Jornalistas e veículos de notícias independentes são fontes essenciais de informação, especialmente em tempos de crise. No livro “Elementos do Jornalismo”, os autores listam uma série de princípios e práticas essenciais da profissão, incluindo que a primeira obrigação do jornalismo é a verdade. A lealdade é para com os cidadãos, e os praticantes devem manter uma independência daquilo que cobrem.

Neste momento, esses princípios devem repercutir mais do que nunca. A pandemia global nos obrigou a fazer uma pausa e buscar informação de confiança. Seja para saber das orientações do governo local, para se manter informado sobre a situação ao redor do mundo, para acompanhar o posicionamento dos líderes políticos e também a evolução da ciência e da medicina. Confinados em nossas casas e apartamentos, atingimos um volume de consumo de notícias sem precedentes (perto de um pico de tráfego de quase 70% ano sobre ano, segundo dados da Outbrain).

A internet se tornou uma bênção e uma maldição para o jornalismo profissional. O surgimento das fake news prejudicou a reputação da indústria editorial em geral. De acordo com uma pesquisa do Pew Research Center em 2019, cerca de sete em cada dez adultos norte-americanos (68%) disseram que as fake news afetam muito a confiança dos americanos nas instituições governamentais, e aproximadamente a metade (54%) disse que isso está tendo um grande impacto na confiança entre os cidadãos. Também de 2019, a pesquisa do Reuters Institute Digital News Report, mostra que os brasileiros são o povo mais preocupado com o que é real e o que é falso no universo das notícias, e demonstrou uma queda de 11 p.p. na confiança da mídia após um ano difícil e polarizado no universo político.

É por isso que em tempos de crise, como a do COVID-19, fica evidente a importância dos jornalistas e das redações para educar e informar os consumidores sobre o que é fato e o que é ficção.