Se eu tivesse que arriscar o nome que os historiadores darão para a era em que vivemos, diria que será a Era das Transformações. Vivemos transformações em várias áreas e muitas transformações em cada área. Uma transformação influenciando outra e gerando mais transformações ainda. Algo alucinante e difícil de ser totalmente acompanhado por quem quer que seja.

Não é exclusivo do momento de pandemia, pois já vem se desenrolando há bastante tempo, mas estamos em um momento de mudanças em velocidade e volume inéditos. Um dos grandes impulsionadores destas transformações foi a transição tecnológica. Esse advento mudou a forma de pensar e se relacionar: antes, existia um ponto central de onde partiam as informações e criavam-se as conexões; hoje, cada um é um disseminador de informações que geram novas conexões.

Consciência

Observo que todas as mudanças em curso trazem novos valores e novos comportamentos. Aflora a consciência da interdependência, em que não basta parecer, é fundamental ser. Cada ação, por menor que seja, gera uma reação que influencia o todo. Isso vale para os indivíduos e para as instituições.

Com isso, o posicionamento das marcas precisa parecer e ser responsável. O impacto positivo de cada serviço ou produto é observado e cobrado pelos indivíduos e pela sociedade.

Existiu um tempo em que as empresas e indivíduos que praticavam a filantropia eram vistos como sustentáveis. Com todas as evoluções e transformações das últimas duas décadas, a filantropia se tornou apenas uma parte da responsabilidade de uma empresa. É preciso ter também políticas, códigos de conduta, certificações, diálogo, transparência e, muito importante: fazer a diferença! Ter um propósito claro.

Essa palavra tão em alta hoje em dia, nada mais é do que ter objetivos claros e desejo de realizar, que vão além das necessidades básicas. É preciso pensar como parte integrante da comunidade e entender qual o papel da empresa: como os produtos, serviços e ações impactam a sociedade, o ambiente e a economia.

Transparência

Hoje, os indivíduos esperam das instituições muito mais do que bons produtos e serviços. Querem saber qual é a opinião da empresa, como ela pensa, como age. Buscam informações transparentes para enxergar a coerência entre o discurso e a prática.

Parece um mundo mais complexo, mas ficou mais fácil para aqueles que já tinham um propósito. Basta ser autêntico e praticar aquilo que acredita.

Se é inegável que a pandemia vem trazendo impactos negativos, é preciso pontuar que existe um lado positivo. Muitas pessoas tiveram a oportunidade de refletir, de sentir empatia por aqueles que estavam em situações piores e, também, de se sentirem agradecidas ao receberem o apoio de outros. Neste momento, os desejos de fazer o bem e ter empatia passaram a ser atribuídos – por que não cobrados – às empresas.

Propósito claro

No momento de crise, as reações e ações mostram a verdadeira essência dos indivíduos e empresas. Neste sentido, as empresas também se revelam e, aquelas com propósitos aderentes às necessidades de seus clientes e consumidores, se destacam.

Cito como exemplo, as principais marcas da Phisalia, empresa da qual sou diretora, que trabalham propósitos ou causas desde seus lançamentos. Sempre foi feito assim porque acreditamos que é a coisa certa a ser feita, e não movidos por uma pressão do consumidor ou oportunidade de mercado. Se eu acredito que seremos beneficiados com essa nova busca dos consumidores por marcas com propósito claro e aplicado? Sim, acredito, mas continuaremos agindo como antes, pois é verdadeiro e justo na visão da empresa.

Exigir das empresas e instituições um propósito claro e aderente às necessidades atuais é mais uma das tendências que viraram realidade. A sociedade transformou a decisão de compra em algo ainda mais complexo, atrelando “percepção de propósito aplicado” à já extensa lista de fatores de influência.