Dá para falar de saúde mental e redes sociais na mesma frase? A pressão em cima dos criadores de conteúdo foi o tema do painel “A insustentável leveza da criação”, durante o 9º Fórum sobre Marketing de Influência. A conversa foi conduzida por Larissa Battistini, Gerente de Comunicação Corporativa da Bayer, e contou com a presença das influenciadoras Niina Secrets e Carol Costa, idealizadora do Minhas Plantas.

influenciadoras discutem saúde mental e redes sociais

“Nesse momento muito complicado que nós estamos vivendo, ficamos nos cobrando muito e pensando em quais conteúdos vamos produzir, que façam sentido com o momento que estamos vivendo e com a nossa audiência”, relata Niina. Para ela, a experiência com mais de 10 anos de criação de conteúdo tem facilitado a pressão por produção de conteúdo, pois o processo já se tornou algo orgânico e natural em seu cotidiano.

“As pessoas começam na internet, produzindo conteúdo, achando que tudo precisa ser perfeito, mas a verdade é que essa perfeição não existe. A internet nos dá essa liberdade de ser cru, ser real, mostrar o dia a dia”, explica Secrets.

Os últimos anos têm sido um momento de descobertas e reflexões para Niina, que aproveitou o período de pandemia para repensar a sua forma de criar conteúdo. “Nesses últimos meses eu estava muito cansada, esgotada, sem ideias, sem saber o que criar e me cobrando muito por isso”, desabafa. A solução foi encontrada quando ela decidiu diminuir a quantidade de vídeos produzidos para o canal, após conversar com a audiência e explicar o que estava sentindo. “Você se sente fracassada, que não está dando conta, mas foi incrível ter essa conversa com a minha audiência, porque muitas pessoas estavam se sentindo do mesmo jeito e me apoiaram. A saúde mental é algo que tem que ser trabalhado todos os dias”, destaca.

Carol Costa sente que está no pico de um processo de esgotamento. Nos 10 anos em que seu site existe, o segundo semestre do ano – com a chegada da primavera e dos meses mais quentes – sempre demandou muito trabalho. “A sensação é que eu estou vivendo em um segundo semestre desde o início de 2020”, destaca a jornalista e criadora do Minhas Plantas.

“Esse compromisso com a minha audiência me tornou, ao mesmo tempo, muito feliz, porque é uma forma de financiar a minha liberdade criativa e isso poder remunerar a mim e a minha equipe, mas também é algo que eu fiz com um comprometimento gigante de entregas, e que descobrimos que requer até mais trabalho do que estava planejado”, relata Carol.

Para ela, a solução também inclui ser sincera com as pessoas que consomem seu conteúdo. “Desde que eu desabafei com a minha audiência e percebi que muita gente está vivendo um momento de sobrecarga parecido, ficou mais fácil eu mesma ter consciência do que está acontecendo comigo, das pessoas poderem falar mais abertamente sobre sua saúde mental e eu não precisar passar a imagem de uma pessoa perfeita”, reforça.

Os planos de Carol para o ano que vem incluem diminuir o volume de entregas dos conteúdos, para que ela consiga ter uma jornada de trabalho de 8 horas por dia, sem precisar focar na produção de conteúdo por até 14 horas diárias, como vinha fazendo até então. “A ideia para o ano que vem é que vamos estar mais conscientes que a saúde mental é fundamental e principalmente de como ignorar as necessidades do seu corpo causa danos graves a sua saúde e ao seu trabalho” alerta a jornalista.

Larissa Battistini, da Bayer, acredita que essa discussão sobre a saúde mental e redes sociais reforça a importância de podermos nos mostrar vulneráveis no mercado de trabalho, nas redes sociais e na vida pessoal. “Precisamos de de fato entender os limites e falar sobre eles de maneira franca, porque as pessoas estão todas se sentindo dessa forma e elas se abraçam e se apoiam nessa causa”, destaca.

Pensando no conteúdo

Além da preocupação com a saúde mental, as participantes do painel reforçaram também que houve uma necessidade de adequar o seu conteúdo de acordo com o aumento do consumo que existiu durante a pandemia e com o público novo que surgiu durante este período.

“Aqui no Minhas Plantas nós trabalhamos com a ideia de educar junto de entreter. Você não vai me ouvir falar por muito tempo sobre assuntos técnicos, e quando aparecem os termos que nós não conseguimos fugir deles, como é o ‘substrato’ no meu caso, nós sempre falamos dando uma explicação logo na sequência e depois voltamos a usar a expressão popular que as pessoas já conhecem”, relata Carol. Para a criadora do Minhas Plantas, só é possível manter o público engajado e acompanhando o trabalho do criador de conteúdo quando ele consegue explicar de maneira simples assuntos que são complexos.

“A internet muda muito rápido, então precisa estar sempre prestando atenção aquilo que sua audiência quer”, explica Niina. Para ela, é importante criar conteúdos que agradem não só o público, mas que o influenciador também goste de fazer e que faça sentido para ele. “Esse período de pandemia foi importante para conseguir refletir e pensar no que faz sentido para mim”, acrescenta a Youtuber.

Para Larissa Battistini, esse desafio também foi enfrentado pela Bayer, principalmente nos conteúdos voltados para o público interno. “Aqui na Bayer nós fomos adaptando muito a nossa linguagem e a produção de conteúdo, com frases curtas, linguagem mais atraente, conteúdos reduzidos e simplificados. Fomos sentindo a exaustão e o cansaço do nosso público, que passou a ficar muito tempo na frente da tela, absorvendo muito conteúdo ao mesmo tempo”, explica a gerente de comunicação.

O aumento do público mais velho, com mais de 60 anos, foi uma das mudanças que Carol Costa observou durante o período da pandemia. Para ela, foi necessário adaptar os conteúdos para um público com pouca proximidade com a tecnologia. “Se você falar ‘link na bio’ para uma pessoa com a minha mãe, que tem 65 anos, você vai ver que essa frase não é algo tão óbvio assim”, destaca.

Saiba mais

Quer conferir todos os debates e conversas do evento? O 9º Fórum sobre Marketing de Influência está disponível na integra no canal da Negócios da Comunicação.

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