O coronavírus veio para virar nossas vidas de cabeça para baixo e nos fazer rever qualquer plano que havíamos traçado para 2020. E, curiosamente, o comportamento das pessoas durante a pandemia também foi mudando conforme o isolamento social foi se prolongando. No início, houve uma busca desenfreada por informações sobre o avanço da doença e número de óbitos. Mas conforme o tempo foi passando – a situação foi se tornando mais crítica e a quarentena virou o ‘novo normal’ – as pessoas passaram a procurar conteúdos leves e divertidos, a fim de fugir do hardnews duro e espairecer, mantendo a saúde mental em dia.

TikTok

E é nesse contexto que as redes sociais entram em jogo. O TikTok, por exemplo, já vinha crescendo exponencialmente, mas apresentou um grande boom de novos usuários devido à chegada do coronavírus. A plataforma bateu a marca de 1 bilhão de instalações, com 115 milhões de novos usuários apenas no primeiro mês de quarentena. Além disso, as buscas pelo TikTok cresceram 66% em todo o mundo, e no Brasil o interesse pela rede social triplicou.

Eu mesma sou um exemplo disso. Passei boas horas da minha quarentena assistindo a tutoriais de como fazer vídeos legais para virar uma tiktoker de respeito. E pude viver na prática aquilo que todo mundo já sabe: que a rede social é uma fonte inesgotável de criatividade. Conteúdos instrutivos, leves e divertidos são ingredientes ideais para quem está ‘trancado’ em casa.

YouTube

Outra rede que ganhou nova vida durante a pandemia foi o YouTube. Além de ser uma excelente plataforma de entretenimento e distração nesse cenário caótico, muitos usuários passaram a utilizar a rede para buscar tutoriais para atividades que até então não tinham executado (“como usar uma furadeira”, “os melhores produtos para limpar o vaso sanitário”, “receita de risoto” etc.). Desde meados de março, a expressão “ensino em casa”, por exemplo, teve aumento global de 120% nas visualizações.

O mesmo aconteceu com vídeos que têm em seus títulos as palavras “como fazer” ou “em casa”, com aumento de 50% nas visualizações de um ano para outro. Em uma pesquisa autodeclarada, cerca de 40% do público brasileiro afirmou ter passado mais de 3 horas do dia no YouTube desde o começo do isolamento. Eu tive a oportunidade de vivenciar o crescimento da rede estando do ‘outro lado do balcão’: tenho um canal no YouTube e acompanhei as taxas de visualização dos meus vídeos aumentarem consideravelmente após o início do isolamento social. Um viva aos influenciadores!

Influencers

E por falar em influenciadores, um dos fenômenos mais curiosos que pude observar nessa quarentena é que os criadores de conteúdo passaram a ficar ainda mais ‘próximos’ dos seus fãs e seguidores. Devido à impossibilidade de passear e sair de casa, com viagens canceladas e eventos adiados, a vida dentro do lar passou a ser default para os influenciadores. Alguns deles tiveram que se reinventar, mostrando suas receitas preferidas, seus passatempos caseiros e como tem sido a vida em meio à quarentena. Ou seja: eles estão iguais a nós. Ao retirarem de sua programação de posts as viagens paradisíacas e os eventos descolados, eles se aproximam um pouco mais dos usuários comuns.

Nesse contexto todo, as marcas têm um desafio enorme para se fazer relevantes e necessárias para seus clientes. É um papel que vai muito além da live semanal no YouTube ou Instagram. Em suas grades de conteúdo nas redes sociais, elas precisam trazer leveza e boas energias para o dia a dia dos usuários, que já é tão marcado por informações pesadas sobre a doença. Elas devem resolver problemas dos seus consumidores, trazer soluções para novas necessidades que têm surgido em meio à pandemia. Assim como os influenciadores, as marcas precisam se mostrar próximas das pessoas. E, acima de tudo, se mobilizar em prol de um bem comum. Quer seja pelo TikTok, YouTube, Twitter, Pinterest… O importante é se fazer necessária.

E aí? Como você tem feito uso das redes sociais durante o isolamento social?