Há décadas falamos sobre a importância das florestas e, principalmente da Amazônia. Agora, não há mais margem para erro. E cada um de nós, em nosso papel, “inevitável”, de consumidor final, precisa fazer a sua parte. Não precisa largar tudo e se embrenhar no meio da mata, abrir mão de confortos, nada disso. Basta ir atrás da origem daquilo que compramos, saber de onde vem e como vem.

Aqui no Brasil as pessoas querem que as florestas sejam protegidas, mas não fazem a ligação entre a madeira barata comprada nos grandes centros urbanos e o desmatamento que acontece naquelas áreas de matas nativas, talvez pela abundância de recursos naturais que temos. E por trás de produtos com origem não identificada ou ilegais, muitas vezes, há questões sociais terríveis, com situações de opressão, exploração e até conflitos armados. Também pela sensação de que nossas matérias primas naturais são ilimitadas e abundantes, há no inconsciente coletivo a ideia de que madeira, por exemplo, é algo barato. Mas o que custa pouco – mas cobra juros altíssimos – é a ilegalidade. E em pleno século 21, 2017, estima-se que cerca de 80% da madeira nativa comercializada no país têm algum tipo de ilegalidade.

O FSC® (Forest Stewardship Council®) é uma organização não governamental que há mais de vinte anos promove o manejo florestal responsável ao redor do mundo. Porque, sim, já existem diversos modelos econômicos sustentáveis para a Amazônia e outros biomas. O que ainda falta é planejamento estratégico e integrado do governo e apoio dos consumidores, pessoas físicas e jurídicas. A construção coletiva de uma estratégia nacional com inclusão de áreas importantes para o desenvolvimento de uma indústria de base florestal, como a de infraestrutura, é fundamental. Mas comprar de quem faz certo também estimula boas práticas e fomenta iniciativas positivas. E isso vale para o móvel de madeira nativa maciça da sua casa ou para as mesas de MDF do escritório onde você trabalha. Para o papel do bilhetinho, a erva mate do chá, o piso de casa, as formas da construção, as embalagens…

O selo FSC faz, justamente, essa ligação entre produção responsável e consumo consciente. Recentemente, aqui no Brasil, lançamos a campanha “Florestas para todos para Sempre” com o objetivo de ampliar o conhecimento e o reconhecimento da marca FSC e informar o consumidor final sobre os benefícios sociais e ambientais da certificação, como mecanismo de conservação das florestas brasileiras, proteção dos animais e melhoria da qualidade de vida dos trabalhadores e comunidades tradicionais.

Se um consumidor não faz revolução sozinho, vários  podem fazer. E é isso que precisamos. Num ciclo virtuoso, quanto mais pessoas souberem o que significa o FSC e buscarem por ele, mais empresas, comunidades e associações de pequenos produtores se beneficiarão desse processo. Afinal, quando as pessoas se dão conta de tudo isso, o selo torna-se um diferencial estratégico que agrega valor às marcas certificadas. E, no apito final, a vitória é de todos.

As florestas têm um potencial econômico enorme. E, já que pelo menos para a maioria, é o dinheiro que move o mundo, vamos falar dele. São empregos criados, impostos arrecadados, uma infinidade de “produtos” rentáveis – madeireiros e não madeireiros –, energia renovável e, agora, podemos acrescentar a essa lista, diversas soluções financeiras inovadoras.

É preciso trabalharmos juntos, entidades locais, instituições financeiras, governos, iniciativa privada, sociedade civil. Cada um com seu saber, todos com o mesmo interesse. É urgente reconhecer e remunerar a sustentabilidade para garantir “Florestas para Todos para Sempre”.