O 7º Fórum Marketing de Influência, promovido pelo CECOM, foi marcado por conversas sobre representatividade entre os influenciadores e como as marcas podem se tornar mais inclusivas.

Pamela Nascimento, criadora de conteúdo de 32 anos, que fala sobre beleza e estilo de vida, bateu um papo com PH Côrtes, influencer de 18 anos, que começou na internet com apenas 13, falando sobre Heróis Negros Brasileiros. Eles lembraram que, apesar da questão racial ser importante em debates, os influenciadores negros não devem ser reduzidos a isso.

“Nós não falamos só de racismo. As marcas têm que entender que somos influenciadores e consumidores. E a gente quer criar para outros consumidores também”, afirma Pâmela Nascimento. “Comecei falando sobre meu cabelo crespo e quando vi que estava me tornando uma referência para outras mulheres da minha comunidade, entendi a importância da representatividade”.

PH Côrtes lembra a pluralidade dos creators negros. “É preciso lembrar que o racismo está em todas as coisas e que falar disso também tira muito da nossa energia. Acham que precisamos nos posicionar sobre toda e qualquer questão racial, mas queremos também falar de outros assuntos”, pondera.

“Como mulher preta, é impossível me desvencilhar do tema. Meu cabelo é político, minha presença é política, mas precisamos ser vistos, consumidos e considerados pelas marcas além dessa questão”, reforça a influenciadora.

Outra comunidade que busca maior representatividade na internet – e fora dela – são as pessoas com deficiência. Alex Duarte, criador do projeto Cromossomo 21 e Tathi Piancastelli, influenciadora digital com síndrome de Down conversaram sobre a importância da existência de influencers com deficiência. Para Duarte, a sociedade capacitista, ou seja, que marginaliza ou ignora pessoas com deficiências, impede que essas pessoas se tornem referências como qualquer outra.

“Quando criei o projeto, pensei em conseguir incluir pessoas com deficiência em todo tipo de evento para que a sociedade quebrasse esse padrão de não reconhecê-las e lembrar que, assim como todos nós, que somos privilegiados, também têm seus projetos, histórias de vida e capacidade de servir como modelos para os demais”, explicou.

Tathi atua como atriz, ativista, influenciadora que tem como objetivo trazer à tona as discussões sobre inclusão. Ela criou o projeto “Oi, eu estou aqui” para garantir a discussão sobre visibilidade. “É importante poder falar sobre síndrome de down e que podemos também falar de qualquer coisa. Minha vida, experiências e mais”, afirma.

A influenciadora com mais de 30 mil seguidores se tornou palestrante na ONU, escreveu uma peça, na qual também atua, e virou até personagem da Turma da Mônica, representando as pessoas com síndrome de Down e trabalhando para quebrar tabus sobre o tema.. “Eu falo em ‘estourar a bolha’. Por isso faço lives express e pergunto para as pessoas o que as faz estourar a bolha delas e conhecer quem é como eu”, explica.