“A credibilidade do jornalismo do Grupo Band é inegociável”, diz Marco Antonio Sabino

Diretor-geral da BandNews TV fala sobre a nova fase do canal, os 25 anos da emissora, e a relação entre jornalismo, reputação e resultado comercial

A BandNews TV chega aos 25 anos em uma nova fase editorial, tecnológica e estratégica. Em 23 de julho de 2026, o canal estreou uma programação renovada, apresentou um estúdio de última geração e reforçou sua aposta em análise, bastidores, cobertura ao vivo e presença multiplataforma.

À frente dessa etapa está Marco Antonio Sabino, diretor-geral da BandNews TV. Jornalista com trajetória em diferentes veículos, Sabino atuou como apresentador, comentarista, executivo, dirigente de operações jornalísticas e também passou pelo campo da comunicação corporativa e das relações públicas. Essa experiência múltipla aparece como um dos pontos centrais de sua gestão: ele afirma ter vivido o mercado pelo lado do jornalista, do cliente, do anunciante e do governo.

Na entrevista a seguir, Sabino fala sobre a construção da nova BandNews TV, a defesa de um jornalismo de equilíbrio, a importância da apuração, o papel dos comentaristas, a disputa pela atenção do público e a adaptação da linguagem aos novos hábitos de consumo de notícias. Para ele, a mudança em curso envolve linguagem, modelo de negócio e posicionamento editorial.

O executivo também trata da relação entre jornalismo, reputação e comunicação corporativa. Para Sabino, empresas têm interesses legítimos na agenda pública, mas cabe ao jornalismo validar, tensionar ou questionar reputações por meio de investigação, bom senso e trabalho minucioso.

A conversa aborda ainda o desempenho comercial da BandNews TV. Sabino afirma que audiência, influência, qualidade editorial, reputação e resultado comercial precisam caminhar juntos. Em sua visão, lucro e bom jornalismo não são incompatíveis. Pelo contrário: marcas buscam associar sua imagem a veículos com credibilidade.

Em um cenário de excesso de informação, polarização, desinformação e crise de confiança, Sabino sustenta que o diferencial do jornalismo profissional está na capacidade de contextualizar, interpretar, checar e entregar conteúdo com precisão. Sua defesa é direta: a credibilidade do jornalismo do Grupo Band é inegociável.

 
O senhor assume a direção-geral da BandNews TVem um momento de transição do canal. Qual é a principal mudança que pretende imprimir na linha editorial e na relação da emissora com o público?

Quanto à linha editorial, o jornalismo da Band tem uma posição muito clara de equilíbrio e isso não muda. Além disso, os comentaristas terão total liberdade, dando pluralidade à nossa cobertura.

No que diz respeito à relação com o nosso público assinante, seremos ainda mais ativos nas redes sociais e no nosso portal, onde os números já são expressivos.

A BandNews TV ocupa um espaço importante no jornalismo em tempo real. Em um ambiente de excesso de informação, qual deve ser o diferencial de um canal de notícias para não virar apenas mais uma tela ligada?

Muitas vezes não basta apenas dar a notícia. É preciso também contextualizá-la, interpretá-la. Com nossos colunistas, entrevistados altamente qualificados naquele assunto e o apoio de nossos âncoras, poderemos fazer uma entrega de conteúdo qualificado.  

O jornalismo vive uma crise de atenção e, ao mesmo tempo, uma crise de confiança. Como equilibrar velocidade, profundidade e credibilidade em uma operação diária de notícias?

Com bons profissionais e tecnologia. São os dois principais investimentos que estamos fazendo.  

O senhor já atuou como apresentador, comentarista, executivo e também na comunicação corporativa. Como essa trajetória múltipla influencia sua forma de liderar uma redação?

A redação continuará sendo dirigida por Rosângela Lara, que tem feito um excepcional trabalho. Minha função será dar a estrutura para que ela e os nossos profissionais possam entregar um conteúdo cada vez mais qualificado. Além disso, terei responsabilidades comerciais, na área artística, programação, financeira e institucional.  

João Saad, presidente do Grupo Bandeirantes, com Geraldo Alckmin, vice-presidente da República; Tarcísio de Freitas, governador do estado de São Paulo; Frederico de Siqueira Filho, ministro das Comunicações; Sidônio Cardoso Palmeira, ministro-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República; e Ricardo Nunes, prefeito de São Paulo.
Crédito: Renato Pizzutto/Band.
O que muda quando um jornalista deixa a posição de comentarista ou apresentador e passa a responder por conteúdo, programação, projetos especiais e relações institucionais?

