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“Não é possível mudar o comportamento das pessoas durante uma crise sanitária (..), sem uma boa comunicação, sem esclarecer o porquê o comportamento precisa ser mudado, o porquê de precisarmos abrir mão de algumas liberdades em prol do bem comum. Comunicação e transparência são as principais lições que a pandemia da Covid-19 nos trouxe.” – Natalia Pasternak*

Ao ouvir Pasternak no podcast Café da Manhã da Folha de S. Paulo, comemorei muito. A constatação é de uma conceituada bióloga e não de profissionais de comunicação, em um momento considerado, no mínimo, crítico. Mas, faz sentido comparar essa conclusão com a comunicação nas companhias?

Tendências

A LLYC, consultoria global de comunicação, elaborou este ano, o estudo Talentos 2021, que traz o diagnóstico, tendências e sugestões do comportamento, no trabalho, para enfrentar esse novo mundo. São três grandes transformações. Vamos a elas.

Digital e Inteligência Artificial ganharam espaço de forma acentuada. É necessário, por isso, requalificar colaboradores para gerar vantagens competitivas, no mercado, como responder às perspectivas de carreiras mais longas e fornecer ferramentas de liderança aos gestores no teletrabalho.

A segunda são os novos modelos de relacionamento mais flexíveis entre empresas e trabalhadores ainda presos ao passado e com pouca capacidade de resposta às atuais prioridades como saúde mental, equilíbrio da vida pessoal e profissional.

E a terceira é a crescente importância da comunicação em um contexto em que o teletrabalho e a antecipação dos modelos híbridos podem conduzir a destruição da cultura, aliada a um novo fenômeno, o ativismo dos funcionários em certas causas que podem gerar lacunas na confiança.

Aqui vale um breve exercício. Adiantaria, as companhias responderem rapidamente a primeira e a segunda mudanças com investimento e esforço se não fizerem uma comunicação assertiva para engajar os colaboradores? Certamente não. E os resultados ficariam aquém dos estimados. Vamos a terceira grande mudança, a tendência crescente da comunicação. Fundamental, não só pelo esgarçamento da cultura, mas porque a pandemia acentuou o propósito dos colaboradores no trabalho. Duas situações podem levar a um impasse no clima organizacional interno.

Boas práticas

A realização de boas práticas ou iniciativas de ESG e a comunicação externa delas, sem o conhecimento dos colaboradores. A descoberta dessas ações pelas redes sociais, cada vez mais presentes no dia a dia, ou por outros canais não traz orgulho de pertencimento, essencial para manter a motivação. Infelizmente, pode ser pior. O discurso externo das companhias de iniciativas em prol da sociedade não condizer com a prática. Temos colaboradores cada vez engajados, os ativistas. Sem escuta ativa que entenda, a tendência é a perda de talentos.

Como Marc Benioff, CEO da Salesforce, colocou depois de criar o ‘Escritório
para o Uso Ético e Humano da Tecnologia’ em resposta a uma onda de ativismo dentro da empresa: “Você poderia me chamar de CEO ativista porque estou respondendo ao que meus funcionários querem (…), mas a realidade é que se eu não fizesse isso, deixaria de ser o CEO”.

Espero que não restem mais dúvidas de como a comunicação pode fazer toda diferença.