A comunicação não é apenas um suporte, mas o principal ativo estratégico da liderança. No atual cenário corporativo, a habilidade de transmitir ideias com clareza e ouvir ativamente define o sucesso de equipes e organizações. Conectar conhecimento e engajamento exige mais do que delegar; é preciso inspirar. Transparência e escuta ativa são algumas das habilidades exigidas, e o líder é um dos principais parceiros para transmitir e reproduzir comunicados corporativos para suas equipes, além de identificar pontos de desinformação. E isso é particularmente importante em programas de inclusão.
Transparência

Abordando a questão da transparência em ambiente corporativo neste atual momento, Filipe Xavier, head de Comunicação, ESG e Branding na GE Healthcare, explica que não existe separação entre o ambiente virtual e o offline. Assim, a transparência deve ser necessária para cada público diferente. “Não existe receita de bolo para trabalhar com o líder, precisamos simplesmente apoiá-lo”, resumiu Xavier ao falar da importância de atuar com um grande multiplicador de informações internas.
Falando de pesquisas recentes em sua empresa, Carina Almeida, sócia-fundadora da Textual Comunicação, cita uma delas que abordou 600 brasileiros e questionou qual o ponto central na reputação das marcas. A transparência, a autenticidade e a utilidade, que é o tripé da transparência, segundo ela, valor central da construção e preservação da confiança e da reputação, 77% dos pesquisados se abrem para contar e mostrar os bastidores de suas empresas. E mais de 70% disseram que confiam mais em empresas que contam como fazem para reduzir o impacto ambiental. E outros 75% acreditam em empresas que trazem os colaboradores e clientes para endossar a comunicação, e não atores. “A transparência se estabeleceu como um novo núcleo ético no relacionamento das empresas com seus colaboradores. Não significa comunicar tudo para todo mundo. A comunicação deve fazer uma curadoria”.
Outro dado de pesquisa, da Edelman Trust Barometer, foi apontado por Caio Ferracina, coordenador sênior de Comunicação Interna e Marca Empregadora na Latam Airlines Brasil: as pessoas estão confiando menos nas lideranças e mais em seus colegas e nas suas marcas empregadoras. “Transparência deveria ser um valor inegociável”.
Engajamento

“Não vejo uma separação entre buscar engajamento e buscar performance”, opina Denise Pragana, gerente de Comunicação Interna do Grupo Trama Reputale: “As duas coisas são complementares. O trabalho de engajamento é o caminho para a performance”. E mais, do ponto de vista acadêmico, já que Denise é professora universitária, ela aponta que, do ponto de vista de estratégia de comunicação, “engajamento é um estado psicológico que gera um comportamento, que é caracterizado pela energia que a pessoa coloca naquilo em que ela realmente se engaja; pelo envolvimento com a causa; e pela absorção. Para que isso exista, é necessário, entre muitos pontos, o protagonismo. As pessoas precisam se sentir protagonistas naquilo em que são convidadas a se engajar”.

“No passado, as campanhas de comunicação interna eram mais relacionadas com celebrações e marketing, mas sempre estiveram conectadas com o resultado e o engajamento”, avalia Mariana Augusto, gerente sênior de Comunicação na Arcos Dourados. “Hoje, nosso papel na comunicação assertiva é saber para onde a empresa está indo, quais são as prioridades e como o trabalho de cada pessoa se conecta. Aí falamos em engajamento. As pessoas entregam melhor quando estão engajadas”. E exemplifica com o estudo da Gallup do ano passado, que apontou que apenas 20% dos trabalhadores do mundo estavam engajados em 2025. E esse baixo engajamento representou uma perda estimada de 10 trilhões de dólares em produtividade”.
“As pessoas não querem apenas receber informações, mas também entender contextos”, apontou Lígia Rocca, sócia-diretora na Involv, ao falar da importância dos rituais recorrentes. “Muitas empresas decidem divulgar uma estratégia por meio de uma apresentação de metas ou de planos, mas, na verdade, estamos falando do colaborador se sentir parte do processo. Comunicação só vira estratégia quando o colaborador consegue saber o que está acontecendo, por que isso importa e o que muda para mim”. E cita uma pesquisa recente da Gheringer Consultoria, que apontou que 73% das organizações buscam uma comunicação interna mais estratégica, mas só 18% reconhecem que atingiram o nível de maturidade.
Comunicar é preciso

