Tudo por um clique? Posts polêmicos que geram discussões intermináveis? Definitivamente, essa não é a proposta do site Incrivel.club. Um dos vencedores do Prêmio Influenciadores Digitais tem um objetivo muito específico (e nobre): inspirar as pessoas a resolverem os seus problemas com criatividade. E a proposta deu certo. Na contramão dos haters, o Incrivel.club conquistou audiência com conteúdos leves e muito interessantes de saúde, histórias, artes, entre outros.

Quer conhecer um pouco mais da história do Incrível? Confira, a seguir, a entrevista com Danilo Vivan.

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Como começou a proposta do Incrivel.club?

A proposta é explorar um segmento dos leitores que está descontente com o atual acirramento das discussões nas redes sociais. Basta acompanhar a timeline que vem na sequência de qualquer notícia nos grandes portais para verificar o nível de crítica dos comentários. A questão ganhou tal dimensão nos últimos anos que o termo hater (que, em tradução livre, é algo como ‘odiador’) passou a ser usado para descrever os usuários que têm como hábito postar comentários de ódio. Parte do público está saturada desse tipo de comportamento e, por isso, passou a buscar algo mais leve na Internet e nas redes sociais, em si. É nesse nicho que o Incrível atua. Um perfil com pouco noticiário factual, notícias positivas/úteis, em geral sem viés para radicalização das discussões.

Como o site se mantém?

A renda é via publicidade no site com direcionamento pelos posts

Influenciar positivamente. Atualmente, muitos sites, blogs, entre outros, geram audiência baseados em polêmicas, tragédias, fofocas. Tem mercado para tudo, claro, mas como surgiu, então, a ideia de fazer exatamente o oposto, compartilhar coisas boas?

No ano passado, o jornalista Paulo Fernando Silvestre Jr. publicou um artigo bastante interessante em seu blog no Estadão com o título: “Não entre na onda da Fábrica de Ódio das Redes Sociais”. O texto trata de como os algoritmos do Facebook selecionam os posts que serão exibidos a cada usuário com base em seus gostos e hábitos, criando uma espécie de ‘bolha’ na qual cada perfil recebe apenas posts com opiniões com as quais se identifica, mas, ao mesmo tempo, acirrando as discussões cada vez que as pessoas são expostas a opiniões diferentes das suas. Não vou entrar no mérito dos efeitos dos algoritmos do Facebook, mas a expressão ‘fábrica de ódio’ é apropriada para descrever o atual momento das redes sociais (como já mencionei) e a estratégia de atuação do Incrível. A proposta é justamente explorar temas que não fomentem esse tipo de discussão mais acirrada tratando de questões leves, como ciência, saúde, história, beleza e até bricolagem.

Vocês usam, inclusive, o termo bondade. Como selecionar as pessoas que fazem parte do site?

A busca, em primeiro lugar, é por profissionais com cultura geral, capazes de navegar com alguma tranquilidade por uma enorme quantidade de temas – desde dicas de beleza e testes sobre cinema até questões ligados à atuação dos hormônios no corpo e dicas para se comportar no ambiente de trabalho. O profissional também precisa ter conhecimento de línguas estrangeiras, já que muitos posts tem como fonte material em inglês e espanhol. Também é importante ter noções de texto para mídias sociais. Afinal, a forma como se escreve nesses canais é diferente daquela com a qual aprendemos a trabalhar no jornalismo impresso, por exemplo – embora os pressupostos básicos, como clareza e qualidade de informação continuem sendo um ingrediente fundamental. O termo ‘bondade’, para nós, se refere à ética, disciplina e capacidade de trabalhar em equipe, fatores básicos para qualquer profissional.

Quando começaram, vocês planejavam virar formadores de opiniões?

Quando fui convidado para fazer parte da equipe, em 2015, não imaginava que o Incrível fosse registrar um crescimento tão – desculpe a redundância – incrível e que, em menos de dois anos, fosse ter mais de 8 milhões de seguidores. Nesse sentido, a indicação para o prêmio Influenciadores Digitais foi uma grata surpresa. Hoje, vejo muitos colegas da área de comunicação, jornalistas pelos quais tenho enorme respeito, curtindo e compartilhando posts do Incrível sem que eu tenha feito qualquer tipo de propaganda.

Mais do que um site de conteúdo, vocês priorizam a interatividade com o público. Foi assim desde o começou ou a ideia surgiu com o tempo?

O fato de o modelo de negócios estar atrelado à presença nas redes sociais impõe uma interatividade com público. Ao mesmo tempo a Internet e, particularmente, as redes sociais, são algo relativamente recente e todo o mercado ainda busca adequar a linguagem para interagir nesse canal. Evidentemente, usamos ferramentas de mensuração em tempo real para avaliar o retorno do público, mas nos mantemos muito atentos a cada comentário, seja na timeline, seja via mensagem.

O que vocês acham da quantidade de jovens que estão entrando para o mundo digital? Como manter a qualidade, a importância do conteúdo atrelado à quantidade de visualizações?

Esse é o grande desafio da Comunicação. Já temos a Geração Y assumindo postos de trabalho e interagindo nas mídias sociais e, muito em breve, teremos os millennials. Tenho 42 anos e, como jornalista, vivi o fim da era do jornal impresso (que, embora em declínio, ainda convive com os meios eletrônicos) e a ascensão, primeiro da Internet e depois das mídias sociais. Entender e interagir com essas novas gerações que buscam informação diretamente nas redes é um aprendizado diário, no sentido de que é preciso produzir conteúdo informativo e, ao mesmo tempo, atraente. As redes sociais proporcionam um espaço antes inimaginável para a interação, mas também dão margem para um número incomensurável de boatos e notícias falsas, o que tem gerado um grande debate – o próprio Mark Zuckerberg reconheceu isso recentemente, quando anunciou que o Facebook vai tomar medidas para combater a ‘desinformação’. Nesse sentido, claro, há uma preocupação com o número de visualizações, mas, ao mesmo tempo, temos de garantir, em nossos textos, uma qualidade de informação.

Inspiração, criatividade e admiração. Estes são os links do site. Como vocês, como indivíduos e profissionais, levam isso para o dia a dia?

Sou casado há quatro anos e pai há menos de dois e me identifico com muitos dos posts que tratam de assuntos relativos à vida a dois ou à paternidade, que usando a expressão do site, é um momento inspirador da vida de qualquer um. Sem abusar dos clichês tão comuns nesse universo da paternidade/maternidade, ser pai é algo que diariamente traz descobertas e desafios e muitos dos posts tratam disso. Mas, independentemente de ter ou não filhos ou de status conjugal, quase todo mundo (e não é diferente com outras pessoas da equipe do Incrível) precisa consertar algum móvel na casa ou se interessa por determinado filme. Ou ainda busca entrar em forma e se alimentar melhor.

É disso que trata o Incrível, de nos inspirar, de resolver os problemas com criatividade e às vezes parar pra admirar o que o mundo tem de bom.

SAIBA MAIS

Canal: Incrível Club
Site: https://incrivel.club/
Como foi a proposta inicial: a tarefa do Incrivel.club é fazer do dia de cada um de seus visitantes algo melhor, ao coletar as coisas boas e positivas que circulam pela Internet: arte, pessoas interessantes, histórias inspiradoras, fotos, poemas, dicas, receitas.
Números: 8,3 milhões de seguidores no Facebook, 81º página brasileira com mais seguidores, segundo o serviço Socialbakers, 40 postagens por dia (imagens, artigos, vídeos, posts compartilhados), seguidores predominantemente no Brasil, mas com uma quantidade relativamente expressiva em Portugal (5% dos seguidores).