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Quando um país vive uma crise política e econômica, diversos setores são afetados drasticamente. E no segmento automotivo não poderia ser diferente. Quanto mais desemprego, menos consumidores optam por comprar o tão sonhado carro zero ou trocar aquele mais antigo por um novo. E na contramão, as indústrias automotivas têm de investir cada vez mais em fábricas e novos produtos para não sucumbirem de vez aos problemas econômicos.

“Apesar desse cenário, várias empresas anunciaram novos investimentos, pois, como o setor é muito competitivo, o grupo que deixar de investir em novos produtos, em inovações de parque produtivo e da linha de produção pode perder competitividade e ficar para trás”, explica Cleide Silva, repórter do jornal O Estado de S. Paulo e uma das premiadas na categoria Automotivo do Prêmio Especialistas 2017.

Pedro Kutney, também vencedor nessa categoria do prêmio e editor do Automotive Business, acredita que o mercado automotivo brasileiro mergulhou junto à crise e explica um pouco mais esse cenário da indústria nacional.

“De 3,8 milhões de veículos vendidos em 2013, as vendas caíram para aproximadamente 2 milhões em 2016 e devem fechar este ano em cerca de 2,2 milhões, em expansão de 7% sobre 2016, experimentando a volta do crescimento após três anos seguidos de retração”, diz o jornalista.

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Cleide Silva recebe troféus de premiada e destaque. Anderson Suzuki, da Toyota, foi quem entregou a premiação

Kutney também explica que muitos investimentos em fábricas e produtos foram feitos nos últimos anos, em torno de R$ 80 bilhões nesta década, segundo divulga a Anfavea, a Associação dos Fabricantes. “Com isso, melhorou de maneira sensível a qualidade e a eficiência energética dos veículos produzidos no país, principalmente porque houve exigência para isso no Inovar-Auto, programa de desenvolvimento do setor lançado em 2012 e que acaba este ano. As exportações também voltaram a crescer expressivamente, algo como 60%, graças ao câmbio mais favorável”, conta. Ainda de acordo com o jornalista, o que a indústria automotiva brasileira precisa agora é acompanhar mais de perto as tendências globais para ter produtos competitivos internacionalmente e oferecer o melhor ao consumidor brasileiro.

Além disso, o jornalista também compartilha algumas informações referentes ao futuro do setor. Para ele, o segmento está passando por um momento altamente disruptivo, que deve fazer a indústria evoluir mais rápido nos próximos 10 anos do que evoluiu nos últimos 100. “Estamos falando de tecnologias de direção autônoma (carros capazes de guiar sem a interferência do motorista) e de assistência (como frenagem automática de emergência ou assistente de faixa de rodagem) que elevam a segurança a patamares nunca antes imaginados”, explica. Kutney reitera que os carros e os caminhões também passam a integrar o universo da internet das coisas, pois já fazem parte da rede mundial de computadores e podem se comunicar com seus proprietários, com outros veículos, com a infraestrutura viária, com seus fabricantes e até mecânicos.

“Outra tendência é a eletrificação e o uso de combustíveis alternativos, com grande quantidade nos próximos anos de veículos elétricos e híbridos, diante da premente necessidade de redução de emissão de poluentes e gases de efeito estufa na atmosfera. Além dessas três tendências combinadas (direção autônoma, conectividade e eletrificação), os veículos cada vez mais estão se transformando em um serviço de mobilidade que nem sempre envolve a propriedade. Já é possível hoje (especialmente na Europa e Estados Unidos e em grau ainda incipiente no Brasil) pagar pelo tempo de uso de um carro por meio de aplicativos para smartphones. Ou seja, no futuro próximo pode ser que a maioria das pessoas não tenha um veículo próprio, mas poderá usar um sempre que precisar, como um serviço. Tudo isso revoluciona a indústria e exige centenas de bilhões de dólares (ou euros) em investimentos em pesquisa e desenvolvimento, que nem todos os fabricantes de veículos e autopeças têm condições de fazer sozinhos, por isso buscam parcerias e associações entre si e com novos entrantes nesse mercado, como empresas de tecnologia”, conclui o jornalista.

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Pedro Kutney recebe troféus de Anderson Suzuki, da Toyota

Os desafios na cobertura jornalística do setor
Para Cleide Silva, o desafio é buscar detalhes curiosos de uma história e ir além dos dados que são divulgados para todos os meios. “Nem sempre isso é possível ou às vezes não há espaço (no caso do impresso) para explorar muito o tema a ser abordado e acaba ficando apenas na notícia principal mesmo”, explica. Por isso, a jornalista acredita na importância de uma narrativa bem contada para se destacar, em meio a um mercado com tantas opções para os leitores. “Há muitas histórias a serem exploradas em relação ao processo produtivo, histórias das pessoas envolvidas nos projetos e nas fábricas, histórias sobre a cadeia automotiva em geral”, completa.

Cobrir toda a cadeia industrial automotiva também é um dos grandes desafios dos jornalistas do segmento. “No meu caso, aqui em Automotive Business fazemos a cobertura de lançamentos de produtos, fábricas, distribuição, tecnologia automotiva, mercado automotivo e seus números, legislação e programas de desenvolvimento voltados ao setor, investimentos, noticiário econômico relacionado. Por isso, é a enorme a quantidade de eventos, entrevistas, coletivas, apurações de toda espécie. O maior desafio é tentar cobrir tudo isso e dar aos nossos leitores a mais completa visão do setor automotivo” diz Pedro Kutney.

Outro diferencial que Kutney destaca é que para conquistar a audiência é necessária a busca por pautas mais atraentes. “O que os leitores mais gostam de acompanhar são lançamentos de produtos, notícias de mercado, números e estatísticas do setor, tecnologia e investimentos. A forma de conseguir as melhores pautas segue a velha fórmula do jornalismo de negócios: estar presente em eventos, cobrir o noticiário do setor de forma ampla e analítica, construir bons relacionamentos com as fontes”, afirma.