A comunicação estratégica influencia diretamente a reputação de uma organização. Por isso, é fundamental que seja traçada uma identidade própria e disseminada, para a transmissão profissional das mensagens-chave aos públicos de interesse. Esse contato com a imprensa, no papel da comunicação externa, precisa ser estreito, de modo a articular vínculos e facilitar explicações, além de criar abertura para declarações em momentos críticos.

Para que a comunicação seja estratégica, é preciso que esteja alinhada ao planejamento de negócios da empresa. A cultura e a política organizacionais são definidas pelos gestores e dão o tom da comunicação. No entanto, é preciso que os profissionais responsáveis pelo cuidado com a imagem da organização perante a opinião pública tenham autonomia e competência para a tomada de decisões e possam manter contato direto e constante com jornalistas, para construir um relacionamento de longo prazo.

A intenção precisa estar sempre alinhada com seus objetivos, ao mesmo tempo em que deve ser interessante a ponto de chamar a atenção do público externo. Assim, a comunicação exige consideração, planejamento e análise. Não é à toa que as empresas entenderam ser fundamental investir na profissionalização de suas relações públicas. Pelo Anuário de Comunicação Corporativa 2021, o setor das agências de PR fatura cerca de R$ 3 bilhões ao ano no Brasil.

A objetividade e assertividade ao falar contribui para a agilidade dos processos e tomadas de decisões nos negócios. Quando se trata da oratória direcionada ao jornalista, a fachada pode ser informal, mas a eloquência torna-se ferramenta obrigatória para o sucesso no processo de transmissão da mensagem mais adequada para a empresa.

O impacto causado pela pandemia nas redações de todo o país também foi bastante intenso e provocou alterações profundas nas relações de trabalho. Ser repórter significava ir para a rua em busca de novas visões e declarações para reportagens e, devido ao risco de contaminação pela Covid-19, os jornalistas ficaram restritos ao trabalho em home office, o que pode ter inibido o desenvolvimento de suas matérias em muitos casos.

Em pesquisa sobre tendências e previsões para o jornalismo em 2022, do Instituto Reuters da Universidade de Oxford, os executivos de 40% das 246 empresas jornalísticas consultadas de 52 países consideram que o teletrabalho prejudicou a colaboração, a comunicação e a criatividade dos profissionais da imprensa. Isso mostra como é relevante o papel da comunicação com sugestões de pautas e levantamentos de temas e dados elaborados para os veículos.

Além do contato ao telefone ser condição sine qua non para o esclarecimento de toda e qualquer questão, evitando que a comodidade de uma mensagem de texto deixe algum ruído, podemos recorrer ao material de apoio, previamente produzido, revisado e aprovado, que é fonte de consulta para os jornalistas e porta-vozes da organização.

Para estabelecer o melhor enxoval de comunicação, é indicado ouvir os públicos interno e os estratégicos de fora da empresa e, assim, entender quais assuntos são mais relevantes, considerando os impactos e sua propagação ao longo do tempo. É um tanto trabalhoso, mas altamente recompensador pela elevada qualidade do resultado obtido e pela consequente evolução do relacionamento profissional com todas as partes envolvidas.