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Acordo e, como se fosse a primeira obrigação do dia, pego o celular para saber o que está rolando. Antes de ir ao banheiro, já respondi mensagens de “bom dia” da família, dei uma olhada nos grupos de trabalho e chequei meu e-mail para ver se tenho algo urgente para resolver.

A rotina continua: faço café pensando como será meu dia e quanto tempo me resta para a primeira reunião. Coloco a roupa, me arrumo e me preparo para abrir a câmera sorrindo, escondendo ou dissimulando qualquer tipo de frustração ou tristeza. Afinal, no papel de líder não posso fraquejar, preciso dar o exemplo.

O dia passa voando. Pausa para o almoço com o celular ali do lado da mesa, à vista, de olho nas notificações, nos e-mails e mensagens que não param de chegar. Vez ou outra, arrumo tempo para brincar com meu cachorro, mas os alertas do celular parecem me deixar em situação de tensão permanente.

Volto a trabalhar e, quando olho pela janela, já escureceu. Fico com uma sensação de alívio de ter cumprido a agenda do dia, mas também de frustração ao perceber que a listinha de “to do’s” não está nem perto de ser concluída. Sinto uma angústia, respiro fundo, seleciono as prioridades e estico o expediente por mais duas horas, como se tudo fosse para ontem. Lá fora, vejo a felicidade do meu marido e meu cachorro me esperando para, enfim, termos um momento de descontração juntos. Mesmo quando deito na cama, com o corpo em repouso, a mente não para de trabalhar.

Essa tem sido minha rotina nos últimos meses. Imagino que também seja um pouco parecida com a sua. Fico pensando quem, além disso, está com os filhos em casa. Para mim essas pessoas, vamos combinar, são verdadeiras heroínas.
Minha ideia, com este artigo e com o relato acima, é ilustrar como o home office mudou a nossa vida e a forma de fazer comunicação interna. Depois de mais de um ano de pandemia, posso afirmar: TUDO mudou! Vamos ficar só em alguns pontos:

  • Hoje, estamos conectados o dia todo com a empresa, embora cada vez mais distantes.
  • O cafezinho, o “oi” no corredor, o almoço com a turma e o happy hour nunca fizeram tanta falta.
  • Perdemos aquele sorriso espontâneo do seu líder como forma de agradecer pelo projeto brilhante. Hoje, ele é traduzido por um emoji no grupo de WhatsApp.
  • A troca de experiência em um bate-papo no café se transformou em uma maratona para conseguir uma agenda em comum com o seu par.
  • A conversa prazerosa e casual foi substituída por uma apresentação formal de Power Point, muitas vezes sem ver o rosto do seu colega porque o compartilhamento de tela não permite.

Parecem situações simples, corriqueiras, mas que têm um impacto muito grande. Para além do processo de comunicação interna, as empresas precisam resgatar o indivíduo e entender como as relações serão construídas a partir de agora. Esperamos que, num futuro próximo, possamos ter um trabalho híbrido, em que o escritório tenha o papel de preencher esse vazio que sentimos hoje sem a presença física.

No último ano, entendemos de fato o que significa liberdade. E isso muda tudo! As organizações que não estiverem dispostas a ouvir o que o funcionário deseja – e fazer uma gestão que supra essas necessidades – vão perder talentos, podem ficar ultrapassadas e, despreparadas para as transformações que estão por vir. É só o começo de uma grande ruptura, que tem acontecido de forma acelerada.

Empatia, relevância e criatividade: os ingredientes para o futuro

Por isso, acredito que as organizações precisam evoluir na gestão de pessoas, na cultura organizacional e, como um todo, no processo de comunicação interna.

Os líderes, assim como eu, precisam estar capacitados para aplicar uma gestão de confiança, por entrega de resultado. Precisam aprender metodologias ágeis para garantir maior produtividade de equipes multidisciplinares. A comunicação violenta não pode ter mais voz. E a empatia ocupa um papel central nesse novo cenário.

Reconectar-se com a cultura nunca foi tão necessário, pois sem ela é impossível reter talentos. Será que entendo a empresa onde trabalho hoje e me reconheço nela como profissional e como indivíduo? É uma questão primordial. As organizações precisam investir tempo e dinheiro para adaptar a vivência da cultura para os dias atuais, pois sabemos que o home office veio para ficar.

Quando olho para a comunicação interna, vejo a relevância e a criatividades como dois elementos essenciais para amparar todo o processo. Dar a visão de futuro da organização é fundamental para garantir produtividade e sucesso. É hora de os executivos entenderem que disseminar a estratégia de negócio é diferente de comunicar informação confidencial. Com o público interno cada vez mais disperso em casa, sendo impactado por diversos canais ao mesmo tempo, a pauta de comunicação interna precisa ser relevante e criativa.

Nem tudo é novo ou revolucionário no que acabo de dizer, mas algumas ações ainda são tabus no meio corporativo. Temos que dar voz ao público interno, conectá-lo para que a informação de relevância chegue a todos os níveis da organização. Lembre-se que todo mundo está on-line, inclusive o público operacional. É o momento de repensar as mensagens, revisitar a matriz de canais, elaborar uma nova estratégia para um novo cenário.

Em tempos tão difíceis, olhar internamente os nossos desafios e encarar de frente os problemas, com transparência e com base em relações duradouras, pode ser um diferencial para as evoluções que o futuro promete.

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Milena
Fiori

Milena Fiori é Diretora de atendimento para Comunicação Interna e Conteúdo na InPress Porter Novelli.Mais artigos