Entre abril e junho de 2020, o comércio digital ganhou 5,7 milhões de novos clientes – ou seja, pessoas que fizeram compras online pela primeira vez. Os dados são da empresa de inteligência de mercado Neotrust/Compre&Confie. O varejo havia registrado uma queda de 35% no primeiro trimestre, por conta da pandemia, mas o e-commerce conseguiu minimizar o impacto total no mercado.

O segmento online cresceu cerca de 45% ao mês durante a pandemia e, em comparação com o desempenho de fevereiro, registrou um avanço de 41,5% em julho, no pico do isolamento social. Até mesmo a demanda dos Correios aumentou em 25% motivada pelo crescimento nas compras online, segundo a empresa.

A mudança de comportamento do consumidor impõe diversos desafios aos varejistas. E quem estava preparado pode sair na frente. Como é o caso do Magazine Luiza, que dá um passo gigantesco nessa trilha, ao adquirir a empresa Canaltech, de produção de conteúdo de tecnologia, a plataforma In Loco Media, de comercialização de publicidade digital, e a Unilogic Media. Com isso, a Magalu se assemelha cada vez mais a estratégia da Amazon e do Alibaba, dono do Aliexpress.

Tendência

Claudio Felisoni de Angelo, economista e presidente do IBEVAR, analisa a empreitada e prevê que a ação da empresa terá uma reação em toda a cadeia de varejo online. “A maneira como as pessoas se relacionam hoje com produtos e serviços mudou de forma significativa e as empresas precisam responder de forma adequada. Este movimento do Magazine Luiza deverá acelerar o processo em outras empresas de varejo”, antecipa.

A visão de quem comanda o Canaltech é a mesma de Angelo. “Acredito que esse movimento do Magalu vai abrir os olhos de seus concorrentes e aquecer o mercado de conteúdo que deve se valorizar bastante”, garante Domingos Hypolito Neto, do Canaltech. Ele lembra outros cases de aquisição, como o do Washington Post pela Amazon e do Cybercook pelo Carrefour.

A ideia é que a parceria fortaleça tanto a empresa quando o site. Neto explica que, conforme o Canaltech ganha relevância, a inovação se torna cada vez mais necessária. “Certamente nosso alcance será muito maior. Além disso, ganhamos a estrutura de uma megaempresa que pode nos ajudar com ações comerciais e parcerias. Só temos a ganhar com essa negociação”, afirma.

“O consumidor é quem vai fazer a revolução digital do país e sem esse tipo de iniciativa como a do Canaltech, isso não é possível”, explicou Fred Trajano na ocasião da aquisição. “Quando criamos a Lu, a ideia era unir comércio com conteúdo, porque quando saímos do varejo físico para o digital, a venda ficava muito fria. Antigamente, na época da minha mãe e da minha tia, o conteúdo vinha da boca do vendedor. Quando passamos para o digital, isso mudou”, lembra o executivo.

Conteúdo

As mudanças no comportamento do consumidor médio influenciam diretamente nas ações dos canais de comunicação e das empresas do mercado de varejo. Uma pesquisa realizada pela CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas) e pelo SPC Brasil (Serviço de Proteção de Crédito), em 2019, mostrou que 97% das pessoas realizam pesquisas online antes de efetuar uma compra em lojas físicas. Ainda assim, a tendência é que o consumo online, que aumentou durante a pandemia, continue crescendo mesmo após seu fim.

Angelo, da IBEVAR, analisa que as empresas vendem praticamente os mesmos produtos, oferecendo os mesmos serviços e condições de venda, por isso o diferencial está na oferta de conteúdo na publicidade. “É importante se diferenciar de modo a aportar conteúdos às informações publicitárias. Uma das maneiras mais adequadas de fazer isso, é a publicidade nativa, que tem grande espaço em função da mudança de comportamento dos indivíduos”, afirma.

Neto, do Canaltech, garante que o conteúdo não será afetado com a parceria. “A audiência do CT acredita na imparcialidade do nosso conteúdo, e se perdermos isso perderemos a audiência e a aquisição perderia sentido para a Magalu. O importante é que sempre reinvestimos tudo no negócio, priorizando a qualidade editorial, e assim conquistamos a audiência que temos”.

Influenciadores

No mesmo caminho das pesquisas online, os consumidores também buscam e confiam na opinião de influenciadores digitais na hora de fazer uma aquisição, como apontou uma pesquisa feita e divulgada pela Qualibest no último ano. Entre as 4.283 pessoas que participaram do estudo, 71% seguem algum influenciador. E entre estes, 55% costumam pesquisar a opinião de creators antes de efetuarem uma compra importante, 86% já descobriram um produto via influenciador e 73%, de fato, já adquiriram algo por indicação do influencer.

De olho nessa tendência, cresce o número de empresas estão investindo em live reviews com influenciadores digitais para aumentar a visibilidade da marca, além de agregar a credibilidade da influência aos produtos e serviços. Um exemplo disso é a iniciativa Shoptime Live Creators, uma competição de live commerce entre influenciadores.

Os creators demonstram os produtos ao vivo e dão dicas de seus itens favoritos do Shoptime nas redes sociais, além de receber uma comissão sobre as vendas geradas. Os 100 influenciadores com os melhores resultados integrarão o time oficial de apresentadores da marca e terão suas lives exibidas nos canais do Shoptime e as comissões dobradas por um ano.

“As lives commerce do Shoptime Live Creators têm o objetivo de auxiliar os clientes nas compras online, oferecendo uma experiência cada vez mais completa, diferenciada e humanizada, por meio da demonstração ao vivo dos produtos. E um bom influenciador precisa produzir um conteúdo de qualidade e diferenciado, ser criativo e, principalmente, se identificar com os seus seguidores. E, no caso específico do Shoptime Live Creators, ele precisa conhecer e ter identificação com a marca Shoptime”, explica a marca por meio de sua assessoria de imprensa.

Lives reviews

Grande tendência no e-commerce internacional, as lives reviews tem sido uma aposta nos negócios da B2W Digital, formada pelo Shoptime, Submarino e Americanas.com. Um destaque foi o Festival Shoptime, realizado no aniversário da marca, em abril deste ano, com vários influenciadores dando dicas de produtos para a casa e ofertas. Outra aposta recente foi o Americanas ao Vivo, da Americanas.com, com lives reviews semanal com a curadoria de Camila Coutinho – considerada uma das primeiras – e principais – blogueiras de moda do país.

Vendas ao vivo é inclusive um dos core de negócios do Shoptime. A marca explica que os influenciadores que forem selecionados terão acesso a conteúdos exclusivos criados pelo time do Shoptime. “São mais de 20 anos de experiência em vendas ao vivo, com dicas de presença em vídeo, vendas, entre outros”, explica o Shoptime. Para arrematar o foco em conteúdo, o Shoptime lançou na quarta-feira, 12, uma plataforma de conteúdo com dicas e reviews de produtos para a casa, o Diário de Casa.