A Covid-19 é a maior crise da nossa geração. Nenhum de nós havia enfrentado um evento dessa magnitude anteriormente. Diante da pandemia do coronavírus, guiamos nossas ações tendo como prioridade proteger a vida e a saúde das pessoas. De tão nobre – e difícil –, essa missão não poderia ser individual. Ao contrário: exigiu esforços múltiplos, trabalho conjunto, construção coletiva e o envolvimento de diversas áreas do conhecimento humano.

A área de Comunicação desempenhou um papel fundamental nesse cenário. Teve de ser ágil, transparente, empática, afetiva, direta, didática, multiplataforma, confiável, parceira. Esclarecer, conectar e engajar, tanto grupos da mesma organização quanto a sociedade em geral. Atuar na gestão da crise, mas também mostrar o que está sendo feito para combater o vírus. Trabalhar a segurança e a saúde mental das pessoas.

Nessa hora, tudo o que você faz não é o bastante. Tem de ir além, fazer sempre mais, buscar novos formatos, novos canais. Inovar e avançar, mas sem deixar ninguém para trás. Seja quem está em home office ou aqueles que estão no dia a dia das operações. Trabalhar e atuar para que, mesmo à distância, estejamos conectados como pessoas, como grupo, como um time.

Infelizmente, o vírus e suas novas variantes ainda circulam entre nós e a pandemia não terminou. Mas já é possível listar algumas lições aprendidas ao longo da gestão dessa crise sob o ponto de vista da Comunicação que podem ajudar os atuais e futuros profissionais.

Uma primeira constatação foi que as empresas que já tinham uma boa estrutura de Comunicação, com processos, equipes, agências, organização e fluxos bem definidos, que aliavam visão estratégica, agilidade e capacidade operacional, saíram na frente e avançaram mais rápido do que aquelas que não tinham. Isso mostrou o valor da gestão de Comunicação como diferencial competitivo e de sobrevivência na crise. Em Comunicação, criatividade é commodity, a maioria das áreas tem. Mas gestão, organização e processos, não. Quem tem se diferencia.

Outra lição aprendida é que dá para fazer as coisas de forma mais simples e descomplicada. Ser simples não é ser simplório. Comunicação não é o que a gente fala, mas o que os outros entendem. O importante é que funcione, que seja efetiva, que conecte e faça sentido para as pessoas A pandemia deixou isso muito claro. O foco deve ser no outro, na busca pela empatia, pela conexão com as pessoas que estão passando por um momento difícil, nunca experimentado antes.

Aproveito para compartilhar outra observação relevante: comunicação tem de ser 360º, integrada, multimídia, multistakeholder. Essa já era uma realidade para nós aqui na Votorantim Cimentos, algo que sempre praticamos e que se fortaleceu ainda mais na pandemia. Quem fazia comunicação em silo, entrincheirada, desconectada, sofreu bastante. Agora, mais que nunca, todos perceberam que não tem mais aquela separação entre comunicação interna e externa, canais, veículos. É tudo junto e misturado, multiplataforma, tudo ao mesmo tempo agora.

Por fim, fica a lição de que nenhuma organização, por mais forte ou valiosa que seja, está imune a uma crise. Mesmo que tudo esteja correndo muito bem, eis que de uma hora para outra pode surgir um fator externo (como, por exemplo, uma pandemia) que afete os clientes, os empregados, os fornecedores, as comunidades, o mercado, o planeta. É inegável que as empresas e suas marcas também são impactadas num momento extremamente difícil como o atual. Nessa hora, não dá para cruzar os braços nem procrastinar. A responsabilidade social e a solidariedade também devem ser valores e práticas corporativas. Grande ou pequena, cada empresa pode ajudar à sua maneira. Seja com doações, campanhas, voluntariado, programas sociais etc. Nessa corrente do bem, quanto mais elos, melhor. Assim, juntos, temos mais chances de vencer esse vírus.