As plataformas de streaming que surgiram nos últimos anos causaram grande impacto no consumo de filmes e séries. Segundo Omarson Costa, conselheiro de administração para empresas do setor de telecomunicações, com a popularização da Netflix em 2015, o streaming ganhou força e começou a afetar a indústria de TV por assinatura, que pode se extinguir.

O Brasil ocupa 2º lugar no ranking de países que mais consomem filmes e séries por streaming segundo levantamento realizado pela plataforma ‘Cupom Valido’, que compilou dados da Statista e JustWatch.

Mesmo que a programação da televisão ainda tenha telespectadores, muitas casas utilizam somente essas plataformas como principal lazer da família.

O executivo – que possui experiência em importantes plataformas digitais de conteúdo como Netflix, Globoplay, DirecTV GO e Roku – entende que ainda existe uma longa trajetória pela frente em relação ao uso da tecnologia e outras mudanças que o streaming pode proporcionar no consumo de entretenimento.

“Abraçar a mudança é mais sábio e mais produtivo do que afirmar que a mudança está longe de acontecer”, diz Omarson Costa sobre a adaptação dos canais de TV aberta em relação aos serviços de streaming.

Aumento do acesso a banda larga (fixa e móvel) e a pandemia aceleraram a adoção das plataformas de streaming (Foto: Pixabay)

 

Popularização do streaming

Segundo Omarson, o ‘boom’ de novas assinaturas em plataformas de streaming se deu por dois fatores principais. “A pandemia acelerou a adoção das plataformas, mas as bases para a popularidade desses serviços estão relacionadas ao aumento do acesso à banda larga (fixa e móvel) e ao fato de que o preço do streaming é inferior ao da TV por assinatura”, afirma.

Além da questão financeira, o streaming traz maior facilidade para a rotina e o executivo acredita na possibilidade da extinção da TV aberta.

“Houve uma mudança de hábitos, a internet é ‘on demand’, você determina o que quer consumir, já na TV é linear, você está preso a grade de programação. O streaming permite o consumo de conteúdo em qualquer lugar e em qualquer dispositivo, além de que é possível consumir o que quiser e quando quiser, porque não existe a grade de programação”, explica Costa.

Com a possibilidade de perda de audiência da TV aberta, diversos setores seriam afetados. “O 5G com certeza irá acelerar a queda de audiência na TV linear, e como consequência, também irá afetar a indústria de publicidade. Além disso, a TV linear é regida pela lei de radiodifusão, que obriga que as emissoras dediquem parte da programação ao jornalismo, já o streaming não tem essa obrigação, então essa é mais uma área que pode ser afetada”, afirma Omarson Costa.

“Entretanto, alguns canais de notícias já estão se adaptando ao novo formato, como Globo News e modelos como os da Jovem Pan, uma rádio que se transformou em TV por streaming”, conclui.

Hoje, esse formato já afeta a indústria do cinema e a pandemia intensificou a queda no setor, tendo em vista que 1.23 bi de ingressos foram vendidos nos cinemas dos Estados Unidos em 2019 e em 2020 foram apenas 224 mi.

“Desde o nascimento do streaming nos EUA em 2007, por exemplo, a audiência das grandes telas já estava caindo, mas a pandemia foi mortal ao cinema, pois as pessoas entenderam que podem ter a mesma experiência no sofá de casa”, afirma Omarson Costa.

Diversos setores já estão sendo afetados com a popularização do streaming, e segundo o executivo, essas áreas terão que se reinventar para acompanhar os avanços tecnológicos e a possível extinção da TV linear.

“O mais importante para quem atua no setor de tecnologia é estar em constante processo de aprendizado e sempre com a mente aberta para as mudanças”, conclui Omarson Costa.