A Comunicação Não Violenta (CNV) é um tema que tem ganhado relevância em grupos de estudo atualmente. O tema, que vem contribuindo com o desenvolvimento de pessoas, pode ser ainda mais explorado em ambientes de múltiplas interações, como o ambiente organizacional.

Essa técnica se trata de um processo de comunicação compassiva, que substitui a reatividade. A palestrante e instrutora de Mindfulness Julia Duarte é especialista em Psicologia Positiva e explica as origens da Comunicação Não Violenta.

“Tendo crescido em um bairro turbulento de Detroit e vivenciado muitos conflitos raciais e religiosos, Marshall Rosenberg, autor do clássico livro ‘Comunicação não violenta – técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais’, se interessou por formas alternativas de resolução das controvérsias e se debruçou na cultura da paz e na compaixão para propor um processo de comunicação mais efetiva”, explica.

Utilizada também para mediação de conflitos, a CNV traz um impacto positivo nos relacionamentos de acordo com Julia Duarte. “A vontade de estar sempre certo e não ter autodomínio das emoções, são grandes desafios à prática da CNV.  A CNV nos convida a trocar os pensamentos: ‘Quem está certo ou errado?’ por ‘Como eu posso tornar a vida maravilhosa?’. Para que a CNV não seja apenas uma teoria bonita e possa ser colocada em prática, é necessário um esforço consciente, uma pré-disposição a ter compaixão com o outro, que começa com a compaixão por nós mesmos”, afirma.

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Boa gestão de pessoas

Com mais de 20 anos com experiência acadêmica e administrativa em Instituições de Ensino Superior, a economista e mestra em Administração de Empresas da linha de pesquisa em Gestão Humana Lidiane Mendes Barbosa cita três contextos que a incentivaram a explorar, se aprofundar e aplicar a CNV.

“O primeiro é o conceito de comunicação. Muitos alunos relatam a falta de comunicação dentro das organizações. Então, eu os questiono sobre os meios que a organização utiliza para disseminar a informação e a grande maioria identifica que há mais de um e que a informação chega para todos (ou para a grande maioria, pela percepção deles). Então, por que a informação não comunica? Há alguns motivos e quero aqui destacar a necessidade de ação para uma leitura atenta, interpretativa e que gere consequências, ou seja, mudanças”, afirma.

A Associação Brasileira de Comunicação Empresarial (Aberje), entrevistou mais de 320 pessoas e entre os resultados está que 52% dos entrevistados afirmam que ansiedade é o estado emocional mais frequente que sentem enquanto trabalham. Lidiane Barbosa também cita a importância da CNV nesse contexto.

“A Comunicação Não Violenta convida para um autoconhecimento que pode mudar e salvar vidas. Como? Primeiro reconhecendo o quanto nossos julgamentos fantasiam situações observadas e assim se esforçar para diluir percepções equivocadas. É um processo de alinhamento da comunicação ‘da gente com a gente mesmo’ para então se relacionar e se comunicar com o outro”, afirma.

Como aplicar

A Comunicação Não Violenta possui 4 pilares, sendo eles observar o fato, descrever o seu sentimento, expor a sua necessidade e fazer o seu pedido.

“Ela pode ser usada diariamente e em todas as relações, para torná-las mais harmônicas. Seja em um momento de conflito ou quando algo lhe desagrada. O convite da CNV é ao invés de reagir de imediato, fazer uma breve pausa, reconhecer o seu sentimento e, usando esses 4 pilares, se comunicar, respondendo de forma mais assertiva ao que te acontece”, explica Julia Duarte.

Qualidade das relações

A adoção da CNV tanto na vida pessoal quanto no trabalho traz um impacto direto na qualidade das relações, pois reduz os desentendimentos e cria conexões cada vez mais profundas e harmônicas. Julia Duarte afirma que as técnicas de CNV favorecem também a cooperação.

“Adotar a CNV abre nosso coração para sermos empáticos e entender as necessidades não atendidas dos outros que podem gerar determinados comportamos, assim como reconhecer as nossas próprias necessidades e sentimentos. A CNV ainda nos dá ferramentas para expressarmos nossa opinião e descontentamentos com firmeza e gentileza, não se tratando de estar passivo na própria vida”.