Somando minhas duas passagens, já tenho 12 anos de Grupo Bandeirantes. Conheço bem a casa e os caminhos para poder ajudar nosso time. Na década de 90, liderei o jornalismo da Rádio Bandeirantes e depois do Canal 21, talvez a primeira emissora all news, com a cobertura totalmente focada em São Paulo. Depois estive à frente de 7 agências nacionais e internacionais de comunicação e, finalmente, tive a experiência de quase 3 anos como secretário de comunicação da maior cidade da América do Sul. Tive a visão do lado do jornalista, do cliente, do anunciante e do governo. Entendo que isso me traz uma visão completa do mercado e das necessidades a serem enfrentadas.  

A televisão de notícias precisa conversar com públicos que já não consomem informação de forma linear. Como a BandNews TV deve se posicionar diante dessa mudança de hábito?

Eu tenho dito para a nossa equipe que estamos relançando vários canais ao mesmo tempo: na Tv, nas redes sociais, no nosso portal etc. Estamos atentos a essas mudanças de hábito e nosso jornalismo terá a linguagem necessária para atingir os diferentes públicos, nos diferentes meios.  

Que papel a curadoria editorial passa a ter quando o público recebe notícias por redes sociais, alertas, vídeos curtos, podcasts, newsletters e canais de mensagem?

Aí está a diferença do bom jornalismo profissional. Há uma série de filtros para evitar erros e uma exigência de qualidade superior. Prefiro dar a notícia alguns segundos depois, mas muito mais precisa do que meus concorrentes. Além disso, imediatamente vamos ajudar nossa audiência, seja lá em qual device ela esteja conectada, a entender melhor o que estamos divulgando.  

O jornalismo opinativo ganhou força nos últimos anos, mas também ampliou riscos de polarização e perda de precisão. Como separar análise qualificada de militância disfarçada de opinião?

Com gente qualificada. Estou muito orgulhoso do time de comentaristas que montamos. São profissionais experientes, sólidos em suas análises, seniores e que vão provocar nossa audiência a pensar e se posicionar.   

Em sua visão, quais são hoje os principais vícios do jornalismo brasileiro que precisam ser enfrentados pelas lideranças das redações?

Fico muito irritado quando vejo uma notícia divulgada por outro veículo de comunicação ser reproduzida sem nenhuma apuração complementar. Infelizmente isso é muito comum na imprensa brasileira, especialmente em rádio e televisão. Valorizo muito os profissionais talhados a opinar com propriedade. Mas valorizo demais também os repórteres, mesmo que exerçam o papel de colunista, âncora ou comentarista, Valorizamos os profissionais  que realmente apuram e trazem informações diferenciadas. Todos sabem que criei um bordão para definir isso: olhar de repórter. Todo jornalista tem que ser repórter.  

O senhor fala em assumir a BandNews TV em um momento de transição. Transição em que sentido: de linguagem, de modelo de negócio, de audiência, de cultura interna ou de posicionamento editorial?

De tudo! É uma NOVA BANDNEWS TV. Estamos completando 25 anos. A linguagem mudou, o modelo de negócio está mudando – e rápido – e nosso posicionamento editorial precisa ficar mais claro.

Placa comemorativa da nova era da Band News
Como formar e liderar equipes jornalísticas em uma época na qual a pressão por audiência convive com ataques à imprensa, desinformação e desgaste da relação entre público e veículos?

Só enfrenta esse tipo de problema quem não faz jornalismo sério. Na Band, somos conhecidos pela excelência do nosso jornalismo. Talvez seja a maior marca da casa atualmente. Não por coincidência, nosso principal produto na TV aberta é o Jornal da Band. Nossa credibilidade, qualidade e precisão no jornalismo fazem da emissora um porto seguro da boa informação para nossa audiência.  

Que tipo de jornalista ganha relevância nesse novo ciclo: o especialista, o repórter generalista, o analista multiplataforma, o apresentador com autoridade ou uma combinação desses perfis?

Uma combinação desses perfis e muitos outros: o produtor rápido e eficiente, o editor meticuloso, as chefias exigentes, os apuradores incansáveis e tantos outros que temos no nosso time. Também estarão no ar os especialistas realmente qualificados para falar sobre um determinado assunto, os repórteres especializados com fontes e acesso, os analistas de linguagem acessível, que expliquem e contextualizar, e os apresentadores com iniciativa, autoridade e experiência.  

