Segundo uma pesquisa realizada pela HeartBit, agência especializada em marketing de influência e estratégia de dados, o setor creator economy já movimenta cerca de US$ 250 bilhões globalmente. E tem previsão de atingir entre US$ 480 bilhões e US$ 525 bilhões até 2030, com crescimento anual entre 10% e 20%. O Brasil movimentou R$ 393,3 bilhões, alcançou 3,59% do PIB e registrou mais de 7,7 milhões de trabalhadores no segmento em anos recentes. Trata-se de um ecossistema digital em que produtores de conteúdo, influenciadores e especialistas utilizam plataformas online para construir audiência, gerar valor e monetizar seus trabalhos diretamente, sem depender de intermediários como editoras ou grandes estúdios.
O Brasil começa a se organizar institucionalmente para desenvolver essa área com diversas iniciativas governamentais, educacionais e profissionais. A creator economy é reconhecida como profissão no Brasil pela Lei nº 15.325/2026, que regulamenta a atividade sob a denominação de profissional multimídia. Sancionada em janeiro de 2026, a norma dá amparo legal a criadores de conteúdo e influenciadores digitais.
Os cursos voltados especificamente para a creator economy começaram a surgir no Brasil de forma estruturada no final de 2023 e se expandiram em 2024 e 2025, impulsionados pela profissionalização do mercado de influência digital. A primeira graduação dedicada (final de 2023 / 2024) foi lançada pela FAAP no final de 2023, sendo o primeiro curso superior de graduação voltado a formar criadores e profissionais da área (com foco em criação e produção de conteúdo para novas mídias).

Escolas de negócios, comunicação e marketing digital passaram a incluir módulos, extensões e eventos focados em marketing de influência e gestão de criadores de conteúdo. O mais novo começa este ano como curso livre para alunos da Faculdade Cásper Líbero. Será ministrado pela especialista em marketing Patrícia Ribeiro, um dos principais nomes do setor, e que está estruturando a Associação Brasileira de Creator Economy (Creo), entidade que preside.
“Tenho certeza de que esse contato com essa nova geração, que já é bastante vivida no digital e cheia de habilidades, mas que precisa canalizar tudo isso para tornar algo profissional, vai gerar projetos extraordinários”, comenta a docente. Para Patrícia, participar desse processo de aperfeiçoamento do setor permite que novos caminhos sejam trilhados por pessoas cada vez mais capacitadas. “É um universo que cresceu e se desenvolveu vertiginosamente desde 2020″. E defende a necessidade da formação em marketing e neurociência.
Patrícia afirma que o marketing tem mudado nos últimos anos, principalmente devido ao crescimento da tecnologia. “O comportamento do consumidor está mudando na era digital”, defende. “Uma era em que o consumidor não toma mais a sua decisão de compra só por necessidade, porque ele tem muitas opções por conta da internet. Então, ele compra por identificação de marca. O fenômeno internet criou esse novo mercado, essa nova forma de consumir. A era digital trouxe o trabalho dos produtores de conteúdo e influenciadores. Destes, 98% não sobrevivem da publicidade, segundo ela”.
“Quando a gente fala creator economy, eu não falo apenas do criador de conteúdo”, continua. “Eu costumo dizer que é uma economia criadora e não dos criadores. E aí que a gente desmistifica o assunto e separa o que é marketing de influência e o que é creator economy. Porque, quando a gente fala de creator economy, a gente está falando de criar ativos, de olhar para o creator como um ativo, e não somente de olhar para ele como uma extensão da publicidade”.








