Certificação de qualidade ISO chegou ao setor jornalístico

A Journalism Trust Initiative (JTI) é uma norma internacional e já começou a funcionar na Europa, EUA e até na África. Bertrand Mossiat coordenador do Repórteres sem Fronteiras, sediado em Paris, começa a divulgar a norma no Brasil

As instituições jornalísticas podem ter um importante diferencial no mercado — principalmente em termos de image e apoio publicitário — para fortalecer o setor e dar visibilidade a empresas que buscam de fato melhorar seus processos, combater a desinformação e as fake news e oferecer maior confiabilidade e transparência em suas operações. Foi criada há dois anos a Journalism Trust Initiative (JTI), uma norma internacional dentro da conhecida ISO 9000.  Ela pretende destacar e beneficiar o jornalismo confiável e já está certificando nos EUA, Europa e, África. O coordenador de governance da JIT, Bertrand Mossiat, sediado em Paris (França) e também coordenador do Repórteres Sem Fronteiras, participou de uma live de inciativa da Associação Nacional dos Editores de Revistas (ANER), com publishers locais, para divulgar a norma e está conversando com possíveis certificadores no Brasil.  Uma das possibilidades mais concretas é a participação do IVC nesse processo, pois a entidade congênere nos EUA, a AM (Allicance for Audited Midia) já é uma certificadora. A primeira instituição certificada nos EUA pela AM foi a Colorado Public Radio, agora em julho.

Bertrand Mossiat,

O objetivo da JTI é fornecer um mecanismo transparente para combater a desinformação e recompensar concretamente o respeito ao jornalismo ético e profissional com um selo reconhecido em todo o mundo. Projetado como uma norma ISO, a JTI foi desenvolvida por um comitê formado por 130 especialistas, incluindo jornalistas,  instituições, órgãos reguladores, editores e novos players de tecnologia. A Europa já incluiu a JTI como um mecanismo externo e independente na legislação de regulação das big techs no combate às fake news. “Essa será uma minirevolução no setor, pois, no caso da Europa, será a primeira vez que uma plataforma online ligada as big techs deverá favorecer as mídias de qualidade e diferenciar o que é desinformação e fake news”, comemora Mossiat.

A norma tem 18 clausulas, divididas em dois critérios:

1) IDENTIDADE E TRANSPARÊNCIA – identificação, missão editorial, mídias públicas, mídias privadas, comunitárioas, etc; dados sobre os proprietários, dados sobre a redação, fontes de receita, coleção de dados;

2) PROFISSIONALISMO E RESPONSABILIDADE – diretrizes editoriais e conflitos de interesses; precisão; conteúdo do público em geral; fontes; conteúdo patrocinado, artigos de opinião; controle interno; controle externo, condições de trabalho, treinamento, publicações desses dados

“São informações de como se organizam os processos dentro dessas empresas”, explica Mossiat. “Tem critérios que vão analisar como a mídia funciona dentro das redações, de suas operações. Por exemplo, se tem uma separação clara do conteúdo jornalístico e do patrocinado. E explicar mecanismos para ser o mais responsável possível, controles internos e externos, quais programas de treinamento da equipe e condições de trabalho, entre outros critérios”.

O objetivo da norma ISO não é atender todos os objetivos, mas fazer todos os esforços para atingir o maior nível e excelência, ressalta. Para mídias funcionarem de maneira mais transparente, com garantia de independência editorial e outros padrões específicos.

“Os efeitos que buscamos com essa norma é poder ser favorecido com mais patrocínios por atores da indústria da mídia, publicidade, tecnologia”. Começaram a promover essa norma na Europa como fase piloto, depois, EUA e agora chega ao Brasil, Argentina, Colombia e outros países da América Latina. Também já está sendo usada na Ucrânia e no Congo, É  um processo de auditoria interna. “E essas primeiras auditorias é o resultado de quase dois anos fazendo promoções, workshosps, explicações para as mídias. Destacamos que adotar a norma ISO traz também uma vantagem econômica”.

Rumo ao Brasil

“No contexto da legislação brasileira das fake news, ainda em discussão, tratar de transparência e confiabilidade das informações produzidas por veículos de comunicação e fazer uma certificação de qualidade, é algo muito bem vindo”, opina Regina Bucco, diretora executiva da ANER.

Regina Bucco, da Aner

A respeito de custos, o representante do Repórteres Sem Fronteiras oferece alguns parâmetros. Um dos valores de certificação mais baixos está sendo cobrado na África, segundo ele. Cobraram 2 mil euros para certificar uma mídia com 20 funcionários. O caso com valores mais elevados foi na França, na certificação de uma grande emissora de TV, com 1.500 jornalistas, ao custo de 17 mil euros no ano passado.

Muitas dessas certificações estão funcionando como projeto piloto. Mossiat deverá vir pessoalmente ao Brasil ainda este ano conversar com empresas de mídia e possíveis certificadores. Em breve terá informação em português no site oficial do JTI: https://www.journalismtrustinitiative.org.

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