Ao longo dos anos, a TV aberta tem visto sua audiência cair devido à concorrência das outras mídias. Um dos caminhos apontados é a integração entre os canais, como o seu programa, sendo o primeiro talk show transmitido ao vivo no Facebook. De que maneira isso muda a forma de se pensar a entrevista? Ou a dinâmica do ao vivo é sempre a mesma?

A audiência da TV, em geral, caiu por causa da internet. Há mais opções de TV on demand, seriados e filmes na hora em que a pessoa quer ver. Mas a TV aberta continua tendo uma força incrível, basta ver quantos posts de Facebook e quantos assuntos do Twitter são sobre matérias dos jornais ou sobre programas da TV aberta.

O programa Mariana Godoy Entrevista tem esse formato não porque a gente pensou em audiência, mas porque prioriza e privilegia o telespectador. Sempre. Usar outra plataforma, em um programa ao vivo, é fantástico! Explorar todas as possibilidades não nos assusta, pelo contrário, é muito estimulante. A nossa audiência vem aumentando a cada ano e isso mostra que escolhemos o caminho certo para seguir.

Com o amadurecimento do programa, como tem se delineado o perfil do público do Mariana Godoy Entrevista? A pauta política tem estado em destaque devido ao momento do país, mas ela, de fato, é a que reflete em mais audiência?
O perfil do nosso público é bastante variado. Tem homens e mulheres de todas as idades e diferentes opiniões. Nosso programa é muito espontâneo. O que vai ao ar ao vivo na sexta tem sempre a ver com o que foi assunto durante a semana. Se for política, política será. Mas há muito mais o que se discutir no Brasil. Nós damos espaço para tudo o que for interessante.

Nós observamos que nossos programas gravados dão tanta audiência quanto os programas ao vivo, e ficamos felizes com essa consolidação. Os primeiros programas gravados para as férias de janeiro com Oscar Schmidt e Erasmo Carlos tiveram ótima resposta e isso nos deixou bem mais tranquilos. Podemos variar o perfil dos convidados e o estilo e formato do programa que a resposta tem sido a mesma.

O formato de talk show já vem sendo usado à exaustão na televisão brasileira, principalmente por figuras masculinas. Qual a importância (e o diferencial) da representatividade da mulher nessa posição que você vem ocupando?
Não acho que seja um formato que já cansou… São duas pessoas conversando. Sempre acompanhei o Jô e não podemos nos esquecer das entrevistas da Gabi. Eu sou mulher, a Luciana Gimenez é mulher e agora vem aí Tatá Werneck que, além de tudo, é uma comediante. Eu me sinto privilegiada pelo espaço que conquistei e agradeço a RedeTV! por ter me proporcionado essa oportunidade de fazer algo diferente na TV. A emissora confiou em mim e eu espero retribuir com cada vez mais sucesso!

Como inovar dentro desse formato e também garantir a sua sustentabilidade comercial?
Nós inovamos com a participação do público ao vivo pelas redes sociais, mas não ficamos preocupados em inventar muitas novidades.
O que vale mesmo é o conteúdo da conversa. Comercialmente só temos crescido e aumentado o tempo do programa, os intervalos comerciais e o número de patrocinadores.

Como você vê a importância da liberdade do profissional de jornalismo para a manutenção da democracia? De que maneira tem sido possível exercitar isso na RedeTV!?
Censura e democracia não combinam. Simples assim. O superintendente de Jornalismo Franz Vacek é jornalista. Foi correspondente de guerra. O dono da emissora, Amilcare Dallevo, tem formação em jornalismo. Ouvir todos os lados é imprescindível, fundamental. Quem acompanha o jornalismo da RedeTV! percebe isso e muito nos orgulha. Nós temos, além de liberdade, muito incentivo para perseguir novas pautas e investir em diferentes assuntos e pontos de vista.

Você tem trazido nomes de peso para o programa, a exemplo da presidente eleita Dilma Rousseff. Até agora qual foi um dos momentos mais marcantes para você justamente por ter mais autonomia de decisão editorial?
As entrevistas com Dilma e Temer, as exclusivas com Eike Batista e Mírian Dutra foram destaque, sim. Dilma estava no meio do processo de impeachment e nos recebeu no Alvorada. Foi marcante para mim. Temer nos recebeu algumas semanas depois de assumir oficialmente. Prestígio para nosso programa. Eike abriu o coração e teve a entrevista reprisada este ano, depois da prisão, com excelente retorno.

Eduardo Cunha, nosso entrevistado de estreia, também voltou ao programa depois de denunciado e a atração teve muita repercussão.
Posso citar a entrevista com Ciro Gomes, sempre polêmico e sem papas na língua, como uma demonstração dessa liberdade que temos na RedeTV!.

Ele chamou Cunha e Temer de golpistas e as aspas ficaram nos noticiários por uma semana. Mais recentemente, Roberto Jefferson declarou que sairá candidato a deputado federal e só se importa com o julgamento do eleitor.Isso repercute.

Mas todo entrevistado traz algo consigo que o torna inesquecível para mim. Um dos meus preferidos foi o programa ao vivo com Bibi Ferreira. Ela cantou, interpretou um trecho de Gota d’ Água de que eu me lembrava e foi impecável. Bibi deu um show!

Quais são as expectativas para o programa em 2017? Seja em audiência, em entrevistados, relevância…
O programa fica entre as maiores audiências da casa na sexta, independentemente de ter sido gravado ou ser ao vivo, e isso nos dá muita tranquilidade para trabalhar.

Em 2017, vamos discutir as principais reformas propostas pelo governo (já começamos, aliás, com dois programas sobre Previdência) e continuaremos a falar de política e com políticos, mas isso não nos engessa. Queremos continuar trazendo os entrevistados que o público quer ver.