Vivemos um momento de desconstrução. A era do smartphone mudou definitivamente o formato das relações. Tudo é mais rápido, ágil, instantâneo e incrivelmente acessível. A informação virou uma commodity e nossos grandes ícones de influência estão tentando se adaptar à assustadora realidade.

Políticos acabam mais conhecidos por seus escândalos do que por seus ideais. Atletas se preocupam mais com seus cortes de cabelo do que com seu desempenho no esporte. Músicos lotam concertos, mas não preenchem nosso vazio da alma. Grandes corporações atraem nossa confiança com discursos pomposos, porém com questionáveis atos de ética. Enquanto isso, repentinamente e por algum motivo ainda não explicado, novas vozes emergem e passam a ditar regras e comportamentos. Não são gurus, tampouco ídolos. Não são exatamente amigos, nem tecnicamente mentores. Mas, por se tornarem celebridades e arregimentarem multidões, são chamados pelos profissionais de marketing de influenciadores.

Hoje, não existe uma estratégia de ­marketing no planeta que desconsidere sua força. Tenho analisado este momento com muito respeito, mas com cuidado também. Em meio às demandas de meus clientes e aos brainstorms sobre novas propostas, quando o desafio da utilização de influenciadores aparece, procuro antes de tudo entender o contexto.

Influenciar não é para qualquer um, mesmo famoso, repleto de likes e seguidores. Estamos órfãos de pensadores, de líderes. Para ser mais exato, de inspiradores

Influenciar é algo que deve ser feito com responsabilidade e com credibilidade. Ao meu ver, esta febre de exploração de influenciadores não pode ser rasa e oportunista. Muitos dos que vi surgindo de forma inovadora e realmente crível rapidamente se tornaram comerciais e ocos. Pra piorar, muitos profissionais de marketing tomados pela ânsia de criar algo diferente se esquecem do principal: da força de uma ideia brilhante e do poder de uma história bem contada.
Indo um pouco além, concluo que o mundo não carece de influenciadores. Talvez esse termo esteja sendo mal utilizado por nós. Influenciar não é para qualquer um, mesmo que famoso e repleto de seguidores e likes. Estamos órfãos de pensadores, de líderes. Para ser mais exato, de inspiradores. Cabe aos profissionais de marketing o acerto desta rota. Sob sua responsabilidade está a curadoria e gestão de toda esta informação e a autenticidade da história a ser contada. O então chamado influenciador deve atuar como um potencializador, um disseminador. Nunca como um conteúdo ou como uma mensagem.
Tenho defendido um modelo que combina Purpose, Entertainment e ­Experience. No novo modelo que criei, não existem influenciadores como enxergamos no momento. Existem inspiradores, game changers, empreendedores sociais e profissionais de marketing cocriando iniciativas que sejam eficientes, mas, antes de tudo, que valham a pena ser vividas. Empresas, marcas, políticos, entre outros, deveriam entender que influenciar é cafona, está fora de moda. O cool ontem, hoje e sempre é inspirar, existir por um propósito e gerar o bem coletivo. Essa é a verdadeira mudança necessária.