O senhor também passou por agências de comunicação corporativa e relações públicas. O que essa experiência ensinou sobre a forma como as empresas tentam influenciar a agenda pública?

Não há nenhum mal nisso. Os interesses das empresas são legítimos e, muitas vezes, dizem respeito também aos trabalhadores e à sociedade de uma forma geral. A imprensa é o meio onde esses interesses – coincidentes ou antagônicos – são discutidos. Damos luz a esse debate e o promovemos, como forma de mobilizar a sociedade sobre assuntos que influenciam a sua vida.  

A convivência com o universo de PR muda a percepção sobre a relação entre jornalistas, fontes, assessorias e marcas? Onde essa relação funciona melhor e onde ela ainda falha?

Essa relação amadureceu muito. Bobo é o jornalista que não ouve o que os assessores têm a dizer. O bom assessor também acumula credibilidade no que fala durante sua carreira. Ele tem responsabilidade pelo que divulga. E os jornalistas, que recebem essas informações, devem usá-las apenas como o início de uma apuração mais detalhada. Quando um assessor divulga informação falsa, sem comprovação, ou sem relevância jornalística, se afasta das redações. Por sua vez, o jornalista que, em sua soberba, não quer ouvir o que os assessores têm a dizer, vai morrer na praia.  

Como um veículo jornalístico deve lidar com marcas, empresas e instituições em um contexto no qual reputação, crise e narrativa pública se tornaram temas permanentes?

Muito objetivamente: praticando o bom jornalismo. Construir reputação é o objetivo principal das marcas e empresas. Ao jornalista, com trabalho minucioso, investigação e bom senso, cabe validar essa reputação, ou, se for o caso, destruí-la.  

Em situações de crise, muitas organizações tentam controlar a mensagem. O jornalismo, por outro lado, precisa buscar o que está além da versão oficial. Como o senhor enxerga essa tensão?

A situação descrita acima é uma ótima definição do que é o jornalismo.  

A comunicação corporativa se profissionalizou muito, mas também produz discursos cada vez mais polidos. O jornalista precisa desenvolver novas habilidades para atravessar essa camada institucional?

Sim, mas isso não é uma novidade. O bom jornalista é um repórter incansável; bem preparado intelectualmente, bem formado, ele tem diversas ferramentas ao seu dispor para confirmar ou desmentir versões oficiais oferecidas por empresas ou governos. Mas, por favor, sem ativismo político!  

O que o jornalismo pode aprender com a comunicação corporativa sem perder independência, senso crítico e compromisso público?

A ter ainda mais responsabilidade na divulgação de informações. O megainvestidor Warren Buffet costuma dizer que leva anos para construir uma reputação e minutos para destruí-la.   

Como o senhor pretende medir sucesso na BandNews TV: audiência, relevância, influência, qualidade editorial, reputação, capacidade de formar agenda ou uma combinação desses indicadores?

Todos os listados acima e ainda, o resultado comercial. Afinal somos uma empresa. E empresa precisa dar lucro. Isso não é incompatível com a prática do bom jornalismo. Pelo contrário. O anunciante quer vincular sua marca a quem tem credibilidade.  

Como a BandNews TV pretende fortalecer seu desempenho comercial sem comprometer independência editorial, credibilidade jornalística e a confiança construída com a audiência?

O maior patrimônio do jornalismo do Grupo Band é sua credibilidade. Isso é inegociável.  

Em um mercado no qual marcas buscam ambientes seguros, confiáveis e com capacidade de influência, que tipo de valor a BandNews TV pode entregar a anunciantes e parceiros além da audiência tradicional?

A audiência qualificada, que pensa, que se informa para influenciar, que decide. Essa é a nossa audiência, com a marca do Grupo Bandeirantes.  

Ao olhar para sua carreira, da atuação em veículos à comunicação corporativa e agora à direção-geral da BandNews TV, que convicção sobre jornalismo ficou mais forte e que certeza o senhor teve de abandonar?

Com o passar dos anos, percebi que a experiência dos cabelos brancos, com a energia dos mais jovens, cria um ambiente ideal para se exercer o bom jornalismo. Na BANDNEWS TV quero ter os dois, mas principalmente um time sênior, que tenha segurança no que fala e divulga. 

Conteúdo RelacionadoArtigos

Próximo Artigo

Portal da Comunicação

FAÇA LOGIN ABAIXO

Recupere sua Senha

Por favor, insira seu usuário ou email