“Comunicação interna, para ser eficiente, deve atender aos desafios do negócio”, declarou Lucila Cestariolo, diretora Regional de Comunicação e Relações Governamentais na Alcoa, empresa sediada em São Paulo e com operações em três estados e 10 mil funcionários. Trabalhamos na comunicação interna para atender às estratégias e aos desafios do negócio em cada localidade, mantendo uma voz única no Brasil inteiro. “Quanto mais dispersa a empresa está, maiores são os desafios.”
Ela apresenta dados elucidativos. Uma pesquisa aponta que 79% das empresas estão preocupadas em aumentar a clareza estratégica. “Mas comunicar não é só dar informação. O que falta na comunicação interna hoje não é informação, e sim conexão. Como eu posso me comunicar, por intermédio de meus líderes, para feedbacks, alinhamentos, para o melhor resultado possível em cada nível da organização”. E revela que a comunicação na empresa reviu alguns processos, como, por exemplo, a liderança comunicadora e a convergência de canais. Precisamos ter uma comunicação em que os líderes sejam entendidos”.

“Por isso que muita gente associa liderança a essa capacidade de associar, de engajar, de mobilizar pessoas, mas, na prática, boa parte dessa liderança aparece nos momentos menos confortáveis, no feedback que precisa ser dado, no conflito que precisa ser mediado”, define Leonardo Wollinger, diretor de Criação e Conteúdo na Clima Comunicação. “Comunicar com empatia se transformou tão estratégico como qualquer outra habilidade de liderança”. Para ele, raramente os problemas de comunicação são questões de técnica e sim de comportamento.
Uma saída para esse desafio, segundo Claudia Góes, diretora de Comunicação na Microsoft Brasil, é exemplificada no caso da Microsoft, que, na mudança de CEO, há 12 anos, promoveu uma nova visão cultural, que, entre outras coisas, dizia que a empresa deixa de ser uma empresa que sabe tudo para ter uma cultura de aprender tudo. Significa que todos os colaboradores, na jornada profissional, irão aprender, reaprender, e isso será uma constante. Os líderes, portanto, teriam que dar exemplos dessa prática. Segurança psicológica, onde pode errar, mas evoluir também”.
Confiança

Outra questão importante no engajamento do pessoal é o fortalecimento da retenção e diminuição do turnover. Daniel Costa, diretor de Comunicação Corporativa na BWG.in, alerta que o Brasil é o campeão de rotatividade: 56% em média, sendo que a geração Z tem ficado em média nove meses nas empresas e as demais gerações 14. E dados de pesquisas internacionais apontam que empresas com comunicação interna eficaz chegam a ter uma taxa de turnover 50% inferior em comparação com aquelas que não possuem esse serviço ou nas quais a comunicação não funciona tão bem. “Substituir pessoas pode custar caro, chegando a mais de 6 salários. “Muito mais importante do que uma empresa comunicar aquilo que faz é fazer aquilo que comunica”.

Falando sobre confiança, Nêmora Reche, diretora de Comunicação Corporativa Brasil na Syngenta, declarou ter uma grande rede de stakeholders internos que precisa ser acionada para que a comunicação aconteça com sucesso. Sobre concorrência, que é forte do setor, Nêmora cita que “a estratégia no Brasil é de botina no campo. Cada profissional atua com o cliente no local do agricultor, transformando em oferta para eles”. Ela cita que o índice de engajamento interno é de 80%, com um número maior de funcionários que dizem ter orgulho de trabalhar na empresa.
Falando do impacto da comunicação interna para a construção da confiança, Nayara do Carmo, gerente de Comunicação Interna na PepsiCo Brasil, afirma que não pode tratar todos os funcionários da mesma forma. No entanto, a empresa preserva relações de longo prazo para que os funcionários tenham mais segurança de saber que poderão trabalhar com mais qualidade ao longo do tempo. “Aqui a comunicação consegue transitar de ponta a ponta. Desde a alta liderança até a linha de frente, ouvindo todos na construção da confiança”.
5º Fórum Empresas que Melhor se Comunicam com Colaboradores

“O 5º FEMCC tem importância estratégica porque coloca a comunicação interna no centro da gestão em um momento especialmente desafiador”, opina Michele Dantas, coordenadora de Comunicação Interna da Eldorado Brasil. “As empresas produzem mais conteúdo, utilizam mais canais e contam com mais ferramentas do que em qualquer outro momento da história. Ao mesmo tempo, crescem os desafios de alinhamento, confiança, engajamento e de transformar mensagens em entendimento real”.

