Quão estratégico é o Brasil dentro dos negócios do BuzzFeed?

O Brasil é considerado uma prioridade para o BuzzFeed. A edição brasileira começou em 2014 com apenas três pessoas, mas crescemos muito devido às respostas fortes da internet brasileira, que tem uma cultura que se alinha muito bem com a do BuzzFeed.
O brasileiro adora viver em comunidade na internet e o BuzzFeed o tempo todo tenta descobrir o que as pessoas gostam de compartilhar nas redes sociais. Com isso, o BuzzFeed Brasil está entre os três mercados internacionais do BuzzFeed com relação aos visitantes únicos.
Sobre o crescimento dos negócios, estamos caminhando para ter em 2016 uma receita vinte vezes maior na comparação com 2015, e o BuzzFeed Brasil em si também está crescendo. Nossa equipe editorial dobrou de tamanho desde julho de 2015. Atualmente, temos 18 membros da equipe sediados em São Paulo, além de uma uma recente contratação, que será nosso primeiro correspondente em Brasília.
Nós também temos uma equipe de negócios que conta com 6 profissionais, estamos contratando constantemente e esta equipe vai crescer antes do final de 2016.
Este ano inclusive foi incrível para o BuzzFeed Brasil, com realizações como o lançamento do BuzzFeed News Brasil em maio, o lançamento e rápido sucesso do Tasty Demais (fevereiro) e o lançamento da primeira edição da Nifty fora dos EUA, o Nifty Brasil (julho). O nosso crescimento e sucesso nos negócios nos levou a mudar para um novo escritório, e agora teremos um espaço próprio no Brasil com raízes ainda mais fortes no país.

Hoje o BuzzFeed conta com muitos “braços” de atuação: listas, gifs, notícias ou, por exemplo, o Tasty Demais. Como a plataforma define sua atuação hoje?

Descrevemos o BuzzFeed como uma empresa global de mídia que produz e distribui notícias originais, entretenimento e vídeos, e que tem mais de 7 bilhões de visualizações por mês.
Além disso, também estamos redefinindo a forma como a publicidade on-line é feita por meio da nossa tecnologia de publicação em redes sociais, que é toda baseada em conteúdo. Nós estamos acostumados a dizer que o nosso concorrente é qualquer um que produza conteúdo que faça alguém parar de olhar para o seu telefone.
Acima de tudo, a cultura do ­BuzzFeed é profundamente experimental. A gente se organiza e se reinventa a todo momento para dominar novas plataformas sociais e novos métodos de contar histórias, além de termos a liberdade de falhar e aprender com nossos erros para continuar inovando e crescendo sempre. Então, pode ser que daqui a seis meses eu tenha uma resposta totalmente diferente para esta pergunta.

Inicialmente sempre associada ao entretenimento, a cobertura jornalística tem sido uma crescente no site. O que tem estimulado esse movimento e de que maneira a equipe tem sido estruturada?

O braço recém-formado do BuzzFeed Brasil continua sendo a expansão do BuzzFeed News — que foi criado nos EUA em 2013 — para outros países ao redor do mundo.
O BuzzFeed News Brasil foi lançado em maio de 2016 e nós já vimos uma resposta enorme, nacional e global, à nossa cobertura das turbulências políticas que ditaram esse último ano. Nosso editor de notícias, Graciliano Rocha, veio da Folha para se juntar a nós e agora lidera uma equipe incrível de três repórteres extremamente experientes.
A cobertura de notícias faz parte do nosso objetivo de oferecer uma grande variedade de conteúdo para o público. Nossa missão no News é ajudar nossos leitores em todo o mundo a receberem informação em tempo real, inclusive ajudando a entender situações complexas. Prova disso é a nossa produção constante de “explainers” e “debunkings”, que são artigos nos quais a gente explica algo complexo ou uma informação que está sendo compartilhada de forma errada, respectivamente. O BuzzFeed News Brasil trabalha com informação apurada e contextualizada de forma equilibrada, investigações detalhadas e histórias que ajudam nosso público a tomar melhores decisões.
Embora o BuzzFeed seja uma empresa de mídia digital, temos valores e ética tradicionais quando se trata de nossa integridade jornalística e normas editoriais. Isso nos diferencia de muitas outras fontes de notícias online ­— especialmente quando olhamos o clima atual e as questões globais que envolvem notícias falsas.

