Encontrar seu público e humanizar conteúdo: esse é o desafio

Saber com exatidão para quem está dirigindo as mensagens é imprescindível para os influenciadores, alertam os especialistas

A popularidade dos influenciadores digitais continuam aumentando no país. Segundo pesquisa da Nielsen Media Research, no Brasil há mais de 500 mil influenciadores, com no mínimo 10 seguidores. O número é tão expressivo que supera o de dentistas cadastrados no Conselho Federal de Odontologia (CFO), 374 mil, ou de arquitetos, 212 mil. A pesquisa mostra também que o Brasil é o segundo país que mais segue influenciadores, 44,3% dos entrevistados relataram que são impactados pelos conteúdos de algum creator. 

Ao contrário do que os criadores pensaram no início, ser influenciador não significa postar vários conteúdos para alcançar todos os tipos de público. Pelo contrário, para conquistar a audiência é preciso construir uma estratégia que funcione e encontrar seu público para fazer sucesso na profissão.

A importância do criador de conteúdo encontrar seu nicho foi tema do painel: “Social Search: o conteúdo que resolve” no 12º Fórum sobre Marketing de Influência, realizado dia 25 de março, com a participação de Rogério Enachev, criador de conteúdo do canal Louco Por Viagens e Izadora Barros, CEO da SOMOS COMMU.

Rogério Enachev

De acordo com Rogério, que começou na carreira há 12 anos, no momento a prioridade para um influenciador e youtuber de sucesso é encontrar seu público, sem pensar em números: “Peguei várias fases do YouTube. Quando dava, dinheiro, quando visualização era importante, mas não é essa a questão. E sim, qual o nicho que estou trabalhando”. Para o influenciador, quando o creator nicha o público, mais espaço e interesse será gerado na audiência, apesar de enfatizar que a competição ainda é grande.

 

Izadora Barros

Izadora, complementa afirmando que ainda há espaço para o surgimento de vários criadores de conteúdo, mas é preciso apostar na autenticidade e nutrir a comunidade que acompanha, pela identificação do conteúdo apresentado”. A autenticidade é a chave, porque é por ela que vai gerar identificação e atrair o público”. A especialista lembra também que no momento atual os usuários não se interessam pelo número de seguidores [nem as marcas], mas se estão identificados com o criador e sentir verdade no conteúdo: “Quando entende a necessidade e produz um conteúdo que condiz com a audiência, cria-se uma relação de confiança, assim se constrói um relacionamento, que é um diferencial na criação de conteúdo”.

É preciso criar conteúdo humanizado 

Uma das preocupações atuais de quem produz conteúdo é não parecer forçado e criar identificação com os usuários. A pessoa do outro lado da tela espera se identificar com o influenciador que transmite o conteúdo. Para cativar a audiência, os criadores têm apostado cada vez mais em conteúdos humanizados.

O objetivo do conteúdo é conectar interesses e emoções com o objetivo de criar uma relação de confiança com o público. O conteúdo humanizado é baseado na conversa do criador com seu público. Este precisa entender o que precisa saber e o que agrega em sua vida. 

Para debater o assunto Samuel Gomes, escritor e consultor de Diversidade; Denise Coutinho, diretora de marketing Brasil da Natura e Iasmim Marques, sócia diretora da Agência We MKT 360, participaram do painel: “Caindo na real – A era das pessoas verdadeiras que geram conexão (e negócios)”, também no 12º Fórum sobre Marketing de Influência

Samuel Gomes

Samuel lembra que antes das redes sociais, os meios de comunicação tinham uma fórmula e transmitiam conteúdos que não falavam com as minorias: “O que aparecia na mídia não contemplava a mim, a minha família, por nós sermos pretos, periféricos, por termos vivências completamente diferente, e até quando aparecia pessoas LGBTQIA+ na TV eu não me identificava”, lembra o publicitário. Para ele, a internet deu liberdade para que as vozes das minorias fossem ouvidas e pautadas através da verdade, que só se constrói com vivências.

