Muito se fala sobre as organizações exponenciais, empresas que em curtíssimo tempo conquistaram mercado e se tornaram referência em seu setor. Waze, Airbnb, Uber, Netflix e Google são exemplos de companhias com este conceito, caracterizado pela capacidade incrível de aceleração – fruto das mais avançadas tecnologias e de constantes inovações. O seu ritmo de crescimento é dez vezes maior na comparação com negócios que se mantém em atividade linear.

Mas como internalizar isso no dia a dia de sua empresa? Uma das respostas estão nos seis Ds do pensamento exponencial, modelo desenvolvido pelo futurista Peter Diamandis: Digitalização (a tecnologia incorporada ou desenvolvida exclusivamente para algum negócio), Decepção (sabemos que a grande maioria dos produtos e serviços tecnológicos mais promissores e com os quais talvez não vivamos mais sem, passaram por um estágio inicial em que os usuários iniciais não gostaram nenhum um pouco das experiências iniciais), Disrupção (algo disruptivo quebra a ordem das coisas: é realmente algo novo como nunca havia sido feito ou pensado antes), Desmaterialização (é preciso tirar do campo das idéias e fazer o negócio, produto ou serviço virar), Desmonetização (o lucro em si não pode ser a alma ou o objetivo final, pois corre-se um grande risco de não dar certo. É essencial entender as curvas de adoção e o uso de forma escalável: mais uma vez a recente história ‘tecnológica’ nos mostra que várias das empresas mais bem sucedidas começaram sem lucro ou receita alguma, apenas adoção e utilização) e Democratização (é o estágio em que qualquer pessoa passa a adotar a tecnologia, independente de sua idade, gênero ou classe social: também temos inúmeros casos de plataformas que hoje podem e são acessadas por diferentes tipos de usuários). Estes são princípios que ajudam a mover uma curva exponencial em praticamente todos os negócios.

Um exemplo que vivi na pele foi o lançamento há quase quatro anos da plataforma de publicidade do Mercado Livre, uma solução para vendedores do marketplace e demais varejistas para divulgarem seus produtos e, consequentemente, venderem mais.

A estratégia é lógica e chega a ser óbvia já que utiliza uma plataforma que chegou a 182 milhões de usuários únicos na América Latina. E, afinal, quem não quer e precisa vender mais dentro do maior site de comércio eletrônico da América Latina?

Porém, este público precisava: entender o poder de contar com a tecnologia dos algoritmos a seu favor; aprender e internalizar mais sobre marketing e soluções de mídia e, claro, apostar seus investimentos em algo novo. Mas, assumir esse risco era necessário para o crescimento do seu próprio negócio.

Resultado: a base de usuários da solução cresceu mais de 300% e as receitas da área de Publicidade subiram mais de 450% ao longo desse período. Foi possível democratizar o uso da plataforma para os mais diversos tipos de vendedores: dos pequenos aos grandes, nas mais diversas categorias.

Os early adopters, como são conhecidos os destemidos que apostaram primeiro na tecnologia, foram fundamentais para o movimento de aprendizagem. Com eles, aperfeiçoamos a plataforma e passamos a oferecer exatamente o que o vendedor precisa dentro do marketplace – proporcionar uma experiência de compra interessante ao consumidor, vender mais, ampliar receita e desenvolver a empresa.

Identificar a abundância dos recursos que existem dentro de um negócio parece óbvio e simples, mas a rotina por muitas vezes consome a visão estratégica que todos precisamos ter. Pensar grande e “agir grande” – esse parece ser o maior desafio dentro das companhias brasileiras em geral.

Segundo Pascal Finette, da University Singularity: “A sua taxa de crescimento é igual à magnitude do seu desafio multiplicada pela intensidade do seu ataque” – em tradução livre: você está pronto para equalizar e tornar seu pensamento exponencial?