#FJRC | O que é realmente relevante para o público da mídia regional?

Jornalistas opinam sobre as novas maneiras de fazer comunicação e a responsabilidade de manter a comunidade consciente de sua importância

O painel que encerrou o Fórum de Jornalismo Regional e Comunitário, no dia 3, deixou muitas reflexões no ar para o público que estava presente no Unibes Cultural. Com o tema “Comunicação com foco no local”, levantou a importância da comunicação por áudio, como nas rádios e nos podcasts e também abordou os benefícios e desafios da transição para a era digital na comunicação.

Destacando a praticidade, economia e alcance dos podcasts, Filomena Salemme deu início ao debate e afirmou que esta é uma ferramenta que pode beneficiar muito os veículos regionais e comunitários. “Este é o ano do podcast. É uma ferramenta capaz de tirar o “local” e levar ao “global”. Por exemplo, imagine um podcast feito em uma cidade do interior que irá juntar histórias locais e levá-las a quebrar barreiras”, afirmou a radialista e professora universitária.

De acordo com Filomena, todos os grandes jornais já conseguiram monetizar os podcasts, que no Brasil estão se tornando cada vez mais populares, embora ainda sejam pouco consumidos em comparação com os EUA, onde nasceram, em 2004. O podcast mais baixado no Brasil é o Nerdcast, com 1 milhão de downloads, enquanto na terra do Tio Sam quem fica na frente é o Serial, com 80 milhões.

“Todos os grandes jornais descobriram o podcast e conseguiram monetiza-lo. É uma ferramenta útil para qualquer jornalista”, acredita. Apesar dos ganhos que um podcast pode garantir, Filomena lembra que se trata de uma aplicação de baixo valor. E custo é um fator importante quando o assunto é o desenvolvimento de conteúdo em áudio para as comunidades.

José Carlos da Rocha, presidente do Fórum Democrático de Rádios Comunitárias, lembra que apenas com um smartphone é possível começar uma webrádio, por exemplo, como é conhecida a rádio comunitária – “um site, uma agência de notícias, tudo é possível, vocês têm à disposição as ferramentas e aplicações dentro deste aparelho”, afirma.

O jornalista afirma que rádios comunitárias sofrem com o sufocamento causado pela sociedade, que quer crescer, mas não se preocupa com os pequenos grupos que formam as comunidades. “A missão da webradio é manter o sentimento comunitário e alargar o seu pensamento para o mundo”, explicou Rocha. De acordo com o jornalista, existem, hoje, cerca de 6 mil rádios comunitárias na Grande SP e há um projeto sendo desenvolvido para que se criem mais 6 mil no próximo ano e meio. “Vocês podem fazer isso, podem começar uma rádio hoje com o celular que está no bolso”, falou para plateia do FJRC.

O que é relevante?

O alcance das ferramentas digitais também foi abordado por Jeferson Martinho, diretor do jornal Visão Oeste de Osasco. “A realidade do mercado de publicidade para jornais gratuitos não fecha e quem ainda não procurou migrar para outro produto ou modelo de negócios, vai ter que fazer isso. E para não fecharmos a nossa publicação, fizemos uma proposta de compra do jornal para transformá-lo numa mídia digital. E a transição que deveria levar de um a dois anos, aconteceu em 3 meses”, conta.

Em abril de 2017, o site tinha 85 mil visitantes únicos por mês, porém, em agosto deste ano, chegou a 2.6 milhões de page views, 1.2 milhão de leitores, o que representa 75% da região atendida pelo veículo. Ana Maria Coluccio, editora do jornal São Paulo Zona Sul, concorda com o pensamento de Martinho, mas traz à tona o outro lado da moeda.

“O Google, por exemplo, é um excelente distribuidor de conteúdo, ele nos ajuda a levar o conteúdo até o público. O lado ruim é que ele depende da nossa produção para isso, ele ganha muito dinheiro com o conteúdo que geramos”, afirma. Mas a jornalista pondera que a questão comercial e a busca por cliques acabam se chocando na prática.

Além do clique

Enquanto um jornal ou outro veículo cria e compartilha seu conteúdo, ele precisa de um patrocínio, mas muitas vezes quem patrocina quer ver apenas conteúdo que esteja de acordo com seus conceitos e ideologias, ou então está em busca de audiência apenas, sem a preocupação com a qualidade da informação que está sendo compartilhada. Essa mudança de paradigma para os jornalistas que trabalham com impresso pode tornar os caminhos de crescimento mais difíceis, mas há estratégias para driblar os desafios.

“Há uma crise de identidade no momento dessa transição (do impresso para o digital). Fomos descobrindo caminhos para transformar um jornal decadente em uma mídia absolutamente relevante. Do impresso pro digital enxuga-se muito, o jornalista ganha um novo perfil e nesse processo a gente vem descobrindo que a relevância é fundamental”, pondera Martinho.

“É possível aproveitar um problema e transformá-lo em oportunidade. É preciso encarar a notícia sob a ótica da prestação de serviço, de que vai causar impacto na vida daquela pessoa daquele município”, completa.

Ana Maria lembra de uma fala do segundo painel sobre a questão do consumo de violência, que garante muita audiência em todos os veículos. E propõe uma solução: “Só o jornalismo comunitário pode ajudar a construir uma nova sociedade. Precisamos passar a formar leitores, ouvintes, espectadores. Vamos ensiná-los a ler outras coisas, vamos fomentar que eles se preocupem com o fortalecimento da comunidade, o que pode inclusive acabar com essa violência que é tão consumida”.

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