Todo mês, serão disponibilizadas pela Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), no Google Drive, duas grandes compilações de documentos de interesse público. A pesquisa é gratuita por meio do Pinpoint . Atualmente, o Pinpoint faz parte do Journalist Studio, que é um pacote office da GNI (Google News Initiative), projetado para colaborar com o desenvolvimento de um ecossistema de notícias ainda mais conceituado e preparado. A plataforma possui o intuito de potencializar a rotina nas redações e melhorar o tempo dos profissionais de imprensa. Por conta disso, a ferramenta possibilita a pesquisa inteligente em grandes volumes de arquivos, retornando rapidamente dados essenciais e importantes para a busca.

O carregamento e envio recorrente dos conteúdos para a nuvem, pelo grupo, é resultado da parceria oficializada recentemente com a GNI, anunciada no dia 23 de agosto, durante painel exclusivo da 16ª edição do Congresso da Abraji, que contou com a participação de Marco Túlio Pires, diretor do Google News Lab no Brasil , e Reinaldo Chaves, coordenador de projetos na Associação.

“Queremos ao mesmo tempo facilitar o acesso a essas informações e também permitir que as pessoas possam usar todas as grandes funcionalidades do Pinpoint, como pesquisar rapidamente e facilmente em milhares de documentos por entidades como pessoas, empresas/organizações e localizações. Sem dúvida isso poderá ajudar muitos jornalistas brasileiros”, explicou Reinaldo Chaves.

O Pinpoint

O Pinpoint chegou ao Brasil no final de 2020, juntamente com o Journalist Studio. Ambas as ferramentas com a missão de oferecer mais tempo e espaço para os profissionais de imprensa. A fim de focar em encontrar e relatar histórias de interesse dos cidadãos, de forma segura e com as melhores narrativas.

O sistema ampara os repórteres a examinarem rapidamente diversos e até milhares de documentos. Inclusive aqueles disponibilizados por jornais internacionais e empresas de comunicação, como o The New York Times e o The Guardian. Eventos, fatos, nomes de indivíduos, instituições e ambientes/regiões registrados nesses papéis digitais são identificados, organizados e confirmados automaticamente pela ferramenta, em questão de pouco tempo.

Como funciona a máquina

A apuração de dados em vários formatos usa o aprendizado de máquina para imprimir resultados relevantes após a análise de enormes quantidades de títulos. O Pinpoint faz a triagem automática, depois sincroniza os conteúdos e inicia a marcação inteligente de referências para buscas rápidas, a partir disso inicia as transcrições de gravações.

“O diferencial do Pinpoint é que ele usa o mesmo motor de inteligência artificial da busca do Google para identificar automaticamente as pessoas, os locais e até as empresas mencionadas nos documentos e nos áudios. Ou seja, você vai poder cruzar e encontrar numa fração de segundo todas essas informações, em centenas ou milhares de arquivos ao mesmo tempo. Muitas redações já estão usando o Pinpoint ao redor do mundo, e o Boston Globe recentemente ganhou um Pulitzer com uma matéria que usou o Pinpoint durante a investigação”, ressalta Marco Túlio, ao longo do painel.

Vale lembrar que ao invés do famoso comando “Ctrl + F”, um atalho para a caixa de pesquisas em documentos, os profissionais de comunicação terão auxílio para uma utilização otimizada dos mecanismos da pesquisa do Google e do Mapa de Informações , com o reconhecimento óptico de caracteres e as tecnologias de fala para texto, para escanear PDFs digitalizados, imagens, e-mails, arquivos de áudio e até manuscritos arquivados no Google Drive.  O objetivo do projeto é tornar o processo de investigação de dados mais fácil e com menos risco de assimilação de informações falsas.

Por fim, a análise dos materiais também pode ser feita em outras línguas, como o inglês, o espanhol, o francês, o italiano e o polonês. A plataforma atua para os uploads feitos pelos próprios usuários em suas pastas na nuvem.

Como o Pinpoint ajuda o jornalismo investigativo

O Pinpoint é uma boa aposta em projetos de investigação, devido a sua agilidade. Como exemplo do relatório do USA TODAY sobre 40.600 mortes relacionadas ao COVID-19 em lares de idosos, o Reveal’s Look sobre o “desastre de teste” do COVID-19 nos centros de detenção da Imigração e Alfândega dos EUA (ICE), assim como o artigo do Washington Post sobre a crise de opióides.

A velocidade do Pinpoint colabora para que os repórteres realizem projetos em um pouco espaço de tempo, como o exame do Rappler, com base nas Filipinas, dos relatórios da CIA da década de 1970 e situações de notícias de última hora, como a verificação rápida dos fatos do Verificado MX, com base no México, das atualizações diárias da pandemia do governo.