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Os 175 anos do New York Times

Jornal demonstra que jornalismo de qualidade é o diferencial para atrair leitores e anunciantes e ser sustentável na era tecnológica

No dia 18 de setembro de 1851, uma pequena equipe de tipógrafos e editores preparava, sob a luz de velas, a primeira edição do que viria a ser o veículo conhecido como o “jornal de registro” dos Estados Unidos. Fundada originalmente por Henry Jarvis Raymond e George Jones sob o nome de New-York Daily Times (hoje News York Times), a publicação nascia com a promessa de cobrir “todos os assuntos de importância pública”. Cento e setenta e cinco anos depois, o veículo cruzou gerações consolidado como uma das maiores e mais influentes instituições de mídia do planeta.

A trajetória do jornal confunde-se com a própria história contemporânea. Em suas páginas e arquivos de mais de 15 milhões de reportagens, o mundo leu em primeira mão sobre o naufrágio do Titanic em 1912, o fim da Segunda Guerra Mundial em 1945 e a chegada do homem à Lua em 1969. Sob o lema “All the News That’s Fit to Print” (“Todas as notícias que merecem ser impressas”), cunhado por Adolph Ochs em 1896, a instituição construiu sua reputação baseada na busca obstinada pelos fatos e na cobertura direta de grandes acontecimentos.

O jubileu histórico foi marcado por celebrações emblemáticas, iniciando-se na tradicional virada de ano na Times Square — uma tradição que o próprio jornal ajudou a criar em 1904 — e culminando com a liderança da empresa tocando o sino de abertura na Bolsa de Valores de Nova York (NYSE). O marco também é acompanhado de uma série editorial especial de três meses que resgata os furos históricos, as grandes coberturas fotográficas e, de forma transparente, os erros e pontos cegos cometidos ao longo de quase dois séculos.

Atualmente, comandado pelo publisher A.G. Sulzberger, o jornal não apenas sobreviveu à crise da mídia impressa, mas converteu-se em um gigante digital. Com a maior redação de sua história e uma base robusta que supera a marca de 13 milhões de assinantes, o jornal prova que o investimento contínuo em reportagens originais e apuração rigorosa continua sendo o seu ativo mais valioso e um pilar insubstituível para a sociedade.

Segundo A.G. Sulzberger, a publicação “os repórteres são essenciais para saber a verdade, capacitar o público e cobrar autoridades”. Ele adverte que o enfraquecimento da imprensa livre ameaça outras liberdades e ressalta que a integridade da democracia e dos mercados depende da transparência da imprensa, alertando sobre a diminuição de jornalistas na reportagem original.

Meredith Kopit Levien (Presidente e CEO da The New York Times Company) afirma que “o mundo precisa de ótimo jornalismo apoiado por um modelo de negócios sustentável, criando um produto indispensável na rotina diária das pessoas”.

A partir desta semana até meados de dezembro, dezenas de escritores contribuirão com cerca de 50 reportagens explorando os triunfos e as falhas do The Times. Uma edição especial da revista The New York Times Magazine está planejada, assim como uma seção comemorativa do jornal. Todo o conteúdo estará disponível gratuitamente online.

 

Números:

  • Total de assinantes: 13,1 milhões (após adicionar 310 mil novos inscritos no início de 2026).

  • Receita total: US$ 712,2 milhões no 1º trimestre de 2026, um aumento de 12% em relação ao mesmo período do ano anterior.

  • Lucro operacional ajustado: US$ 117,9 milhões, alta de 27,2%.

  • Assinaturas digitais: Receita de US$ 389 milhões (alta de 16,1%).

  • Assinaturas impressas: Receita de US$ 127,8 milhões (queda de 1,1%), com cerca de 560 mil assinantes físicos

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