Falar com autoridade e qualidade sobre determinados assuntos exige do jornalista que atua no nicho segmentado um exercício constante de pesquisa e aprofundamento. Dessa maneira, as entidades de jornalistas especializados se tornam cada vez mais estratégicas em suas atividades, servindo de importante espaço de reflexão sobre a profissão e de contribuição na qualificação dos profissionais, defendendo, sempre, a liberdade de imprensa.

Entre seus objetivos centrais, está promover a circulação de informações e temas pertinentes, ajudar o profissional que atua maciça ou esporadicamente com o assunto e difundir a importância da cobertura setorial, trabalhando com pluralidade de opiniões e independência.

Mas, nos tempos atuais de crise, como essas entidades de jornalistas especializados pretendem se manter ou conseguem sobreviver ao longo do anos tem sido um desafio a ser enfrentado. “A Jeduca (Associação de Jornalistas de Educação) contará com parceiros financeiros, técnicos e institucionais. Em geral, serão Organizações Não Governamentais da área da educação. No entanto, como ainda não assinamos nenhum contrato oficialmente não posso citar nomes”, explica Fábio Takahashi, vice-presidente e um dos fundadores da associação.

Segundo Rachel Añón, da Rede Brasileira de jornalismo ambiental, a forma de sobrevivência tem relação com uma das metas da entidade. “Queremos quebrar alguns conceitos antigos, por exemplo, não temos uma sede, até porque nossos integrantes estão espalhados pelo país”, diz. Para a manutenção desses trabalho, a ideia inicial é de crowdfunding, a princípio a forma de financiamento mais viável.

Em busca de fluxo financeiro para as empreitadas, as associações têm apostado em parcerias com empresas, cursos de capacitação e palestras – e até crowdfunding junto aos associados

Os associados também devem pagar uma taxa para participar. “A grande motivação foi achar uma nova forma de fazer jornalismo e uma nova forma de remuneração. Contamos com um grupo altamente qualificado, com alto comprometimento com as questões ligadas ao meio ambiente e à sustentabilidade. Por isso, merecemos que nossa atividade seja praticada em um espaço de jornalismo com qualidade, que seja remunerado adequadamente.”

Ana Carolina Amaral, atual secretária executiva da Rede, ratifica a proposta: “Acreditamos que a melhor fórmula de financiamento é a que tem a base mais diversa”, diz. Segundo ela, as estratégias começam com a campanha de financiamento coletivo, somando-se a doações de pessoas físicas e jurídicas, patrocínio e contribuições anuais dos membros. Também esperam ter um fluxo financeiro ligado à realização de cursos e capacitações, eventos e outras prestações de serviços. “Não temos patrocinadores hoje”, diz.

Já a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) é mantida pelos próprios jornalistas, não tem fins lucrativos nem preferências políticas ou partidárias. Os recursos necessários ao desenvolvimento das atividades da associação provêm das mensalidades dos associados, de convênios com entidades congêneres ou com orgãos do setor público, além de doações de pessoas físicas ou jurídicas, nacionais ou estrangeiras.

O mesmo acontece com a Associação Brasileira de Jornalismo de Medicina e Saúde (Abrajorms), que sobrevive por meio de mensalidades como contribuição de seus associados. Além disso, tradicionalmente, tem seus eventos patrocinados pela Agência Brasileira de Notícias (ABN) e pela ABN News. Por princípios e normas estatutárias, a entidade não estabelece parcerias com governos e orgãos governamentais nem pleiteia patrocínio e apoio desses orgãos. Caminho semelhante é seguido pela associação Brasileira de Jornalistas de Turismo (Abrajet), que se mantém, exclusivamente, graças às contribuições das seccionais. “Quando realizamos congressos e participamos de feiras conseguimos alguns patrocínios. No entanto, estamos lutando para conseguir apoiadores maiores”, diz Miriam Petrone, presidente da Abrajet nacional e de São Paulo.

É unânime a avaliação de que iniciativas desse tipo podem servir de inspiração para a criação de outras associações setoriais. “Qualquer setor ganha em qualidade se tiver um espaço de reflexão e de qualificação”, resume Takahashi. “Tanto isso é verdade que a Abraji, pelo jornalismo investigativo, foi a inspiração para muitos de nós da RBJA”, conta Ana Carolina. Já a Abrajorms serviu de motivação para a criação de outras entidades, como a Associação Brasileira de Jornalismo de Agricultura e Pecuária (Abrajap). “A Abrajet influenciou outras entidades, inclusive, dentro do próprio segmento do turismo. Meu sonho é reunir os presidentes de todas essas associações setoriais para discutir a profissão”, completa Miriam.