A imprensa regional do interior do Estado de São Paulo, tanto a tradicional como a alternativa, que pratica o jornalismo com base nos preceitos éticos, técnicos e legais da profissão, enfrenta, basicamente, os mesmos dilemas de seus congêneres situados nas capitais do país e mesmo mundo afora.

O avassalador processo de desintermediação e horizontalização da comunicação provocado pelo advento da internet e suas consequentes mudanças de hábito do cidadão afligem os nossos veículos ao ponto de, no caso de jornais, por exemplo, levar ao fechamento de vários deles, alguns centenários, nos últimos cinco anos.

Uma boa parte ainda mantém a produção noticiosa em plataforma de papel e internet e outra migrou para o online, única e definitivamente. Outros, infelizmente, desapareceram do mapa da mídia, aumentando os chamados desertos de notícia, para alegria dos que odeiam a transparência e a vigilância da coisa pública.

De forma geral, num recorte dos últimos 20 anos, a imprensa demorou para se adaptar às mudanças tecnológicas e se reinventar como modelo de negócio. Por ter sido um nicho altamente rentável, com dupla fonte de receita (leitor e publicidade) e gerida por organizações familiares em sua maioria, a resistência às mudanças, nas realidades que conheço, a partir de minha experiência na Associação Paulista de Jornais (APJ), ainda é grande. Não só por teimosia, vaidade e conservadorismo, mas também por incapacidade de entender o quanto é irreversível a dinâmica das transformações.

O resultado é que estamos, a imprensa regional no interior, provando do pão que o “diabo da internet” amassou. Isso sem falar na crise sistêmica da economia nacional, que patina há anos e azeda ainda mais nosso molho.

O grande problema, neste momento, não é uma possível desidratação na sempre fiel audiência das notícias, mas sim o financiamento de nossas atividades. No mundo das fake news e pós-verdades, as pessoas seguem recorrendo aos órgãos de imprensa para se informar ou, mais recentemente, confirmar a veracidade dos fatos em meio ao turbilhão de informações a que todos estamos submetidos. Aliás, a internet potencializou a audiência.

Com as ferramentas que os softwares responsivos proporcionam, estamos rapidamente aprendendo a manter ativo e em tempo real o diálogo informativo, interpretativo e interativo com os leitores, internautas, ouvintes e telespectadores. Claro que, para isso, tem sido necessário desenvolvermos e aprimorarmos, constantemente, sites e portais que façam do consumo da informação crível uma experiência prática, ágil e envolvente. E atuarmos, também, com a devida parcimônia, nas redes sociais.

O que nos tira o sono, mais do que qualquer coisa relacionada à inovação, é a (in)viabilidade econômico-financeira do negócio. Porque a essência do jornalismo não mudou, apenas (e isso não é pouco nem fácil) estamos nos adaptando a uma nova forma de prestar o serviço ao leitor, alterando processos e fluxos, planejando mais, enfim, gerindo a indústria de forma mais profissional e sintonizada às exigências da demanda.

Tenho ouvido o relato de alguns gestores de jornais tradicionais do interior paulista sobre os aportes mensais de recursos (centenas de milhares de reais) que estão fazendo, há mais de um ano, para manter as atividades enquanto enxugam despesas com cortes de pessoal e insumos.

Estes assim o fazem porque têm outras atividades empresariais que possibilitam sustentar a dolorosa transição em busca de um novo lugar ao sol no mercado. E muitos não sabem como passar desta fase – de contenção de despesas. E apenas ela não resolve.

Tenho visto também, no cenário mais drástico, como a crise econômica e de novos paradigmas tem provocado situações de inadimplência e desequilíbrio nos balanços contábeis que, em vários casos, desembocam rapidamente na inviabilidade das empresas.

A busca pelo equilíbrio e sustentação é uma tarefa que tem exigido atitude, disrupção, suor e lágrimas de todos nós. E, também, boas pitadas do que chamamos aqui de “tempero caipira” nas soluções, como, por exemplo, fazer de nossas plataformas um player que as pessoas “frequentem” com assiduidade e alegria, como faziam em décadas passadas, nas praças públicas, onde havia coreto, algodão-doce, pipoca e bandas de música, por meio do resgate do encantamento e, acima de tudo, da relevância do indispensável encontro público.

Ao contrário da tendência mundial de globalização, a cobertura jornalística precisa ser cada vez mais local, focando o dia a dia da comunidade onde está inserida. Os fatos nacionais e mundiais continuarão a fazer parte dos noticiários, mas o cidadão comum demonstra um interesse crescente no seu microcosmo, ou seja, na visão do universo a partir de seu ponto de vista. 2019: ano do podcast no Brasil.

Aqui no Brasil, este ano de 2019 é, sem dúvida, o ano do podcast! “Podcast é o rádio do futuro”, profetizava Steve Jobs. Mas eles não são uma novidade, tudo teria começado no final dos anos 1980. Como acontece às vezes, foi uma mídia que não pegou. Ela voltou na metade da década passada – e são uma realidade desde 2006 e 2009. No ano passado os usuários iOS e iTunes sozinhos escutaram 7 bilhões dessa mídia, enquanto a expansão das podcast networks, redes especializadas na produção de podcasts, mostrou que o formato também pode ser ótimo negócio.