar essas iniciativas para o ambiente virtual, inclusive ampliando a divulgação de conteúdos e ações nas redes sociais.

Mas uma das maiores lições que as equipes de marketing tiveram nesse cenário foi sobre a importância de desenvolver um trabalho integrado com as equipes de vendas das companhias. Com ciclos de planejamento cada vez mais curtos, o pulso dos times comerciais – ou seja, os insights e informações colhidos diretamente com os clientes – passaram a ser essenciais para criar estratégias mais eficientes. Também ficou claro que os planejamentos precisam ser flexíveis e adaptáveis.

Atuar em novas frentes, reinventar estratégias o tempo todo, estar alinhado com as demandas reais dos clientes e aumentar a produtividade – com os mesmos recursos e com mais qualidade -, são a nova essência do marketing B2B. Além dos conhecimentos do setor, as chamadas hard skills, ganham também força competências técnicas relacionadas ao marketing digital como CRM (Customer Relationship Management), SEO (Search Engine Optimization), SMM (Social Media Marketing) e SEM (Search Engine Marketing), entre outras, assim como a capacidade de compreender dados e analytics.
Por isso, chegou a hora do profissional de marketing ser uma figura “tech” dentro das companhias, sendo especialista também em ferramentas digitais que ajudem a alcançar os diferentes e mais complexos objetivos do dia a dia. Os profissionais e as empresas que já estavam adaptados a essa realidade sentiram muito menos o impacto do trabalho remoto, por exemplo.

E como o momento demanda ainda mais união do time, mesmo que à distância, o desenvolvimento de habilidades que vão além do conhecimento acadêmico e técnico se torna ainda mais importante. No ramo das soft skills, o novo profissional de marketing B2B deve ter consciência da importância de buscar desenvolver questões de relacionamento humano, como a capacidade de inovar, a disposição para desaprender e reaprender, além da compreensão de que cada um vive em seu tempo, com rotinas diferentes enquanto trabalham de casa.

A lição final que temos é a de que devemos aprender a lidar com as incertezas, mas é importante se antecipar e se preparar para enfrentar cada uma delas, acompanhando as evoluções tecnológicas, as tendências do setor e entendendo demandas de clientes em constante transformação. As visões estratégicas continuam sendo importantes, mas a necessidade de adaptá-las constantemente de acordo com os rumos inesperados do mundo, mantendo a produtividade do trabalho, é primordial. E além dos conhecimentos técnicos, trabalhar no desenvolvimento de habilidades de relacionamento social também será essencial. Portanto, o novo jeito de fazer marketing para o B2B é esse: aprender, desaprender e reaprender.