Donald Trump assinou um documento ordenando que o TikTok seja banido dos Estados Unidos, a não ser que o aplicativo, criado pela empresa chinesa ByteDance, seja comprado por uma instituição norte-americana até o meio do mês de setembro.

O imbróglio entre Trump e o aplicativo chinês dura mais de um mês e tem causado polêmica, já que os argumentos do presidente dos EUA é que o aplicativo de compartilhamento de vídeos, que foi a rede social que mais cresceu durante a pandemia, simboliza uma ameaça à segurança nacional, pois, segundo ele, ao coletar dados de usuários, o aplicativo poderia rastrear a localização de funcionários federais e construir dossiês com informações pessoais para chantagear e fazer espionagem corporativa.

Violação dos termos

Caso a versão do documento assinada pelo presidente seja mantida, o valor da multa por violação pode chegar a 300 mil dólares – mais de 1,6 milhão de reais -, com possibilidade de prisão. Ainda assim, Trump não deixou claro como seriam avaliadas as situações de violação dos termos da ordem de banimento.

Na segunda (24), o TikTok entrou com uma ação contra o governo dos EUA e nela Patrick Ryan, um dos executivos da plataforma, que o representam no país, afirmou que o argumento de Trump é tão vago que apenas o fato de receber o salário da empresa poderia ser uma “transação proibida”, ou seja, um crime federal. “Isso significa que a partir do dia 20 de setembro, eu e 1500 dos meus colegas não poderemos receber nossos pagamentos, porque será ilegal que a empresa nos pague. Isso foi longe demais”, afirmou em um vídeo postado no TikTok.

Um dos argumentos dos executivos da ByteDance é a falta de provas que confirmem as acusações do presidente norte-americano de que dados foram compartilhados com autoridades chinesas. Além disso, a empresa negou mais de uma vez que faz qualquer tipo de ação nesse sentido.

Defesa

Os executivos do TikTok alegaram que não há motivo de boa-fé no banimento da rede social, que não apresenta ameaça real e emergencial ao país, principalmente em meio à uma pandemia. No documento divulgado pela empresa também foram revelados dados inéditos sobre o aplicativo no país de Trump: são cerca de 100 milhões de usuários ativos por mês, um crescimento aproximado de 800% desde janeiro de 2018; foram 2 bilhões de downloads globalmente e 50 milhões de usuários norte-americanos acessando o app diariamente.

Apesar da defesa do aplicativo, houve notícias de que o TikTok teria violado uma política do Google ao coletar dados de usuários durante um ano. O aplicativo rastreou os endereços MAC dos usuários, um identificador único para cada smartphone que permitiria ao TikTok rastrear os usuários, mesmo se eles restringissem suas configurações de privacidade, de acordo com uma reportagem do Wall Street Journal.

Quem pode comprar?

Até o momento, a Microsoft aparece como a empresa com maior potencial interesse em comprar o TikTok. Porém, o Twitter também havia sido apontado como um dos interessados, principalmente depois dos casos de posts de Trump que foram bloqueados pela rede social, informando a presença de informações falsas.

O que impediria essa transação para a plataforma de Jack Dorsey seria o valor do aplicativo: entre 15 e 50 bilhões, enquanto o Twitter tem uma capitalização de mercado de 29 bilhões.

Ainda que haja a compra exigida por Trump, a empresa compradora terá que preencher diversas exigências do governo norte-americano para garantir que não haja acesso a nenhum dado de usuários por qualquer autoridade ou a empresa chinesa envolvida na negociação.

O enorme sucesso do TikTok no exterior fez da ByteDance a primeira empresa chinesa de tecnologia com um produto que realmente alcançou um público global. ByteDance é atualmente a startup de tecnologia mais valiosa do mundo, estimada em mais de US$ 100 bilhões. Apesar de sua crescente presença em países estrangeiros, ainda tem na China sua maior fonte de renda. Em 2019, a empresa faturou mais de US$ 3 bilhões em lucro líquido em mais de US$ 17 bilhões em receita, por Bloomberg, e supostamente 67% disso veio das vendas de anúncios em seus principais aplicativos chineses, incluindo Douyin.