Edital seleciona projetos de comunicação que ampliem o alcance de ações de enfrentamento às mudanças climáticas

Com valor total de R$ 4 milhões, chamada pública vai analisar propostas que apresentem soluções inovadoras para tornar a agenda do clima mais acessível para públicos diversos

O Instituto Clima e Sociedade (iCS) lançou edital para selecionar projetos de comunicação que ampliem o alcance e compreensão de temas relacionados à mudança climática e à promoção de modelo de desenvolvimento mais inclusivo e resiliente. A chamada pública, no valor total de R$ 4 milhões, vai avaliar propostas capazes de desenvolver, testar e implementar soluções inovadoras de comunicação, distribuição de conteúdo e engajamento social de conhecimentos, evidências e experiências já produzidos pelas organizações apoiadas pelo iCS.

Serão selecionadas aproximadamente 10 propostas, que receberão, cada uma, de R$ 200 mil a R$ 500 mil para sua execução em um período de um ano. O prazo final de inscrição da primeira etapa é dia 31 de agosto, às 16h. De acordo com o edital Comunicação para Ação Climática no Brasil, lançado em 03/08, a expectativa é que os projetos atuem como plataformas de comunicação e engajamento voltadas ao fortalecimento do impacto coletivo de diferentes organizações dedicadas à causa do clima. Dessa forma, contribuirão para que evidências qualificadas, soluções já desenvolvidas e agendas estratégicas alcancem novos públicos, influenciem o debate na sociedade e apoiem a implementação das prioridades climáticas do país.

Clique aqui para acessar o edital

A chamada pública ressalta que os projetos devem se concentrar nos mecanismos de disseminação, mobilização e engajamento e não na definição das agendas temáticas, que seguirão sendo construídas pelo Instituto Clima e Sociedade em parceria com as organizações apoiadas. A intenção é que o fortalecimento da comunicação ajude a transformar o conhecimento que a sociedade brasileira tem sobre a gravidade das mudanças climáticas em maior engajamento e ação concreta. Assim, o edital vai selecionar iniciativas que explorem diferentes maneiras de conectar a agenda climática à vida cotidiana, aos territórios e às prioridades sociais e econômicas da população.

“Em um ambiente digital dominado por plataformas, algoritmos opacos e sistemas de inteligência artificial, ampliar o alcance de conteúdos qualificados exige estratégias e infraestruturas de comunicação capazes de superar barreiras de distribuição, alcançar novos públicos e transformar informação em engajamento e ação. E é isso que pretendemos com nosso edital”, afirmou Tatiana Lobão, gerente de Engajamento, Agentes de Mudança e Governança Climática do iCS.

Propostas devem converter informação em mobilização

Podem se inscrever organizações da sociedade civil com CNPJ ativo; coletivos, redes e movimentos sociais sem CNPJ, mediante indicação de uma organização financeira responsável pela gestão dos recursos; e empresas e consultorias com CNPJ ativo. Será necessário que os interessados, além de estarem constituídos há no mínimo três anos, demonstrem experiência mínima de três anos em comunicação climática, socioambiental ou temas relacionados.

“Acreditamos que enfrentar a crise climática também exige inovar na forma de comunicar. Queremos apoiar iniciativas que experimentem novos formatos e estratégias para fortalecer mensagens, traduzindo a riqueza de talentos, repertórios e formas de comunicação que existem no Brasil em iniciativas capazes de gerar impacto real, aproximar novos públicos da agenda climática e estimular a ação”, disse Tatiana Lobão.

Abordagens criativas e uso de tecnologias como inteligência artificial são alguns aspectos que serão avaliados. As propostas, segundo o edital, devem ter como características principais atuar na conversão de informação em mobilização, prática e transformação; investir na inovação de linguagens, formatos, tecnologias e estratégias de amplificação; considerar a diversidade de públicos e territórios; incorporar monitoramento e avaliação; e contribuir para o fortalecimento do trabalho das organizações.

A seleção vai valorizar também projetos que tragam formatos pouco explorados como  stand-up comedy, podcasts de entretenimento, jogos, experiências imersivas, intervenções urbanas ou produções culturais. Referências como festas populares, manifestações culturais, música, esporte ou gastronomia podem ser usadas.

O edital cita ainda exemplos de iniciativas que pretendem apoiar. São propostas que aproximem a agenda climática do cotidiano das pessoas, em temas como alimentação, saúde, mobilidade, moradia, trabalho e custo de vida; tornem mais compreensíveis políticas públicas e ações climáticas em estados e municípios; comuniquem oportunidades associadas à transição energética, como geração de empregos, desenvolvimento econômico e inovação; deem visibilidade a soluções e experiências lideradas por comunidades, territórios periféricos, povos indígenas, quilombolas e comunidades tradicionais, entre outras.

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