O mercado passa por evoluções e revoluções e não é diferente com o surgimento das DNVBs (Digitally Native Vertical Brand). Isto é, marcas digitais nativas que controlam todo o processo. A principal característica das DNVBs é o foco no cliente e na sua experiência.

DNVB impulsiona creators economy

“As DNVBs tem como essência ouvir o consumidor e entregar o conteúdo que aquele público precisa, trazendo uma experiência completa, humanizada e integrada. Atualmente, muitas marcas são DNVBs, mas ainda é preciso conhecer mais sobre o seu potencial e o que isso significa”, explica Donato Ramos, Partner and Ventures Lead na Adventures, primeira Brandtech da América Latina.

No Brasil, as DNVBs possuem um grande potencial e se mostraram práticas de sucesso. Isso porque há uma grande capacidade do mercado e-commerce na América Latina.

“O brasileiro está muito acostumado a viver no celular. Temos mais de 200 milhões de aparelhos, sendo mais de 50% deles smartphones. O mundo online é o universo dos consumidores de agora e tudo está lá, no celular. Além disso, outro ponto que deixa mais claro o potencial do Brasil é que no México e Brasil, por exemplo, a atenção das pessoas está quase que 80% dentro da internet e dos smartphones, mas as marcas tiram pouco proveito disso e investem pouco mais de 40% no online. E isso é uma imensa oportunidade”, aponta Donato.

O mundo mudou, o mercado também

As marcas não exploram a fundo o mundo digital e as suas diversas possibilidades, pois ainda estão presas ao modo antigo de se fazer comércio. Entre as diversas possibilidades que o mundo digital proporciona, está a chance de investir em criadores de conteúdo para alcançar os seus públicos de interesse, visto que tais personalidades exercem um grande poder de compra sob a população. E não é só isso, os creators possuem um canal direto com as suas comunidades e são capazes de colher uma grande quantidade de informaçõesncom pesquisas simples.

No Brasil, o número de pessoas que são influenciadas pelos criadores de conteúdo chega a mais de 40%, de acordo com levantamento feito pela Atlantico. Já nos Estados Unidos, no entanto, a porcentagem fica um pouco acima de 10%. Apesar disso, as marcas investem nos influenciadores, o que demonstra o sucesso de unir o poder de marcas e creators. E no Brasil, essa união não é explorada, ainda que a porcentagem de influência seja maior.

“Observamos que algumas marcas ainda estão muito ligadas à antiga maneira de se fazer comercial. No Brasil, por exemplo, a atenção das pessoas está quase 70% na internet e as empresas investem cerca de 37% no online. Em contrapartida, na TV, a atenção do público é de cerca de 19% e o investimento é de 45%. Ou seja, há uma discrepância muito grande. Algumas empresas ainda não conseguiram enxergar que o mundo mudou, que o consumidor mudou e a forma de consumir determinado produto ou serviço mudou ainda mais” afirma Donato.

DNVBs das grandes celebridades

Entretanto, há cases de sucesso no Brasil entre marcas e personalidades. Como é o caso da Julia Petit com a Sallve e da Anitta com o Nubank. “Elas se tornaram chave fundamental no elo entre empresas e consumidores e assim, conquistam um retorno incrível”, diz Donato. A expectativa é que se repitam cases de sucesso como esses.

Segundo Donato, atualmente estamos presenciando o período das DNVBs de grandes celebridades. Muitas personalidades começaram a entender que se associar a marcas nativas digitais é uma oportunidade de monetizar sua relevância e engajamento nas redes. Como por exemplo a Rihanna, cantora, empresária e atriz, e agora oficialmente bilionária. Sua fortuna está avaliada em US$ 1,7 bilhão, mas grande parte do valor é fruto da sua marca de cosméticos, a Fenty Beauty, da qual detém 50% em uma parceria com o conglomerado francês de bens de luxo LVMH. Outra parte do valor (US$ 270 milhões) advém da marca de lingerie Savage x Fenty.

O caso da Rihanna deu certo, pois sua marca ouviu as demandas do consumidor e levou em consideração toda a sua experiência. “O intuito da artista com a criação desse negócio sempre foi promover a “beleza para todas”, assim como diversas empresas se propõe a fazer, mas o grande diferencial é que esse objetivo não ficou só no papel, como costuma acontecer. Quando foi lançada, em 2017, na Fenty Beauty haviam 40 tipos de tons diferentes de base, hoje já são 50 e isso é um exemplo bem claro de como é importante ouvir o consumidor. A empresa movimenta uma comunidade onde há um grande esforço em manter o diálogo com essas mulheres-clientes, para entender as suas dores e necessidades”, conta Donato Ramos.

“Ou seja, a empresa deu certo não só pelo alcance inacreditável que a artista tem, mas principalmente porque ela entende quem é o seu público e o que ele espera, em tempo real, mês após mês. É claro que ser famoso dá aquele empurrãozinho, devido a grande visibilidade, mas o que consolida uma marca é fundamentalmente o fato de entender o seu consumidor, que é justamente a proposta de valor das DNVBs”, complementa Ramos.