O que aprendi ao repensar meu papel como gestor

Felicidade no trabalho não está ligada à euforia constante, a benefícios pontuais ou a discursos inspiradores colados na parede. Ela se desenvolve na coerência do cotidiano

A felicidade deixou de ser apenas uma busca individual. Hoje, aparece em relatórios, indicadores, livros best- sellers e estratégias empresariais. E o avanço das discussões sobre o tema é cada vez mais evidente: somente em 2024, o Ministério da Previdência Social (MPS) registrou mais de 472 mil afastamentos temporários do trabalho por esse motivo. Inclusive, esse cenário foi um dos fatores que influenciaram a atualização da NR1 (Norma Regulamentadora nº 1 do Ministério do Trabalho e Emprego), publicada em maio de 2025.

Ao longo da minha trajetória profissional – mais de 26 anos atuando com equipes diversas no Brasil, México, na Argentina e Alemanha – aprendi que felicidade no trabalho não está ligada à euforia constante, a benefícios pontuais ou a discursos inspiradores colados na parede. Ela se desenvolve na coerência do cotidiano: nos contextos que dão sentido ao que fazemos, no respeito presente nas relações e na possibilidade real de produzir de forma saudável e sustentável.

O bem-estar deixou de ser um “extra” há bastante tempo. Hoje, ele faz parte da própria estratégia empresarial. Times exaustos não inovam, não colaboram e tampouco alcançam resultados no longo prazo. Por isso, costumo dizer que saúde mental deixou de ser apenas um tema de cuidado, mas passou a ser, antes de tudo, uma decisão de gestão.

Essa visão dialoga diretamente com a reflexão de Vinicius Kitahara no livro “Em Felicidade Corporativa”, leitura que fiz recentemente e que reforça a ideia de que empresas que cuidam genuinamente das pessoas constroem resultados mais sustentáveis. Concordo plenamente. Afinal, felicidade não é estar bem o tempo todo, mas se sentir parte e perceber harmonia entre os valores pessoais e os valores praticados pela organização.

Aqui na Beiersdorf – casa de NIVEA e Eucerin, observo que os colaboradores mais engajados são aqueles que entendem o porquê do que fazem, têm espaço para serem quem são e percebem o impacto real do seu trabalho. Um caminho possível para alcançar esse engajamento é a aplicação de programas com impacto direto no bem-estar das pessoas. Aqui na companhia, por exemplo, temos uma trilha denominada Agita BDF que oferece aulas de spinning e corrida de rua, promovendo movimento, afinidades esportivas e integração entre os times. Isso contribui para um ambiente de trabalho mais humano e acolhedor.

Quando esse cuidado não existe, os efeitos aparecem rapidamente. Ignorar a saúde mental e a qualidade das relações internas gera consequências concretas para as empresas: afastamentos, queda de produtividade, alta rotatividade e prejuízos à reputação empregadora.

Ao aprofundar essa reflexão, encontrei no relatório global do World Mental Health Day 2024 um dado revelador: o Brasil aparece como o quarto país mais estressado do mundo, com 42% da população relatando esse sentimento – embora 77% dos brasileiros já reconheçam a importância de cuidar da saúde mental.

Quando o investimento em bem-estar é genuíno, os ganhos são claros: mais engajamento, maior capacidade de inovação e desempenho consistente no longo prazo. Como reforça Vinicius Kitahara, a alta performance só se sustenta quando existe equilíbrio. Mais do que em programas ou discursos, o equilíbrio nasce na liderança cotidiana. É assim que as organizações – e suas pessoas – se fortalecem.

Juan Pablo Leymarie é Diretor de Gente & Gestão na Beiersdorf. Com mais de 20 anos na empresa, atuou em operações e projetos internacionais na Argentina, México e Alemanha, e hoje lidera a área no Brasil.

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