O Barometro da Lusofonia, estudo bienal e inédito liderado pelo Ipespe – Instituto de Pesquisas Sociais, Políticas e Econômicas, de acompanhamento e análise dos principais aspectos da Cultura, Sociedade e Instituições dos países de língua portuguesa, identificou em sua primeira edição que as redes sociais e a TV praticamente empatam como meios de consumo de informação nesses países, com 59% e 58%, respectivamente. No entanto, quando somadas a sites, portais e blogs (21%), configura-se um cenário de predominância do digital, com uma fatia de 80% das menções a fontes de informação.
O rádio aparece com 28% das menções, empatado com as interações interpessoais – quando agregadas conversas com amigos, vizinhos e familiares (20%), conversas na Igreja (4%) e conversas na escola ou universidade (4%).

Jornais impressos apresentam, no âmbito geral, alcance mais restrito (11%), com exceção de Portugal, onde o formato atinge 34% de menções. No Brasil, observa-se um ecossistema mais fragmentado e complementar, no qual redes sociais (50%), sites, portais e blogs (44%) e televisão (38%) coexistem com pesos relativamente próximos.
A televisão mantém papel central como principal fonte de informação em Portugal (74%), Cabo Verde (72%), Angola (62%). Em Portugal, esse predomínio convive com níveis elevados de uso de sites, portais e blogs (36%).

O rádio apresenta variação acentuada entre os diferentes contextos nacionais. Embora ocupe a terceira posição como principal fonte de informação na média geral (28%), assume papel estratégico na Guiné-Bissau (58%) e em São Tomé e Príncipe (51%). Os dados sugerem que nos países em que o rádio apresenta maior centralidade, o uso de sites, portais e blogs tende a ser mais limitado, como ocorre na Guiné-Bissau (8%) e em São Tomé e Príncipe (10%).
Padrão inverso é observado no Brasil e em Portugal, onde o rádio tem menor relevância (9% e 25%) e os meios digitais escritos são mais utilizados (44% e 36%, respectivamente).
Na média dos oito países pesquisados, o Facebook é a rede digital mais utilizada (78%), com ampla vantagem sobre o WhatsApp (43%). Na sequência situam-se YouTube (35%) e TikTok (33%), seguido do Instagram (27%). O X (antigo Twitter) apresenta alcance residual, com apenas 3% das menções. A liderança do Facebook é particularmente expressiva em São Tomé e Príncipe (95%), Cabo Verde (93%) e Timor-Leste (91%). No caso timorense, chama atenção também o elevado uso do YouTube, que alcança 85%. Em Portugal, Facebook e Instagram dividem a liderançaem redes sociais, amboscom 66%.
O Brasil é exceção no conjunto analisado, tendo o Facebook em 4º lugar (26%). O Instagram lidera entre os brasileiros (66%), seguido pelo WhatsApp (30%), YouTube (28%). TikTok (13%) e X (11%) ficam nos últimos lugares.
Nas métricas sobre fake news, o Barometro aponta que 64% afirmam já ter recebido notícias falsas. Portugal (83%) e Brasil (80%) lideram esse ranking, seguidos por Angola (71%), Moçambique (71%) e Guiné-Bissau (67%). A referência às fake news é mais baixa em Cabo Verde, São Tomé e Príncipe (ambos com 49%) e Timor-Leste (40%). Esse resultado, entretanto, pode representar não necessariamente uma menor incidência do problema, e sim maior dificuldade de identificá-lo, por uma série de fatores regionais.
Para essa primeira edição do Barometro, foram realizadas 5.688 entrevistas em uma ampla pesquisa simultânea em países de quatro continentes: África (Angola, Cabo Verde, Guiné-Bissau, Moçambique e São Tomé e Príncipe), América do Sul (Brasil), Ásia (Timor-Leste) e Europa (Portugal).

O objetivo do estudo é o fortalecimento da integração entre os países de língua portuguesa, aprofundando a compreensão sobre percepções, valores e expectativas compartilhadas e destacando o papel estratégico do português – que possui cerca de 300 milhões de falantes, constituindo-se como uma das línguas mais faladas do mundo em número de falantes nativos.
“O Barometro revela que as preocupações centrais dos cidadãos da lusofonia estão ligadas à qualidade dos serviços públicos e às condições de inserção econômica. Em um segundo patamar, surgem temas como violência, inflação e acesso a água, energia e saneamento básico”, aponta Antonio Lavareda, diretor geral do Barometro e presidente do Conselho Científico do Ipespe.
Todos os resultados deram origem a um livro — em versões física e digital — e a um ciclo de seminários no Brasil e demais países, além de uma rica base de dados que está disponibilizada a centenas de instituições de ensino e pesquisa, por meio da AULP, que reúne universidades com cursos de língua portuguesa, de Macau às Américas, para que alunos, professores e pesquisadores produzam dissertações, teses, artigos e publicações.
Informações relevantes sobre a importância do Barometro da Lusofonia
- Crescimento: Projeções indicam que, até 2100, teremos mais de 500 milhões de falantes do português, consolidando-o como uma das grandes línguas globais.
- Protagonismo: Há interesse geopolítico e cultural crescente em torno da CPLP em temas como meio ambiente, recursos naturais, diversidade cultural e inovação.
- Produção de dados: Pesquisa e dados científicos são valorizados como base para políticas culturais e sociais.
- Influência global: A lusofonia está cada vez mais reconhecida como ativo estratégico global, cultural, econômico e diplomático.
O Barometro conta com apoio e participação da Comunidade dos países de Língua Portuguesa (CPLP), da Associação das Universidades de Língua Portuguesa (AULP), do Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD), do Ministério da Cultura do Brasil, da Missão Brasileira junto à CPLP, do CC&P, da Fundação Itaú, da Duplimétrica, da FGV Conhecimento, da Federação Lusófona de Ciências da Comunicação (Lusocom), do Instituto Camões de Cooperação da Língua, da Universidade Católica da Guiné-Bissau, da Fundação Joaquim Nabuco, da Universidade Federal de Minas Gerais, da Universidade Federal de Pernambuco, da Universidade Federal do Rio Grande Sul, da Universidade Federal de Santa Maria, da Unitau, da Universidade Católica de Pernambuco, da Universidade Autónoma de Lisboa e da Universidade de Coimbra.
Tenha acesso ao estudo completo no site barometrodalusofonia.com.







