Por Marcos Henrique Facó
Vivemos em uma era paradoxal: nunca tivemos tanto acesso à informação e, simultaneamente, nunca foi tão difícil discernir a verdade. Em um ecossistema digital saturado pela rapidez das redes e pela ameaça constante das fake news, a relação entre empresas e jornalistas tornou-se mais crítica do que nunca. Não se trata apenas de divulgar novidades corporativas, mas de exercer um papel social indispensável: o de curadoria da verdade, da clareza ética e da responsabilidade pública.
Receber, pela sétima vez, o reconhecimento como uma das “Empresas que Melhor se Comunicam com os Jornalistas” nos faz reforçar uma convicção: o sucesso não reside apenas na adoção de novas tecnologias, mas na manutenção de valores humanos inegociáveis. Transparência, diálogo e credibilidade não são palavras da moda, são a base de qualquer relacionamento produtivo e ético com a imprensa.
O primeiro passo para uma comunicação eficaz é entender a essência do trabalho jornalístico. O jornalista é um mediador do debate público, não um mero canal de distribuição de releases. Por isso, a comunicação corporativa deve abandonar o monólogo institucional e adotar uma postura de disponibilidade constante, para as boas notícias, mas, principalmente, nos momentos de crise, no fornecimento de dados complexos e na oferta de fontes qualificadas que realmente dominem os temas em pauta.
Na Fundação Getulio Vargas, tratamos o conhecimento como nosso principal ativo. Nossa estratégia é transformar pesquisa acadêmica e expertise técnica em informação acessível e confiável para a sociedade. Quando um jornalista nos procura, ele busca um porto seguro de credibilidade em meio ao ruído. Cabe a nós facilitar o acesso a esse conhecimento com agilidade, garantindo que a análise responsável chegue ao cidadão e combata a desinformação com fatos.
É neste ponto que enfrentamos nosso mais novo desafio e oportunidade: a Inteligência Artificial (IA). A tecnologia transformou a velocidade da produção de conteúdo, mas trouxe consigo dilemas éticos profundos. Para as empresas, o uso da IA na comunicação deve ser visto como uma ferramenta de apoio, e não de substituição do julgamento humano. A eficiência algorítmica jamais deve se sobrepor à ética da verificação. Em tempos de deepfakes e conteúdos sintéticos, a empresa que se comunica bem é aquela que valida seus dados e humaniza sua mensagem. A IA pode ajudar a processar informações, mas a confiança, a verdadeira moeda do jornalismo, só é gerada por interações humanas genuínas.
Além disso, a comunicação moderna pede integração. O que se diz à imprensa deve estar alinhado ao que se pratica nos canais digitais. Um storytelling envolvente só se sustenta sobre dados verificáveis e transparência de intenções. Empresas que compreendem essa dinâmica entendem que, ao apoiar o jornalismo profissional, fortalecem a democracia e o desenvolvimento do país. Ser uma fonte confiável é um compromisso cívico com a elevação do debate público. É essa postura ética, aliada ao uso responsável da tecnologia, que transforma a comunicação corporativa em um legado de valor para a sociedade.
Marcos Facó é diretor de Comunicação e Marketing da FGV








