Doctor with a stethoscope in the hands and hospital backgroundMais do que fama e seguidores, perfis têm se preocupado com produção de conteúdo responsável e cuidado com a informação para fidelizar audiência, sobretudo na saúde

Se por um lado a ampliação do mercado de influência trouxe novas vozes ao alcance de milhões de pessoas, por outro, também abriu portas a centenas de perfis que exibem grande número de seguidores comprados ou conquistados com polêmicas, fofocas e meias verdades. Apesar disso, o mercado de influência tem amadurecido e privilegiado mais a construção de legado e curadoria assertiva de conteúdo.

Este será um dos temas discutidos no 8º Fórum sobre Marketing de Influência e do 3º Prêmio Microinfluenciadores Digitais, que será realizado no dia 6 de março, de forma 100% digital, das 9h às 19h.

Saúde

Tema sempre fundamental que ganhou ainda mais relevância com a pandemia de Covid-19, a saúde é uma das categorias do 3º Prêmio Microinfluenciadores Digitais, e os três perfis mais relevantes considerados pelo prêmio levam a sério a construção do legado e a curadoria assertiva do conteúdo. Leia os depoimentos a seguir.

Mediários – Bianca Gabriela e Fabio Yuji Furukawa

Inicialmente começamos com o YouTube vindo do mundo dos blogs. Achamos que era a melhor forma de aumentar nosso contato com a audiência que, naquele primeiro momento, era focada em vestibulandos: mostrar como funcionava a universidade pública, como nós estudamos para passar no vestibular e como todos teriam condições de atingir esse objetivo, porque muita gente acabava nem fazendo prova porque achava que não iam passar. Fomos para o Instagram e o Facebook depois de um ano por conta do pedido dos nossos seguidores.

Com o tempo, focamos mais na nossa rotina na medicina em si, os desafios que a gente têm. De vez em quando, comentamos sobre questões de saúde. O Fábio, por exemplo, fala sobre medicina preventiva. Mais para frente, queremos ampliar os conteúdos médicos, mas sempre com enfoque educacional.

Desde o início, com o YouTube, a gente percebeu que poderia criar uma comunidade que fosse fiel, que gostasse do conteúdo, mas com o Instagram a gente percebeu que a interação era muito maior, sem falar na possibilidade de fazer muitos projetos, tanto educacionais, quanto remunerados, a partir de produtos nossos ou parcerias. E sempre com muito cuidado e responsabilidade, seja com o conteúdo, seja com as parcerias. A gente sempre se preocupou em elaborar conteúdos sem ser sensacionalistas ou só pensando em views e curtidas, sem expor pacientes ou colegas, em passar informações verdadeiras – até no contexto da pandemia mesmo, de pessoas enviando dúvidas, a gente sempre tratou a medicina como algo baseado em evidências. O nosso legado é esse. Como inspirar pessoas para que elas façam a diferença.

A pesquisa que nós fazemos é um pouco exaustiva, mas é o melhor que nós podemos fazer como produtores de conteúdo para não colaborar com a disseminação de informações erradas, principalmente na área médica, que tem muita gente falando sem ter formação, propriedade para falar sobre o assunto.

Caroline Prado

Comecei nas redes sociais sem nenhum intuito de me tornar influenciadora. Eu tinha 16 anos, estava no terceiro ano do colegial e meu sonho era cursar Medicina. Criei o Instagram para me motivar a realizar esse sonho. Na época, ninguém à minha volta estava ligado à Medicina. Então, eu queria buscar apoio, motivação, referências e pessoas.

Hoje, posso dizer que tenho dois grandes objetivos: mostrar que é possível realizar sonhos e compartilhar a transformação da saúde, a partir do meu trabalho com dois grandes públicos: os estudantes, sejam eles vestibulandos, concurseiros ou acadêmicos da área da saúde, e as pessoas que buscam informações sobre saúde de maneira leve e descomplicada.

Eu me dei conta disso quando passei no vestibular para a faculdade de Medicina. Ali, eu percebi que seria um grande diferencial para minha carreira como Médica, em especial no meu segundo ano, quando decidi que queria me especializar em saúde da mulher. O que me atraiu nessa especialidade é exatamente o que me atrai todos os dias para o Instagram e o YouTube: ter um contato íntimo e de confiança com as pessoas.

Planejar vídeos, discutir temas do dia a dia da saúde nos stories, falar sobre Medicina, desabafos sobre a realidade da saúde brasileira, estudos e muito mais têm um papel muito especial no meu dia a dia. A referência que eu buscava quando era vestibulanda de Medicina hoje eu procuro me tornar.

Descobri no dia a dia dos plantões no Sistema Único de Saúde (SUS) que a saúde brasileira diz muito sobre o quanto a população não tem acesso à informação. Isso porque nunca alguém explicou. Através das redes sociais, descobri uma forma de reinventar a saúde e tornar a população mais próxima de seu corpo e seu funcionamento. Sabendo que essa é a responsabilidade que eu quero assumir, construir conteúdo para pessoas que confiam nessa minha missão tem um papel difícil, muito especial, valioso e gratificante na minha vida.

A vida Medicina – Thais Albuquerque

Quando eu retomei o meu sonho de fazer medicina, eu comecei a buscar algumas referências na internet.Na época eu encontrei apenas um blog de um estudante de medicina em 2014. Então eu comecei a escrever nesse blog como uma forma de praticar a redação tão necessária nos vestibulares e também como uma forma de colocar pra fora as minhas ansiedades e dificuldades em lidar com isso. Apenas em 2015, quando eu já tinha sido aprovada no vestibular de medicina, resolvi abrir uma conta no Instagram para compartilhar a rotina, não só da Thaís estudante de medicina, mas como a pessoa “mais velha” da sala também.

Meu objetivo sempre foi compartilhar o sonho que eu tinha de fazer medicina, mas, no meio do caminho, fui descobrindo outras coisas que me motivaram a continuar com o perfil, que fizeram sentido em abrir um pedaço da minha vida com os meus seguidores. Penso que inspirar as pessoas a não desistirem sempre vai estar no meu dia a dia, seja na atuação como médica ou no meu trabalho das redes sociais.

E, no meu perfil, houve um crescimento espontâneo em meados de 2016 para 2017 e algumas marcas começaram a me procurar para realizar parcerias – algumas pagas, outras na base da permuta.

No início das minhas redes sociais, eu não tinha como objetivo fazer dinheiro – na verdade, eu nem imaginava que isso seria possível. Então, uma coisa que eu nunca abri mão, independente de propostas que eram feitas, é falar o que eu penso, da maneira que eu quero falar e nunca passar por cima dos meus valores – meus valores não tem número de seguidor ou remuneração que me faça abrir mão deles. E, foi pensando nisso que eu sempre preferi um crescimento lento e consistente do que simplesmente um dia “viralizar” e acordar com milhares de seguidores, sem ter ali uma base que acredita em mim e que enxergam um propósito em me seguir.

Qualquer pessoa que tenha um alcance nas redes sociais deve pensar como aquela mensagem vai chegar no seu ouvinte – não importa se você tem 1 ou 1 milhão de seguidores – quem absorve o seu conteúdo tem que saber do que se trata e que seja um conteúdo genuíno e que não prejudique as pessoas.