Diante do cenário tão peculiar que estamos vivemos, nunca debatemos tanto sobre reinvenção. Talvez todo mundo já tenha ouvido falar sobre o tal “novo normal”. Afinal, a pandemia provocada pelo novo coronavírus trouxe à tona a questão do distanciamento social e, com ele, mudanças profundas na estrutura das relações. Mas, quando pensamos no campo da comunicação, que se sustenta justamente na interação e no diálogo com o outro, esse fenômeno se torna ainda mais evidente. E vai além da ampliação do home office.

Como dialogar com o outro a distância, sem deixar de mantê-lo próximo, conectado com a mensagem que desejamos transmitir? Sim, é possível. Já faz alguns anos que os profissionais de todos os campos do conhecimento vêm explorando todo o potencial do mundo on-line. Esse universo, que deu voz a tanta gente, evidentemente vem ajudando a democratizar o acesso à informação. Mas, talvez agora, em meio a essa situação tão crítica que atravessamos, é que tenhamos percebido o quanto o longe também pode ser sinônimo de próximo. Sem nenhum paradoxo.

Hoje, usamos como nunca ferramentas que encurtam distâncias. E vencemos lacunas que, até então, pareciam intransponíveis. Assim, se um dia falamos sobre bolhas digitais que esfriam relações humanas, agora estamos convictos de que o digital, ao contrário, também pode unir, estreitar laços. Pode aproximar pessoas e instituições que, talvez, nunca se conectassem de outra forma. E otimizar o tempo, inclusive aquele que cada um investe em sua vida pessoal e doméstica. Também estamos falando, portanto, de integração, nas mais diferentes esferas.

Nesse sentido, pensar sistêmico, olhando o todo e buscando soluções integradas, é outro movimento que avança numa velocidade ímpar, sem volta. E integração também pressupõe, sempre, cooperação. Vemos nitidamente esse movimento em diferentes iniciativas da própria imprensa e outras mídias, no combate a um problema atual e crescente, no Brasil e fora dele, que é a questão das fake news. Juntos, veículos de diferentes perfis e grupos, trabalham para encontrar estratégias de levar informação seguras à população. Vivemos, portanto, também uma crise de confiança.

Neste universo desafiador, em que a busca pela verdade, mais do que nunca, se sobressai como protagonista nos diálogos, surge também um momento único e especial para quem atua na comunicação em saúde. Está em pauta, mais do que nunca, a valorização da ciência. Avança, hoje, a credibilidade do saber científico e a certeza de que ele, em um dos episódios mais cruciais da história recente, é quem pode trazer as respostas que tanto esperamos ouvir.

Sairemos mais fortes, mais conectados, mais empáticos, mais cooperativos e mais corajosos para buscar outras formas de ver o mundo. Essas serão algumas das lições que terão de ser aprendidas por todos os profissionais que olham para o mundo pós-covid-19. Sabemos que mudanças não são, necessariamente, confortáveis. Mas estou certa de que grandes desafios também representam oportunidades únicas de crescimento. E de nos desenvolvermos como profissionais, é claro. Mas também de avançarmos enquanto seres humanos e sociedade.