Planning work on project

Com audiências cada vez mais exigentes, produtores têm investido em pesquisas, boas referências e informações verificadas e bem fundamentadas para garantir qualidade

As audiências que escolhem um criador de conteúdo para acompanhar de maneira assídua ou mesmo próxima desejam ver nele mais do que fotos bonitas: elas querem boas referências, autenticidade e transformação.

Diante desse cenário, os microinfluenciadores têm se adaptado e buscado construir conteúdos bem embasados e que traduzam suas vivências ao máximo, de forma a humanizar os perfis das redes sociais.

Três perfis dentre os mais relevantes das categorias Ativismo, Conhecimento & Curiosidades e Empreendedorismo comentam sobre suas estratégias e desafios na produção de conteúdo para os perfis. Eles foram reconhecidos pelo 3º Prêmio Microinfluenciadores, promovido pelo Cecom – Centro de Estudos da Comunicação e pela Plataforma Negócios da Comunicação. O destaque de cada categoria será conhecido no dia 6 de março, durante o 8º Fórum sobre Marketing de Influência.

Giovana Heliodoro

Eu trabalho como produtora de conteúdo para as redes sociais e também como pesquisadora, porque eu tenho formação em História e Comunicação Aplicada, e também desenvolvo palestras.

Eu conecto essa atividade ao meu perfil a partir do momento em que eu crio o conteúdo e consigo democratizar o acesso a informações que são muito necessárias para as minhas e para os meus. E quando eu falo de informação, eu vou para além do ativismo, das questões de raça, de gênero, daquilo que envolve a minha vivência como uma travesti negra. Eu entendo meu trabalho como levar para as pessoas que não tiveram oportunidade de conhecer a história do seu próprio país. Eu transmito isso de forma bastante didática, dentro de um campo mais popular, mais do entretenimento, compatível com as redes sociais.

Atualmente, consigo ter ganhos financeiros com meu perfil, mas em momentos muito pontuais, porque boa parte das marcas só lembram das pessoas LGBTQIAP+ quando é alguma campanha identitária, como o mês de junho, do orgulho, ou de novembro, da consciência negra, ou janeiro, da visibilidade trans. Fora esses períodos eu não consigo ganhar bens financeiros com meu trabalho nas redes.

Algumas marcas me procuram para trabalhos e projetos. Eu sou uma pessoa fascinada por skin care, e tenho muita dificuldade de me relacionar com marcas ligadas ao ramo de beleza, porque boa parte das marcas nunca me viram como uma creator que pudesse me comunicar com o público que elas queriam. Então foi no momento que eu tive a realização de ser reconhecida para uma campanha de uma marca que eu amo muito, que é a Salve, de produtos de skin care.

O principal desafio é as pessoas compreenderem que para além do ativismo existe uma necessidade de humanização desses creators e não crer que eles unicamente vivem de ativismo 24 horas por dia. Apesar de a minha vida por si só ser um pacto de resistência, é importante ressaltar que eu também estou aberta a discutir sobre outras coisas, não só sobre ativismo. Quero falar também sobre estética, entretenimento, de cultura pop, que é um dos campos que eu estudo muito.

Eu recebo muitos relatos nas minhas redes sociais de pessoas que não se atentaram às questões que eu compartilho e que passaram a se atentar a partir do momento que eu trouxe. É muito maravilhoso, engrandecedor, ler essas histórias de vida dessas pessoas. Esse processo de desconstrução é mais do que gratificante, ele impulsiona o que eu faço hoje e indica que eu estou no caminho certo.

Luan Vieira – Tudo é geografia

Hoje estou no setor da saúde, onde trabalho numa Central de regulação. Então, digamos que minha função é um pouco diferente da atuação do perfil da página, porém tenho minhas folgas e horários, em que posso proporcionar informações e conhecimentos aos seguidores.

Sou estudante do 6° período da Universidade Estadual de Alagoas. Quando estava no 3°, resolvi criar uma página para poder passar para as pessoas uma forma de enxergar a Geografia diferente. Logo após um ano, a página estava indo muito bem, então resolvi dar continuidade, colocando metas. Usei a criatividade de fazer posts mais elaborados para cativar mais pessoas. Hoje estou a cada dia crescendo.

Costumo deixar algumas vezes a caixa de perguntas aberta ou mesmo por direct. Não uso muito lives, pois apareço poucas vezes, isso gera um “ar de mistério” para alguns, mas sempre que posso respondo no direct.

Já ganhei financeiramente algum dinheiro, mas por algum momento resolvi investir mais em conhecimento para galera do que ter um viés capitalista. Futuramente sairão coisas novas para a galera, pois a demanda do público aumenta,e os trabalhos também.

Atualmente estou abrindo mais este leque de patrocínios. No passado fiz uma parceria patrocinada com a marca “mundomapa”, uma loja virtual de quadros de todos os tipos. Na época, a loja queria seguidores, fizemos uma chamada para ação e conseguimos realizar o pedido da loja. Outras lojas e perfis entram em contato para divulgação.

Ter informação bem feita não é uma tarefa fácil. Primeiro porque existe uma qualidade de pesquisa, novas fontes e verificação da realidade do fato. Hoje, temos que ter muito cuidado com as fake news. Não é fácil, pois estamos rodeados de notícias falsas o tempo todo.

Eu me sinto feliz em poder ajudar outras pessoas com conhecimento. Já recebi vários relatos de pessoas que falaram que não gostavam de Geografia, mas que a partir da página viram uma outra forma de enxergar a ciência. Algumas pessoas que queria mudar de curso, saber como é para o mercado. Alguns relatos que nos instigam em poder continuar mais e mais. Isso gera um combustível para mais criação de conteúdo.

Ricardo Natale

Abri minha conta bem no começo de 2011, pouco tempo após o lançamento do Instagram. Como faço eventos corporativos desde 2002 e sempre precisei de canais para comunicar os eventos, decidi começar o perfil para mostrar os bastidores e os eventos do Experience Club.

Fico bastante plugado na minha conta e sempre tento responder todas as mensagens. Entendi que se deixar acumular, fica impossível responder. Dedico tempo para dar respostas com qualidade.

Minha inspiração vem de diversas fontes, desde os veículos mais tradicionais como NY Times, Bloomberg, Fast Company, Wired, como as revistas digitais mais modernas como The Verge e TechCrunch. Sigo também muitos dos maiores autores de livros de negócios do mundo. Além dessas fontes, procuro ver muita arte contemporânea, muitos hotéis, muitos destinos e muito design de interiores. Como sou triatleta amador, os esportistas dessa modalidade acabam sendo também uma referência.

Tenho ganhos financeiros a partir do meu perfil. Eu me tornei embaixador de três marcas de luxo, com contratos anuais e espero trazer em breve marcas B2B para criar ativações inovadoras.

Não me imagino com milhões de seguidores. Mas desejo me tornar alguém com reputação e poder de influência na difusão de conhecimento de ponta para o mercado corporativo. E acho que também até de lifestyle, porque sou focado em uma vida saudável, com disciplina e muito esporte.