O prejuízo de R$77 bilhões que o desengajamento crônico custa anualmente às empresas brasileiras, dado mapeado pela Flash em parceria com a FGV EAESP, abriu espaço para um novo modelo de consultoria corporativa no país. É explorando a raiz dessa ineficiência operacional que a Design for People, consultoria especializada em design organizacional com foco em cultura por meio do desenvolvimento de pessoas, registrou um crescimento expressivo. Fundada em dezembro de 2023, a companhia encerrou o ano passado com um faturamento de R$ 1,22 milhão (alta de 50%) e, amparada por uma carteira de clientes que já inclui gigantes como Alpargatas, Cielo, Porto Seguro, Seguros Unimed, entre outras, projeta atingir R$ 1,7 milhão neste ano.
A metodologia da companhia nasceu em 2018 que gerou a pesquisa de mestrado do Idealizador, Bruno Pinta, focada em Design Organizacional com foco em cultura e desenvolvimento de pessoas. O que começou como uma tese acadêmica sobre eficiência operacional transformou-se em negócio escalável com a chegada, em 2023, das sócias Renata Correa, focada em cultura e saúde social, e Deborah Senne, focada em transformação de jovens talentos e design organizacional. O grande diferencial do trio reside na sua própria bagagem: todos construíram carreiras sólidas e exerceram papéis de liderança no mundo corporativo antes de fundarem a consultoria. Essa vivência prática “do lado de dentro” garante um profundo conhecimento dos desafios reais das empresas. A partir desse repertório compartilhado, os três sócios atuam diretamente no desenho e na facilitação de ações de desenvolvimento de pessoas sob medida para lideranças, talentos e times, unindo profundidade conceitual, pragmatismo e bem-estar relacional no cotidiano das grandes corporações.
A premissa da consultoria é tratar a cultura e as relações de trabalho não como um tema acessório de RH, mas como infraestrutura básica de negócios. Para se distanciar dos tradicionais treinamentos padronizados do mercado, a empresa estruturou uma metodologia em três etapas. A primeira consiste em um diagnóstico profundo (triangulação) para mapear gargalos invisíveis na operação; a segunda é o redesenho customizado de fluxos e rituais de liderança; e a terceira foca na aplicação prática, substituindo palestras teóricas por imersões dinâmicas que removem atritos culturais e destravam a produtividade dos times. Na Cielo, por exemplo, junto ao time de líderes de Negócios e RH, a DFP apoiou na criação da estratégia anual de desenvolvimento humano da empresa levantando necessidades de todas as partes envolvidas e no desenho de jornadas de aceleração de carreira, liderança e uma trilha completa de comunicação para mais de 800 pessoas coordenarem sua integração, otimização de processos e colaboração.
Para Bruno Pinta, idealizador da Design for People, o crescimento da consultoria reflete uma mudança urgente na agenda das lideranças. “Mudar as caixinhas do organograma ou oferecer benefícios superficiais de bem-estar não resolve o esgotamento das equipes. O estudo publicado no início de 2022 pela MIT Sloan Management Review já provou que uma cultura organizacional disfuncional pesa dez vezes mais na decisão de um talento pedir demissão do que o próprio salário. O nosso papel é traduzir isso em números para o C-Level: ambientes corporativos desgastados que destroem a qualidade das decisões e afetam diretamente a receita e a previsibilidade do negócio”, explica o executivo.
Ainda de acordo com Bruno Pinta, a integridade da cultura interna deixou de ser uma métrica subjetiva de RH para se tornar valor de mercado e maturidade ESG. “O pilar colaboradores dentro de uma estratégia de impacto está conectado ao capital humano, à retenção, engajamento, bem-estar, capacitação e como essas forças impulsionam e geram resultados reais. É começar a estratégia de negócio por meio das pessoas”.
Para o mercado, o movimento consolida a transição dessas boutiques de nicho: elas deixam de ser vistas como agências de treinamento para atuar como estrategistas de relações humanas impactando resultados.







