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Recentemente, veio a conhecimento do público que youtubers receberam um total de R$ 295 mil do governo federal para falar bem do novo programa do ensino médio em vídeos que não foram sinalizados claramente como peça publicitária.

Uma das discussões geradas pela notícia foi o quanto esses canais podem utilizar sua influência para disseminar opiniões sobre produtos e temas sem deixar claro que o conteúdo é pago. Com a profissionalização desse novo segmento, é natural que haja uma preocupação e um cuidado cada vez maior com os acordos de publicidade entre marcas e influenciadores.

Além dessa polêmica, há outro ponto que preocupa tanto público quanto conselhos regionais: youtubers e blogueiros dando dicas de nutrição, quando não são formados pela área, passando treinos para os seguidores, mesmo não sendo educadores físicos, entre outros.

Para ampliar esse debate, a revista Negócios da Comunicação entrou em contato com o Conar para entender como funciona a regulamentação da entidade relacionada a esse novo segmento: o de influenciadores digitais.

Missão Conar

Impedir que a publicidade enganosa ou abusiva cause constrangimento ao consumidor ou a empresas e defender a liberdade de expressão comercial.

Constituído por publicitários e profissionais de outras áreas, o CONAR é uma organização não-governamental que visa promover a liberdade de expressão publicitária e defender as prerrogativas constitucionais da propaganda comercial.

A assessoria de imprensa do Conar informou que não existe regulamentação específica para propagandas ou conteúdos publicitários feitos por influenciadores digitais. “O Código Brasileiro de Autorregulamentação do Conar pode ser aplicado tranquilamente a qualquer ação publicitária, independentemente do meio de divulgação. Ao receber uma denúncia, vamos analisar de acordo com as nossas normas, que já estão adaptadas ao meio digital desde o surgimento da internet”, comenta a assessoria.

Para o Conar, a organização preza pelo conteúdo que está sendo exposto em todos os veículos. “Acreditamos que os blogueiros e youtubers e seus anunciantes se importam com a credibilidade dos canais e das marcas, por isso é do próprio interesse das partes envolvidas expor, de forma clara, o conteúdo publicitário”, comenta.

Quando a organização recebe denúncias, elas são avaliadas de acordo com as normas, assim como os veículos tradicionais. “Quando isso acontece, recomendamos que o conteúdo publicitário seja retirado do ar, mas não temos controle se os responsáveis vão cumprir ou não as recomendações”, diz a assessoria. Desse modo, reitera-se a importância de manter a credibilidade perante a audiência.

Orientação

Para Fabio Utumi, produtor executivo da agência de casting iq., é importante abordar essas  questões com frequência com os agenciados. “Eles mesmos possuem a preocupação de serem transparentes com sua audiência. O internauta não pode se sentir enganado pelo influenciador, pois isso faz com que sua credibilidade seja abalada”, diz.  Para o executivo, muitas vezes, a própria audiência parabeniza a marca pelo patrocínio do conteúdo, pois sabe que, de certa forma, aquela empresa contratante está contribuindo com a sobrevivência do canal, que como qualquer empreendimento, tem contas a pagar.

Abaixo, segue um exemplo do canal Manual do Mundo, que coloca uma marca d´água nos vídeos que os identifica como sendo conteúdo publicitário, e o apresentador também menciona a marca de alguma forma, dizendo que foi convidado para fazer aquele conteúdo.

De acordo com Klaus Chagas, diretor comercial da #EBSA Publicidade Digital, a maioria dos IDs ainda inicia suas atividades muito jovens e “crus”, no sentido de profissionalismo, e as agências sabem disso. “Eles sempre esperam que nós, como agência, apontemos o que é certo ou errado eles fazerem. Quando não há um agenciamento, um elo entre eles e as marcas, eles seguem sem orientação”, explica.

Estar dentro das normas estabelecidas pelo Conar, com orientação das agências ou até das próprias marcas, é o caminho recomendado pela organização para que os influenciadores digitais consigam monetizar os seus canais, sendo transparente com o público.

A frequência de IDs que tem sido acionados e denunciados mostra que ainda há um caminho longo a ser percorrido, mas que com a profissionalização desses jovens comunicadores devem diminuir consideravelmente.

Nos EUA

O Comitê de Práticas Publicitárias dos Estados Unidos emitiu novas diretrizes para marcas que trabalham com influenciadores, com objetivo de que ambas as partes, antes de qualquer interesse comercial, proteja os seus consumidores.

A nova orientação é focada em torno de ofertas de afiliados – onde blogueiros, youtubers e estrelas do Instagram são recompensados financeiramente por cliques colocados dentro ou debaixo de seu conteúdo. O Comitê advertiu que os seguidores devem saber que o conteúdo que eles vão ver ou clicar é um anúncio.

Os pontos-chave incluem conselhos para sinalizar conteúdo totalmente patrocinado. Assim, por exemplo, os vídeos de marca ou posts de blog patrocinados devem incluir um aviso de ‘anúncio’ no título para garantir que os usuários estejam cientes de sua natureza comercial antes de pressionar o jogo ou navegar para baixo para ler.

Outro ponto é que quando apenas alguns dos links de um post, imagem ou vídeo são para produtos patrocinados, o post inteiro não precisa ser identificado como um anúncio, mas cada um dos links listados deve ser identificado como tal.

E a diretriz-chave final diz que os influenciadores devem estar cientes de que cada plataforma é diferente e reconhecer a oportunidade em que eles devem identificar algo como um endosso pago. Em aplicativos como o Instagram, onde as imagens são inicialmente visíveis antes do texto, a palavra “anúncio” pode ser incluída na foto real, de modo que a natureza do conteúdo é clara para os seguidores.

Fonte: The Drum