Debates sobre o papel da mulher na sociedade têm se tornado cada vez mais constantes no dia a dia da sociedade. Temas como assédio, exploração, salários mais baixos, jornadas duplas de trabalho, entre outros, estão sempre nas pautas, seja nos veículos de comunicação ou nas conversas entre amigos. Mas na luta pela igualdade de gêneros, elas têm se unido para trazer cada vez mais profundidade e relevância para o tema.

Pensando justamente nesse aprofundamento do assunto, a revista CLAUDIA, da Editora Abril, realizou o evento Mulheres na Mídia, no dia 7 de março, em São Paulo. Mais do que comemorar o Dia Internacional da Mulher, o encontro tinha como objetivo reunir mulheres de diversos segmentos do mercado de comunicação e entretenimento para discutir sobre a representatividade feminina no cenário atual.

Durante a cerimônia, foram realizados cinco painéis, com os seguintes assuntos: o papel da mulher no entretenimento, os homens dominam a hardnews e as opiniões, a representatividade no universo digital, a publicidade e o reforço de estereótipos e a aparência conta tanto quanto a competência.

Sendo a mídia uma das responsáveis pela transformação do estereótipo de gêneros, reunir profissionais que são referências em suas áreas é um passo importante para que as mulheres possam se juntar em busca de igualdade. “Não estamos falando que queremos ser superiores aos homens, muito pelo contrário. O movimento feminista pede por igualdade”, diz Gal Barradas, CO-Presidente Havas Creative Group Brasil/ CO-CEO na BETC São Paulo, durante o painel A Publicidade e o Reforço de Gêneros.

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(Foto: CLAUDIA) Taís Araújo, durante debate.

 

Taís Araujo, atriz da Globo, que compunha o painel O Papel das Mulheres no Entretenimento, acredita que ainda há um longo caminho a ser percorrido, principalmente no caso dela que, além de mulher, é negra. “Eu só uma exceção que só serve para confirmar a regra. Nas capas das revistas, eu sou a única mulher negra que aparece. Se outras não tiverem espaço, o que eu faço não terá valor”, explica.

Outro ponto abordado pelas profissionais foi a questão de serem comparadas a homens quando são bem-sucedidas, o famoso “trabalha que nem homem”. Sheila Magalhães, diretora-executiva da rádio BandNews, que já ouviu isso diversas vezes, disse que tenta sempre responder de forma educada, mas firme. “Falo que eu trabalho com seriedade e competência, trabalho como uma pessoa normal”, disse a jornalista, que estava presente no painel Os Homens Dominam a Hardnews e as Opiniões?”.

“Não estamos falando que queremos ser superiores aos homens, muito pelo contrário. O movimento feminista pede por igualdade”

Já no painel sobre a Representatividade no Universo Digital, Fiamma Zarife, diretora geral do Twitter no Brasil, falou sobre importância das plataformas digitais como ferramentas de igualdade. “No twitter, diversidade não é uma opção”, conta. Fernanda Cerávolo, head do YouTube Brasil, reforça que a as redes sociais têm como uma das responsabilidades reverter situações de ódio e preconceito.

Encerrando o dia, a aparência como fator determinante para o sucesso das mulheres também foi um dos assuntos do evento.. Antes da apresentação das convidadas, foram mostrados como o jeito de se vestir, de se maquiar e de se comportar de forma feminina, por exemplo, geram impacto não somente para os chefes, mas também para o público que acompanha jornalistas, apresentadoras, atrizes etc, o que não costuma acontecer com os homens.

“Feminilidade é automaticamente ligada à incompetência”, disse Daniela Cachich, VP de Marketing da Pepsico Alimentos. Para ela, a beleza feminina pode existir sem ser oprimida. Já Cynthia Almeida, jornalista, consultora editorial e autora da coluna Mulher S.A., em CLAUDIA, acredita que a mulher tem que ter liberdade. “Somos criticadas quando nos vestimos bem e quando nos vestimos mal. Não existe o valor da liberdade”, explica.

Em breve, o portal da revista Negócios da Comunicação vai compartilhar detalhes dos temas debatidos e a importância disso para a comunicação no Brasil de forma geral.

 

Confira a seguir todas as debatedoras dos painéis realizados.

OS HOMENS DOMINAM O HARD NEWS E AS OPINIÕES

Sheila Magalhães, editora executiva da rádio Band News FM

Thaís Oyama, redatora-chefe de Veja

Malu Gaspar, repórter da revista Piauí e autora de Tudo ou Nada – Eike Batista e a verdadeira história do Grupo X

REPRESENTATIVIDADE NO UNIVERSO DIGITAL

Alexandra Loras, ativista e colunista digital de CLAUDIA

Fernanda Cerávolo, head do YouTube Brasil

Fiamma Zarife, diretora geral do Twitter no Brasil

O PAPEL DAS MULHERES NO ENTRETENIMENTO

Daniela Mignani, diretora do GNT

Maria Clara Spinelli, atriz

Patricia Kamitsuji, managing director at Fox Warner Brasil

Taís Araújo, atriz

Vera Egito, cineasta e roteirista de Elis

A PUBLICIDADE E O REFORÇO DE ESTEREÓTIPOS

Carla Alzamora, Diretora de Planejamento da Heads Propaganda

Gal Barradas, CO-PresidenteHavasCreativeGroup Brasil / Founderand CO-CEO at BETC São Paulo

Joanna Monteiro, ChiefCreative Officer da agência Fcb Brasil

Laura Chiavone, publicitária, Strategic Thought Leader, Cultural Hacker, Diversity Enthusiast

PARA AS MULHERES, A APARÊNCIA CONTA TANTO QUANTO A COMPETÊNCIA

Cynthia Almeida, jornalista, consultora editorial e autora da coluna Mulher S.A., em CLAUDIA

Daniela Schmitz, Vice-Presidente Executiva De Engajamento Para Marketing Da Edelman Significa

Daniela Cachich, Marketing Vice-President Foods da Pepsico