Descrevemos o BuzzFeed como uma empresa que tem 7 bilhões de visualizações por mês. Dizemos que nosso concorrente é qualquer um que produza conteúdo que faça alguém parar de olhar o seu telefone

Com o crescimento, como é feito o gerenciamento do material colaborativo que é postado?

Há um setor de moderação que trabalha com os conteúdos gerados no Community (buzzfeed.com/community), a seção do site que permite que qualquer leitor crie seu post no BuzzFeed. Esta equipe trabalha para garantir que todo o material gerado pela comunidade de leitores esteja alinhado com nossas políticas de criação de conteúdo.

Além disso, temos uma equipe de tradução e adaptação liderada por Millie Tran, em Nova York, com quem trabalhamos para adaptar os mais diversos tipos de conteúdo para o Brasil, publicados originalmente em seis idiomas diferentes, incluindo espanhol, português, japonês, francês e alemão. Esta equipe garante que o conteúdo esteja disponível em todos os idiomas de que precisamos (seja editorial, vídeo, ilustração, etc.) e nos permite publicar furos jornalísticos em vários idiomas em tempo real.

Uma das grandes marcas do ­BuzzFeed são as listas, que inclusive inspiraram a concorrência. É um formato que veio para ficar?

As listas vieram para ficar, mas estamos sempre focados em experimentar e inovar para encontrar novos formatos de conteúdo que tenham sucesso com a nossa audiência e funcionem bem em plataformas sociais novas e emergentes. O vídeo, por exemplo, cresceu rapidamente e se tornou uma grande parte da receita do BuzzFeed. Temos cerca de 5 estúdios em Los Angeles e pequenos estúdios em todo o mundo, incluindo aqui em São Paulo, onde criamos todo tipo de conteúdo editorial original. Essa é definitivamente uma área importante e de investimento para o BuzzFeed.

O BuzzFeed é um case de sucesso no que compete a compartilhamento e engajamento. Quais têm sido os caminhos para não saturar a audiência?

Alguns dos caminhos têm sido tentar inovar em formatos, temas e abordagens para que a gente continue a produzir conteúdo que gere impacto positivo na nossa audiência, que gere identificação com o leitor e compartilhamentos ou notícias e furos políticos que levem a uma mudança social. Também estamos buscando chegar à nossa audiência em todas as plataformas, no lugar de direcioná-los constantemente para o nosso site. Nós publicamos em mais de 30 plataformas sociais em todo o mundo e o conteúdo é criado de forma específica para cada plataforma. Por exemplo, não usamos o mesmo vídeo em todas as redes, mas entendemos que a cultura do Instagram é diferente do YouTube, que é diferente do Snapchat, por exemplo.

Como o BuzzFeed tem inserido em sua estratégia a crescente demanda por conteúdos em vídeo?

Lançamos as edições brasileiras de Tasty and Nifty este ano e teremos mais marcas novas em 2017. Mais de 70% do tráfego BuzzFeed é originado de dispositivos móveis, por isso também temos um aplicativo de vídeo focado em smartphones.

Quais as novidades no que compete a native ads?

Aqui, quem responde é Bruno Belardo, diretor de estratégia de marca no BuzzFeed Brasil.
Nós vendemos soluções de conteúdo nativo em diversos formatos (literários, videos etc.) alinhadas sempre com as necessidades de cada cliente. Entendemos que as marcas devem se relacionar com as pessoas em um contexto humano, exercendo sempre a empatia, que é o elo mais forte nas relações humanas.

Por isso, quando se vê algum conteúdo direcionado para públicos específicos como canhotos, paulistas ou pessoas em um relacionamento, a identificação que esse conteúdo causa em cada um desses grupos faz com que o compartilhamento seja sincero, tornando o conteúdo poderoso e de grande alcance. Vimos um enorme sucesso com publicidade nativa em 2016. O Itaú já realizou 4 campanhas conosco este ano, e uma longa lista de grandes multinacionais renovou acordos conosco depois que executamos campanhas no Brasil em 2016.