Com a pandemia do coronavírus, a busca por informação confiável aumentou entre os brasileiros. E pesquisas feitas nos primeiros meses de quarentena no país indicam que a televisão e os jornais ainda são considerados os meios de comunicação mais confiáveis para quem deseja estar por dentro dos principais acontecimentos relacionados à Covid-19, suas consequências, e a evolução da contaminação no Brasil e no mundo.

Em março, o Datafolha divulgou um levantamento mostrando que 61% das pessoas confiam nas informações sobre a crise veiculadas por emissoras de TV, 56% nas dos jornais e 50% nas das emissoras de rádio. O índice de confiança em redes sociais como WhatsApp e Facebook é de 12%, relativamente mais baixo que os demais. Dados otimistas quando comparados com 2018, ano em que o termo “pós-verdade” se tornou um dos mais citados na internet e as fake news tomaram conta das redes sociais.

Com a televisão à frente na confiança da população, a Rede Globo se destaca. Uma pesquisa feita pela QualiBest, em abril, mostrou que 19% dos participantes consideram a emissora como o canal mais confiável para se informar sobre o novo coronavírus e os desdobramentos da pandemia. Na pesquisa, Record TV (14%) aparece em terceiro lugar, atrás dos órgãos governamentais, como o Ministério de Saúde e a OMS.

Com mudanças na grade diária para adequar a cobertura jornalística, a Globo criou o matinal “Combate ao coronavírus”, que foi responsável por elevar a audiência do canal em 25% apenas no primeiro mês de exibição, um alcance diário de 24,4 milhões de telespectadores no período, levando 6,3 milhões de novas pessoas à programação da Globo.

Além do jornalismo, as emissoras, abertas e fechadas, cresceram em audiência na quarentena. Um levantamento feito pela Claro, que opera TV a cabo no Brasil, apontou que o aumento na audiência dos canais aumentou 118% a partir da consolidação do estado de pandemia pela OMS. Ainda segundo dados do Ibope, na semana de 6 a 12 de abril, o tempo médio que cada pessoa passou assistindo à TV diariamente foi de 7h54, um aumento de 1h20 em relação à primeira semana de março, antes da pandemia. Entre as 20 maiores audiências de TV dos últimos cinco anos, 13 foram registradas em março, no início das medidas de distanciamento.

Vale lembrar que todas as emissoras abertas fizeram mudanças em sua programação para se adequar às restrições e recomendações da OMS. Novelas, fruto de grande parte do ibope, tiveram as gravações suspensas e foram substituídas por reprises. No lugar das transmissões esportivas, clássicos do passado, e adaptações de figuras da televisão para a internet nas lives das redes sociais.

Audiência em alta
O jornal Folha de S.Paulo bateu recordes de audiência ao registrar 69,8 milhões de usuários únicos em março e 73,8 milhões no mês seguinte, além de 176,9 milhões de visitas no mesmo mês, superando o recorde de outubro de 2019, época das eleições, quando registrou 164,8 milhões de visitas. Os dados são do Google Analytics.

A Folha é líder do ranking de exemplares digitais, com a média de 250 mil. No ano passado, o número era de aproximadamente 218 mil. Na segunda posição, O Globo saltou da média de 202 mil exemplares digitais no ano passado para 236 mil em 2020. O Estadão ocupa a terceira colocação, com cerca 148 mil exemplares, dez mil a mais do que a média do ano passado. O Valor Econômico passou de aproximadamente 61 mil em 2019 para 81 mil em 2020.

O UOL quebrou recordes conquistados na época das eleições. Ao site Propmark, Paulo Samia, CEO do UOL Conteúdo e Serviços, afirmou que o site teve crescimento de mais de 20% sobre o mês de maior audiência anterior, em outubro de 2019. De acordo com o executivo, as crises levam o público a buscar fontes mais confiáveis de informação, o que valoriza o trabalho das redações. “Especificamente o jornalismo de veículos digitais, como o UOL, sairá mais fortalecido desta crise”, afirmou.

O portal mineiro O Tempo registrou um recorde histórico de audiência na cobertura da pandemia – 17,25 milhões de visitantes únicos, o que representa um aumento de 17,57% em comparação com números de janeiro. Números positivos também para a GaúchaZH, do Grupo RBS, que registrou 96,9 milhões de pageviews somando o site e o aplicativo. Outro número destacado pelo veículo é o crescimento nas assinaturas digitais: 136% a mais de novos assinantes em comparação com março, em 2019.

O Correio Braziliense mais que dobrou a audiência em seu site durante a pandemia. Dados do Google Analytics mostram que, em abril de 2020, a página inicial registrou aumento de 110,61% no número de usuários e de 100,12% no total de páginas visualizadas, em comparação a fevereiro.

Uma das ações que se repete em diferentes portais é a liberação gratuita de conteúdos relacionados à pandemia do coronavírus. Sem o pay-wall, sistema que solicita a assinatura para o acesso a conteúdos do site, os leitores puderam se informar sobre a Covid-19.