Durante os últimos dois anos, falamos muito sobre como a tecnologia foi essencial para manter as pessoas mais unidas, mesmo que à distância. Vimos como ela tem sido uma ferramenta poderosíssima para conectar as pessoas e como estamos caminhando para uma comunicação cada vez mais híbrida, mesclando o digital com o presencial – bem-vindos ao mundo phygital. Essa foi, com certeza, uma das principais heranças que a pandemia da Covid-19 nos deixou.

Foi-se o tempo em que a atenção do consumidor se voltava para preços competitivos e qualidade dos produtos ou serviços prestados. Na era Digital, disponibilidade e velocidade de resposta passam a ser fundamentais. É isso que a tecnologia nos propiciou. Mas até isso começa a se tornar pré-requisito diante das evoluções dos mercados e das empresas.

Por mais que as companhias apostem em recursos tecnológicos para se aproximar de seus stakeholders, é fundamental que elas entendam que é possível – e necessário – manter uma comunicação cada vez mais humanizada com esse público – entenda-se por “humanizada” uma comunicação que considere as necessidades do consumidor e da sociedade, suas necessidades, seus propósitos, suas causas. Afinal, temos que considerar que quando falamos em comunicação o ponto de partida é o indivíduo – e o de chegada também.

E praticar uma comunicação mais humanizada não é uma tarefa tão simples – é fundamental que haja um alinhamento da mensagem com os valores e missão da empresa e os anseios do público-alvo, de forma que a relação ali travada possa transpor a antiga relação mercantil entre quem vende e quem compra, e evoluir para uma real identificação entre a Marca e o consumidor.

É nesse desafio de criação de laços de identificação que surge a pauta de ESG (da sigla em inglês Environmental, Social e Governance). Não é de hoje que a agenda ESG é um assunto de destaque no mundo corporativo – anteriormente alocado sob outros termos tais como “Sustentabilidade”, “Responsabilidade Social”, “Transparência Corporativa”, entre outros. Porém, após a pandemia esse tema passou a ter ainda mais relevância – ficou óbvio como tudo o que acontece no mundo interfere no nosso cotidiano, e as empresas passaram a entender ainda mais a importância do seu papel social e o impacto que suas ações podem gerar para a comunidade ao seu redor.

Segundo o estudo “ESG e sua Comunicação nas Organizações do Brasil” conduzido pela Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), atualmente, 95% das companhias brasileiras têm o tema ESG como prioridade em suas agendas corporativas. Ainda de acordo com a pesquisa, 58% afirmaram que a pandemia as fez acreditar mais fortemente que se tornar sustentável é importante. A necessidade de as empresas integrarem cada vez mais iniciativas ESG aos seus objetivos de negócio é urgente e um caminho sem volta.

Na Tokio Marine, por exemplo, reforçamos ainda mais esse compromisso no último ano com o lançamento do Tokio ESG, uma série de iniciativas voltadas para os campos ambiental, social e de governança. No Brasil, a Companhia já desenvolve ações alinhadas ao conceito ESG e às diretrizes do Grupo Tokio Marine, e vislumbramos ampliar ainda mais essa atuação de forma significativa nos próximos anos – recentemente foram mapeadas 67 iniciativas linkadas ao tema.

Talvez isso pareça pouco diante do tamanho do desafio, mas é aí que entra o papel da comunicação humanizada: é ela quem pode criar as verdadeiras conexões com os stakeholders, na medida em que liga o propósito e as ações da empresa com o propósito e as ações do consumidor. E é isso que cria marcas cada vez mais relevantes.

Em suma, investir em uma comunicação humanizada dentro e fora da organização pode ser um diferencial para o sucesso da implantação de uma agenda ESG que seja coerente e que esteja bem alinhada aos valores da empresa, gerando assim, mais credibilidade perante seus públicos estratégicos e a sociedade como um todo.