Djuly Pendek, Gabrielle Soares, Vitória da Conceição dos Santos e Bianca Candido*

“Escolhemos não falar sobre violência”, conta Cintia Moreira Gomes, co-fundadora e editora da Agência Mural da Periferia, site que conta com 80 correspondentes locais com o propósito de trazer as histórias dos moradores. Ela conta que a opção por abordar apenas temas leves é uma forma de resistência contra a cobertura massiva dos outros veículos que focam apenas na criminalidade quando se trata dos bairros periféricos. “Criou-se o estereótipo que na periferia só se encontra violência. Morei no Jardim Angela por 28 anos e nunca ninguém morreu no portão da minha casa. Nossa missão é acabar com essa visão”, reforça.

Desafio
O jornalismo local e regional tem o desafio de preencher esse deserto de notícias que há de determinadas regiões e periferias. A proposta é trazer outras questões além do que é pautado pela grande mídia, como violência e assistencialismo. É por meio da cobertura hiperlocal que se contam histórias que ninguém mais conta, que traz as questões que precisam ser resolvidas nas regiões na área da saúde, educação, mobilidade, entre outros.

Cintia abriu o Painel 2 – “Comunicação que cria laços”, da segunda edição do Fórum de Jornalismo Regional e Comunitário, promovido pela Negócios da Comunicação na Unibes Cultural, no dia 3 de setembro. O professor José Geraldo de Oliveira, foi quem assumiu a mediação da conversa que ainda contou com André Azeredo apresentador do SP no Ar, da Record TV; Marco Antônio Sabino de Souza, secretário especial de comunicação da Prefeitura da Cidade de São Paulo e Ubirajara Oliveira, fundador e publisher do Jornal da Gente.

No debate sobre violência, André Azeredo pontuou: “O povo consome a violência”. Segundo ele, apesar de ter outros interesses e o desejo de fazer um jornalismo diferente, com notícias de qualidade e relevância, a violência não só vende, como gera interesse. “Isso faz com que a TV se afunile e dê preferência ao hard news”. Mesmo diante da tecnologia em constante ascensão, ela ainda é o principal meio da consumir informações. “Que tipos de laços estamos construindo? A televisão ainda é massiva, as perguntas movem o mundo e não as respostas”, provoca.

Liquidez
Na tentativa de encontrar uma resposta, o professor Ubirajara de Oliveira, do Jornal da Gente, falou sobre como “criar laços” em um momento em que a tecnologia afasta as pessoas. Há 17 anos em circulação com O Jornal da Gente, ele aponta que o jornalismo está em ameaça constante. “Isso é quase um presságio do que a sociedade quer e vive”. Para ele, o “criar laços” está acabando, pois estamos partindo para uma sociedade líquida e o que criar realmente laços são afinidades. “É muito difícil concorrer com o Google e o Facebook, a mesma facilidade que se cria redes, ela se desfaz”, conclui.

Já o secretário de comunicação da Prefeitura de São Paulo, Marco Antonio Sabino aponta que o caminho é seguir em uma produção que tenham a verdade e a honestidade como objetivos: “A verdade vale a pena porque o bom Jornalismo vale pena. O jornalismo comunitário só vai alcançar a relevância falando a verdade.”, diz.

*O CECOM – Centro de Estudos da Comunicação firmou uma parceria com a Universidade Cruzeiro do Sul e juntos promoveram um laboratório com os estudantes do curso de Jornalismo para a cobertura do FJRC 2019.