Por Simone Maia
No ambiente corporativo atual, marcado pela velocidade da informação e pela cobrança por responsabilidade social, a reputação deixou de ser um atributo de boa vontade e tornou-se um ativo estratégico. Ao longo de mais de 30 anos de carreira, aprendi que construir reputação é como erguer uma estrutura: um processo longo, feito com cuidado, consistência e “tijolo por tijolo”, que sustenta o posicionamento institucional e deve refletir verdadeiramente os valores da organização.
Antes vista como intangível, a reputação hoje é mensurável e possui valor financeiro. Um estudo do Reputation Institute estima que 84% do valor de mercado de uma companhia decorre de fatores ligados à sua reputação. Isso reflete a ascensão do “capitalismo de stakeholders”, em que empresas precisam gerar valor no longo prazo considerando todos os públicos com os quais se relacionam. O RepTrak, mensuração criada pelo Reputation Institute, mostra que o valor corporativo não depende apenas de resultados financeiros, mas também de condutas sustentáveis e socialmente responsáveis.
“Reputation Institute: 84% do valor de mercado de uma companhia decorre de fatores ligados à sua reputação”
Enquanto sua construção leva anos, a reputação pode ruir em segundos. Nesse cenário de exposição constante e desinformação, a autenticidade é a maior defesa das organizações. Um relatório da Salsify revela que 87% dos consumidores estão dispostos a pagar mais caro por marcas em que confiam — uma evidência clara de que confiança se traduz em valor concreto.
Para que essa construção seja sustentável, a reputação deve estar integrada à governança, com métricas e práticas que vão além do discurso. Isso envolve boa gestão, coerência e esforço contínuo para fortalecer percepções, inclusive entre públicos detratores. A reputação corporativa é fruto de uma combinação entre consistência, competência, propósito e transparência – e de maneira nenhuma pode depender apenas de narrativas ou ações pontuais.
O profissional de comunicação desempenha papel decisivo ao garantir que a reputação se materialize em ações reais e genuínas. Deixar esse ativo ao acaso tem custo alto e, na pior das hipóteses, pode levar à destruição do próprio negócio. Por isso, reafirmo: a reputação é o bem mais precioso que uma organização pode cultivar. Exige tempo, método e verdade — mas, quando bem cuidada, torna-se o alicerce mais sólido para atravessar crises, gerar valor e garante a perenidade de uma marca.
Simone Maia é gerente de Comunicação da MRV&CO