“Ao trazer luz a este debate, o Fórum reforça que a comunicação com colaboradores não é mais uma função de suporte, mas sim um elemento crítico de governança, diretamente conectado à capacidade das empresas de sustentar cultura, garantir unidade de comando, reduzir ruídos operacionais e, consequentemente, impactar produtividade, retenção de talentos e resultados de negócio.”
Falando sobre tendências, Michele destaca “a evolução da comunicação interna para um modelo mais estratégico e orientado à gestão de atenção organizacional. Isso passa pela segmentação de mensagens, garantindo que cada público receba conteúdos relevantes para sua realidade, pela transparência como ativo de confiança e, principalmente, pelo fortalecimento do papel das lideranças como principais tradutores da estratégia no dia a dia. Também ganha força a necessidade de reduzir o excesso de informação e atuar com mais curadoria, priorizando qualidade e clareza em detrimento de volume. Outro avanço importante está na consolidação da escuta ativa como prática contínua, estruturando feedbacks que realmente retroalimentam a tomada de decisão”.
Na Eldorado, essa agenda está diretamente conectada à gestão de pessoas e à nossa cultura. A Pesquisa Nossa Gente 2025, que ouviu cerca de 3.500 colaboradores, mostra resultados consistentes nesse sentido: 93% afirmam ter clareza sobre os valores da companhia e 83% enxergam a empresa como um lugar para construir uma carreira de longo prazo. “Esses indicadores demonstram que comunicação, cultura e engajamento estão alinhados e apontam para o próximo desafio, que é transformar esse alinhamento em vantagem operacional, garantindo que a estratégia seja compreendida e executada com consistência em todos os níveis da organização, do campo às offshores”, resume Michele.
Carina Almeida, sócia-presidente da Textual Comunicação e DiversaCom., diz que “o Fórum cumpre um papel fundamental ao promover debates e compartilhar boas práticas sobre os desafios que mobilizam diariamente as organizações e os profissionais da área. E o tema central desta edição, “No Limite da Fala”, trouxe uma reflexão especialmente relevante. Em um ambiente marcado pelo excesso de informação e pela disputa permanente por atenção, comunicar mais não significa comunicar melhor. Vivemos um cenário em que não existe mais audiência cativa — nem mesmo dentro das organizações”.

“Mais do que acompanhar tendências, o Fórum ajuda a consolidar uma visão cada vez mais presente no mercado: a Comunicação Interna é um elemento estruturante da reputação corporativa. Afinal, as narrativas que fortalecem uma marca começam dentro das organizações e ganham legitimidade por meio das experiências e das conversas vividas pelos próprios colaboradores.
A respeito de tendências do setor, Carina destaca que a principal é a consolidação da Comunicação Interna como um ativo estratégico, diretamente conectado aos objetivos do negócio e à construção da reputação corporativa. “Nesse contexto, destacamos cinco movimentos que devem ganhar ainda mais força:
- Integração entre Comunicação Interna, marca, cultura e reputação, diluindo fronteiras entre
públicos internos e externos. - Escuta ativa e participação ativa dos colaboradores, dando protagonismo para as pessoas e
transformando a comunicação em uma via de mão dupla. - Lideranças comunicadoras, fortalecendo o papel dos gestores como agentes essenciais na
promoção de conexão e confiança. - Personalização das experiências, reconhecendo que diferentes públicos demandam formatos,
canais e linguagens distintas, adequadas a cada modelo de negócio e nível de maturidade de
cada empresa. - Amadurecimento da Comunicação Interna orientada por dados, agregando indicadores cada
vez mais intencionais e integrados para medir o impacto, conectado ao objetivo do negócio e
geração de ROI.
“Na Textual, entendemos que essas tendências se conectam à nossa metodologia baseada nos 3 Is —
Intencionalidade, Integração e Inteligência de Dados. São esses pilares que permitem construir
conversas legítimas, fortalecer a confiança e gerar valor sustentável para as organizações. Em
um cenário em que colaboradores já são protagonistas da reputação das marcas, a Comunicação
Interna ocupa uma posição estratégica na geração de resultados para o negócio”, afirma Carina
Almeida, sócia-presidente da Textual Comunicação e DiversaCom.
Esses assuntos foram discutidos durante 5º Fórum Empresas que Melhor se Comunicam com Colaboradores
Assista novamente ao fórum:
Dia 1: https://youtube.com/live/wxJH40mUCIE?feature=share
Dia 2: https://youtube.com/live/g0b4f15rFoE?feature=share