O influenciador salienta que até pouco tempo muitos influenciadores tentavam mostrar “uma vida perfeita”, mas nos últimos anos têm surgido um movimento online que exige que os criadores mostrem conteúdos reais e não pessoas pasteurizadas. “Estamos em um momento na Internet de muita transformação, mas principalmente, o momento da realidade”, afirma.

Iasmim Marques

Iasmin concorda e ressalta que a permanência dos seguidores nas redes está muitas vezes congestionada em aceitar e mostrar conteúdos que transmitem verdade. “Se não tiver ali mostrando sua realidade, a audiência não irá ficar. A rede social mudou a configuração, deixou de ser um lugar muito aspiracional para ser um lugar de realidades”.

Ela completa: “Se os maiores influenciadoras do país, trazem conteúdos de realidade, mostrando os problemas do seu cotidiano. Eu como empreendedora penso: “Se até a Boca Rosa tem dia que está para baixo, por que eu não posso?”, questiona.

Denise Coutinho

Trabalhando na Natura há mais de 25 anos, Denise Coutinho lembra que passou por diversas fases do marketing no País.  Mas, acredita que, agora, com as redes sociais, vive seu melhor momento porque é possível a participação da diversidade. Ela ressalta que a empresa sempre investiu na diversidade em suas campanhas e agora não é diferente, apenas conta com a ajuda de influenciadores que tem causas reais para serem o rosto das campanhas. É um papel de mão dupla da empresa; buscar vocalizar temas para a sociedade e ter os influenciadores conosco ajuda, porque pega pessoas conectadas com causas e são pessoas reais”, pontua Denise.

 

Ter um própósito

Ingrid, Duda e Will Brito

A pandemia trouxe uma revisão de propósitos da sociedade no geral e isso tem tido impacto direto nas redes sociais: tanto no que se produz e, principalmente, no que se consome. Muitos creators tiveram o feeling de saber se posicionar, agregar e transformar seus conteúdos para acompanhar essa evolução. Não tem sido mais sobre frequência de postagem, mas, sim, sobre qualidade. Esse assunto foi discutido no painel “Quais são suas segundas intenções? Como encontrar propósito e produzir conteúdo de primeira”, com Duda Lopes, sócia da Planin Comunicação; Ingrid Pereira, coordenadora de Branding do Will Bank; e Will Britto, CEO da Agência Carioca Digital.

Os speaker não encontraram uma resposta única para a questão, o que mostra que existem vários caminhos para o sucesso, sem esquecer que existem, sim, princípios básicos a serem seguidos. “Eu sou o tipo de criador de conteúdo que prefere não ir direto a mesmice, das três dicas para…”, sugere Will Brito, que detalha: “Sempre antes de criar um conteúdo eu planejo e penso para quem eu vou falar, como eu vou falar e como eu vou atingir essa pessoa. Eu gosto das dicas, elas funcionam, mas tento fugir do óbvio”. Já Duda e Ingrid gostam desse negócio das dicas.

Ingrid justifica sua posição dizendo que trabalha em um banco digital, setor sujeito a muitos tipos de fraude eletrônicas e sua atuação para seus público é oferecer dicas de segurança, que são importantes. “Eu entendo meu publico, sei o que ele consome e sei como se comunicar com eles, então tenho que fazer essa conexão”.

Duda defende as dicas, entende a posição do Will Brito, sabe que as dicas são um “cola tudo”, com três dicas para isso, sete dicas para aquilo, receita para ser feliz, subir na carreira…. “As dicas são algo democrático. Tenho um pai de 80 anos e uma mãe de 70 e eles estão nas redes sociais. Eles não tem noção de nichos, não saber o por que de estar lá, tecnicamente, mas quando aparecem dicas, alguém conversa com eles. “As dicas são formas de despertar curiosidade”, concorda Will, “Mas tem que sair do óbvio e das mesmice de outros creators”, insiste. E Ingrid complementa lembrando que as dicas, quando surgem, tem que ter uma intenção e um propósito, por parte do creator, como ela já exemplificou na questão dos golpes.

 

Assista ao evento completo por este link

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