Depois do Dia da Mentira, hoje é Dia do Fact-Checking

Dia Internacional da Verificação de Fatos comemora a importância do combate à desinformação

Não é por acaso que o Dia Internacional da Verificação de Fatos (Fact-Checking), neste 2 de abril, acontece logo depois do consagrado Dia da Mentira, no 1º de abril. Mentir hoje virou um negócio. Seja uma receita infalível para emagrecimento, um coquetel de erva ou fruta que combate qualquer doença e, principalmente, alimentar nosso ódio de cada dia contra um inimigo político ou o preconceito com grupos sociais, étnicos ou ainda  qualquer outra distorção da bíblia para agradar versões oportunistas de quem deseja manter o povo na ignorância. Tudo isso traz dividendos através de seguidores que podem comprar seus produtos ou serviços, ganhos políticos em campanhas difamatórias ou simplesmente faturar na visualização de vídeos remunerados pelas plataforma digitais.

A epidemia de mentiras se tornou tão grande e tão bem produzida e convincente – feita por profissionais e estúdios especializados – que muita gente perdeu o discernimento do que seja verdade ou mentira num determinado fato divulgado. Divulgado, leia-se, disseminado em redes sociais. Raramente um veículo jornalístico verdadeiro cai tentação de publicar uma notícia falsa, sob pena de perder credibilidade, audiência e até responder por um processo de calúnia e difamação. Entretanto, muita gente não consegue nem discernir o que seja um veículo de jornalismo verdadeiro. E nas redes sociais impera o reinado da impunidade.

Devido a  essa impunidade e aos ganhos óbvios, a rede de fake news cresce cada dia mais. Por isso foi necessário o surgimento de agências de checagem de notícias, para que apurar e denunciar rapidamente uma notícia falsa recém publicada em alguma rede digital.

Hoje existem excelentes agências desse tipo como a Lupa, Aos Fatos, Boato.org, entre outras, incluindo as agências que atuam dentro das redações, como o Estadão Verifica,  Uol Confere e Fato ou Fake (Globo). Elas ajudam o trabalho diário dos próprios jornalistas e de qualquer cidadão que tenha dúvida em alguma informação que recebeu no WhatsApp da família e precisa conferir a veracidade.

Uma outra iniciativa é apoiada por diversos veículos de comunicação em sistema de cooperação: o Comprova, sistema de jornalismo colaborativo que reúne 28 jornalistas de diferentes veículos de comunicação. O Comprova foi muito útil no período da pandemia do Covid-19, onde foi necessário uma força tarefa coletiva para que os próprios jornalistas não fossem enganados por falsas pesquisas científicas. Continua funcionando hoje.

Existe até uma instituição que congrega essas agências ao redor do mundo e procura estabelecer protocolos,  a International Fact-Checking (IFCN), fundada pelo Poynter Institute, uma organização de jornalismo sem fins-lucrativos dos EUA. Sua metodologia e código de princípios são compartilhados com outras agências de checagem associadas, caso no Brasil da Lupa, fundada em 2015 e Aos fatos, de 2016.  Vale destacar ainda a rede latino-americana de verificadores, LatamChequea.

Outra forma de se combater a desinformação e as fake news são os projetos de educação midiática, que começam a chegar em algumas escolas.

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